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Responsável por grandes entrevistas, Cabrini era selo de qualidade para SBT

Roberto Cabrini comandava o "Conexão Repórter" - Reprodução / Internet
Roberto Cabrini comandava o "Conexão Repórter" Imagem: Reprodução / Internet
Fefito

Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

21/09/2020 16h52

Resumo da notícia

  • Premiado, jornalista não se rendia às pressões por audiência e conseguia entrevistas exclusivas
  • Com o "Conexão Repórter", Cabrini chegou a motivar a criação de CPIs com suas reportagens investigativas
  • O repórter já negocia um retorno à Record; ele ficou no SBT por 11 anos

Embora tenha em sua história nomes como Boris Casoy, Carlos Nascimento e Rachel Sheherazade, o SBT não é exatamente conhecido por seu jornalismo. Desde a criação da emissora, o departamento já passou por instabilidades e ficou marcado por produções mais popularescas, caso do "Aqui Agora" e do "Primeiro Impacto". Com esse panorama, era de chamar atenção, portanto, a presença de Roberto Cabrini com um programa investigativo em sua grade de programação.

Desde sua estreia, o "Conexão Reporter" passou por mudanças de dia e horário e foi colocado nos finais de noite. Premiado, o programa virou uma espécie de grife no jornalismo do canal. Era Roberto Cabrini quem fazia grandes reportagens e conseguia, em primeira mão, entrevistas disputadas. Como exemplo recente, o apresentador foi recebido em casa por Flordelis, deputada acusada de mandar matar o marido pastor. Conversou com figuras como o goleiro Bruno, acusado de mandar matar Eliza Samudio, e também com chefes de facções criminosas.

Corajoso, o repórter investigou temas espinhosos como trabalho escravo, pedofilia dentro da igreja católica e agrotóxicos. Pela repercussão de suas matérias, Cabrini chegou a motivar a criação de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) em Brasília. Com um currículo como este, causa surpresa que a emissora abra mão de seu contrato, como adiantou o colunista Flávio Ricco. A coluna apurou que a Record já sinalizou interesse no seu passe.

Ao dispensar o apresentador às vésperas de fazer o mesmo com Sheherazade, o SBT volta a reformular seu jornalismo apostando no caminho mais fácil. A emissora abre mão de um dos selos de qualidade para o departamento, de alguém que não pensava em obter audiência de maneira fácil. Resta saber o que será do futuro e se figuras como Marcão do Povo seguirão com espaço garantido em telejornais.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL