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'Ficou claro que a corda arrebentaria do lado mais frágil', diz Sheherazade

A jornalista Rachel Sheherazade - Divulgação
A jornalista Rachel Sheherazade Imagem: Divulgação
Fefito

Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

29/09/2020 05h30

Resumo da notícia

  • Jornalista assume ter ficado surpresa com a dispensa via e-mail mandado pela emissora
  • Para Sheherazade, pressão política e comercial levaram à saída do SBT
  • Apresentadora afirma estar otimista com planos profissionais futuros

A anunciada saída de Rachel Sheherazade do SBT foi antecipada. Antes prevista para o fim de outubro, a despedida da bancada do "SBT Brasil" ocorreu na última segunda-feira (28). Ou melhor: não ocorreu. Segundo a jornalista, por e-mail, ela foi avisada que não precisaria mais voltar à emissora, onde trabalhava há uma década.

Sheherazade conversou com a coluna rapidamente, por WhatsApp, no final da noite de segunda. Não quis dizer se chegou a conversar com Silvio Santos sobre o fim de seu contrato, mas mostrou-se otimista quanto ao futuro. A apresentadora também afirmou ter uma tese sobre sua saída do canal. Leia a conversa a seguir:

O que foi definidor para a não-renovação de contrato por ambas as partes?
Eu não posso afirmar o que foi decisivo para a não-renovação. Quando um contrato se acaba dentro do tempo estabelecido entre as partes, não há necessidade de justificativa. Mas eu sinto que houve pressões. Primeiro porque eu mantenho um canal no YouTube onde emitia minha opinião, e algumas vezes critiquei o governo Bolsonaro, que parece ter uma ingerência muito grande nas redações. Depois, tive a cabeça pedida pelo senhor Luciano Hang, aliado do governo e um dos principais patrocinadores no SBT. Quando percebi que a emissora não saiu em minha defesa, ficou claro que a corda arrebentaria do lado mais frágil, como de fato aconteceu.

Qual o melhor e qual o pior momento que você levará da experiência no "SBT Brasil"?
Os melhores momentos são aqueles vividos fora do ar. Minha parceria com o Joseval Peixoto foi uma das coisas mais maravilhosas que me aconteceram na emissora. As brincadeiras nos bastidores com os amigos e colegas, as conversas nos corredores, o cafezinho do meio da tarde na praça da alimentação... Tenho muita coisa boa pra lembrar. Sem falar nas participações em programas da casa, quando eu me divertia muito. E as opiniões, claro! Essa foi a melhor fase do "SBT Brasil" para mim. Prefiro guardar só o que ficou de bom.

Ficou magoada por não poder se despedir no ar e ser avisada por e-mail?
Fiquei surpresa com a atitude da empresa.

Dez anos de casa e não poder me despedir do meu público por um minuto? Não faz sentido.

Qual o maior desafio para um âncora de telejornal atualmente?
O maior desafio de um âncora é ser ele mesmo. É não se deixar pasteurizar ou virar uma mera caricatura. É preciso ter bagagem, ter personalidade e sensibilidade. É preciso ser verdadeiro nesse mundo de aparências e frivolidades. Precisamos fazer a diferença.

Ficou apreensiva por trabalhar sabendo que seu contrato não seria renovado?
Nenhum contrato é para sempre. Nunca gostei dessa ideia de ter um canto só, trabalhar num mesmo lugar ate me aposentar. Isso nunca me passou pela cabeça. Mas estava há muito tempo subutilizada. Eu sei e posso fazer muito mais do que fazia no SBT. Então, lá no fundo, eu esperava que a vida desse mais uma reviravolta. Estava na hora de um novo ciclo se iniciar. Todo fim traz uma dor. Todo começo, uma apreensão. Mas eu prefiro estar em movimento do que me contentar à zona de conforto, onde não há apreensão nem desafios.

Eu gosto de mudanças, evolução, superação. Então, não estou com medo. Estou feliz por estar livre para o novo.

Te veremos em breve no ar novamente? Pode adiantar algo sobre seu futuro?
Não posso adiantar muita coisa sobre o meu futuro. Mas, sei que não vou parar. Trabalho desde os 18 anos e ainda tenho muitos sonhos e projetos a realizar na minha profissão. Espero, em breve, trazer boas novas! Não sei se terei tempo para férias!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL