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Guilherme Ravache

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por que a HBO Max tem o melhor conteúdo e o pior app? E a solução a caminho

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Guilherme Ravache

Guilherme Ravache é consultor digital. Jornalista com passagens pelas redações da Folha de S. Paulo, Revista Época e Editora Caras. Foi diretor de atendimento da Ideal H+K Strategies e gerente sênior de comunicação e marketing de relacionamento da Diageo.

Colunista do UOL

19/08/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Desde sua estreia a HBO Max sofre com variados problemas técnicos, de legendas impossíveis de ler a constantes travamentos
  • A pressão para a WarnerMedia, dona da HBO Max, acelerar sua entrada no mercado de streaming ajuda a explicar os bugs
  • Empresa optou por reaproveitar antigos apps ao invés de construir uma plataforma do zero, como Netflix e Hulu
  • Decisão de adicionar plano de assinatura com publicidade no HBO Max nos EUA complicou ainda mais o desenvolvimento
  • O tiro de misericórdia na equipe de tecnologia que desenvolve o HBO Max veio com a expansão da plataforma para 37 novos mercados
  • Empresa agora desenvolve um novo app do zero que deve ser lançado no início de 2022

A estreia do HBO Max na América Latina foi um fiasco. Sucessivos problemas para assinantes realizarem pagamentos, a ausência do app em lojas de apps e celulares, conteúdos que não aparecem e legendas esquizofrênicas são parte de uma longa lista de bugs da plataforma.

Por outro lado, a HBO e a HBO Max receberam juntas 130 indicações ao Emmy, uma a mais que a líder de streaming Netflix, que recebeu 129. O streaming da WarnerMedia tem clássicos como Família Soprano, Game of Thrones, The Wire e Friends, além de produções bem recebidas pela crítica como Lovecraft Country, Mare of Easttown e The Flight Attendant. Tem ainda franquias notórias da DC como Mulher Maravilha, Liga da Justiça e Esquadrão Suicida.

O sólido crescimento do número de assinantes no Brasil e no exterior reforça o potencial do conteúdo, construído ao longo décadas por um dos mais notórios estúdios de Hollywood. A entrada da HBO Max no mercado inclusive seria uma das razões que levou a Netflix a perder mais assinantes do que ganhar novos usuários pela primeira vez em um trimestre nos Estados Unidos e Canadá.

Possivelmente você imagine que os problemas se limitam ao Brasil, onde a plataforma chegou recentemente. Mas nos Estados Unidos a HBO Max existe desde maio de 2020 e o histórico de problemas é longo. O app apresentava uma série de bugs para usuários da Apple TV e Roku, por exemplo. Um dos problemas mais comuns era clicar rewind e o app travar.

A WarnerMedia não está sozinha neste território. No início do ano, o Globoplay passou por uma série de problemas com a estreia do Big Brother. Basicamente, o tráfego era superior à capacidade da plataforma da Globo de absorver o tráfego de usuários que começaram a usar a plataforma por causa do reality show. Dificilmente um novo app não chega ao mercado com problemas. A Disney+ na estreia nos EUA saiu do ar no primeiro dia, no Brasil também enfrentou diversos problemas.

Busca por receita agravou problemas

A WarnerMedia, dona da HBO Max, é uma empresa tradicional de mídia que agora se esforça para também ser uma empresa de tecnologia (ou direct to consumer) por meio do streaming. Sua capacidade de produção de conteúdo é indiscutível e suas produções atestam isso. Por outro lado, a pressão pela rápida migração para o digital e a crescente necessidade de gerar novas receitas têm levado a decisões precipitadas e os problemas acabaram se acumulando.

Em junho, a HBO Max lançou uma versão de plano de assinatura com publicidade nos Estados Unidos. Por US$ 9,99 (4,99 a menos que a versão sem publicidade), os usuários poderiam pagar menos, mas teriam de ver publicidade na plataforma.

Pode não parecer uma grande mudança, mas do ponto de vista técnico, é uma revolução. Significou recriar boa parte do código da plataforma. Mas não parou por aí, semanas depois a empresa seguiu com o plano de lançar a plataforma em 39 novos mercados, incluindo o Brasil.

No caso das legendas, por exemplo, a demanda para adicionar o texto em tantas línguas diferentes e em tantas horas de produções se tornou tão grande que não existia capacidade de banda suficiente para realizar a tarefa.

Já atrasada na corrida do streaming, a HBO Max não quis adiar ainda mais sua entrada na América Latina, um mercado cada vez mais estratégico, visto que o crescimento do número de novos assinantes nos países desenvolvidos está desacelerando. O Brasil, por exemplo, proporcionalmente já é o segundo mercado do mundo, já que ao menos 65% dos adultos tem ao menos uma assinatura de streaming.

"No entanto, o problema maior, de acordo com fontes da HBO Max, é que o aplicativo atual não foi criado do zero da forma como o Netflix ou o Hulu foram criados. Em vez disso, o Max está executando uma versão adaptada dos antigos serviços HBO Go e HBO Now. Embora ambas fossem aplicações sólidas, foram projetadas para um produto muito diferente", afirma Josef Adalian no Vulture.

Final feliz

Mas não se desespere, uma solução está a caminho. Uma nova versão do app está sendo desenvolvida do zero. A expectativa é que chegue ao mercado americano até o início de 2022 e posteriormente seja implementada nos demais países, como o Brasil.

Provavelmente, a nova versão do app da HBO Max estreie com bugs, mas a tendência é que passe a operar de maneira mais sólida com um código otimizado e uma estrutura dimensionada para suas novas necessidades.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL