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Arte Fora do Museu

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Christo está morto, sua obra não

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Andre Deak / Felipe Lavignatti Felipe Lavignatti

O projeto Arte Fora do Museu nasceu em 2011 com os pesquisadores e jornalistas Andre Deak e Felipe Lavignatti, como um levantamento de obras de arte nas ruas da cidade de São Paulo. Hoje em mais de 500 cidades do mundo, milhares de obras e centenas de artistas, é um guia de arte urbana que inclui arquitetura, escultura, graffiti e mural. Andre Deak e Felipe Lavignatti são também sócios na produtora Liquid Media Lab, com projetos de comunicação digital, arte e diversos trabalhos no campo da inovação.

Felipe Lavignatti

Colunista do UOL

15/09/2021 11h20

Resumo da notícia

  • Artista morreu em 2020, mas sua nova obra está sendo apresentada só agora
  • A mais recente obra embrulhada por ele é o Arco do Triunfo em Paris
  • Christo ficou famoso ao lado da sua companheira Jeanne-Claude

As obras de arte que encontramos pelas grandes cidades costumam ter um autor bem identificável. Esculturas monumentais costumam levar em seus pés o nome do autor da homenagem. Grandes empenas têm em algum canto o nome de quem as realizou. Somente o nome do artista. Porém, trabalhos de grandes proporções normalmente não se realizam por uma pessoa só. Equipes técnicas e assistentes artísticos são exigidos conforme a complexidade de cada realização. Essas fichas técnicas não caberiam em assinaturas e mesmo pintores de quadros menores recorrem a esse recurso. Em alguns trabalhos, o artista faz o desenho original e a obra é realizada por sua equipe. Um exemplo dessa metodologia pode ser vista agora em Paris com o trabalho de um artista que morreu no ano passado.

O projeto de Christo para o Arco do Triunfo - Andre Grossmann/Agence France-Presse/Getty Images - Andre Grossmann/Agence France-Presse/Getty Images
O projeto de Christo para o Arco do Triunfo
Imagem: Andre Grossmann/Agence France-Presse/Getty Images

Christo ficou conhecido por seus trabalhos em parceria com Jeanne-Claude. O casal de artistas realizava suas instalações ambientais em grande escala, muitas vezes grandes marcos e elementos paisagísticos embrulhado em tecido. Entre as obras embrulhadas pela dupla estão o prédio do parlamento alemão em Berlim, a ponte Neuf em Paris e agora o Arco do Triunfo na capital francesa.

Continuando sua série, o monumento em Paris está sendo embrulhado em 30 mil metros quadrados de tecido de polipropileno reciclável em azul prateado e 7 mil metros de corda vermelha. O projeto era para ter sido inaugurado em outubro do ano passado. Dois fatores atuaram para o adiamento: a pandemia é um deles e o outro foi para acomodar o ninho de falcões que ocupam o monumento durante a primavera europeia. A inauguração está prevista para o dia 18 e permanecerá até o dia 3 de outubro.

Christo tinha a ideia de embrulhar o ponto turístico francês desde 1961, quando vivia próximo ao local. O plano começou a se concretizar em 2018, quando ele queria expandir uma exposição no Centro Pompidou para as ruas. Todo o projeto foi desenhado, restava realizar. Agora a obra conseguiu sair dos esboços por meio da venda da documentação do projeto, incluindo desenhos e maquetes. O trabalho póstumo de Christo também é seu primeiro neste estilo desde a morte de Jeanne-Claude em 2009.

O artista não poderá ver sua mais recente obra. Não direi última, pois o escritório de Christo já se pronunciou que "Christo e Jeanne-Claude sempre deixaram claro que suas obras de arte continuariam após suas mortes". E para creditar corretamente, quem está realizando o Arco do Triunfo Embrulhado é o Centre des Monuments Nationaux em coordenação com a Prefeitura de Paris com o apoio do Centre Pompidou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL