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Arte Fora do Museu

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

A disputa da estátua de um imperialista contra uma universidade

A estátua de Cecil Rhodes na entrada da Universidade de Oxford - Adrian Dennis/AFP
A estátua de Cecil Rhodes na entrada da Universidade de Oxford Imagem: Adrian Dennis/AFP
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Andre Deak / Felipe Lavignatti Felipe Lavignatti

O projeto Arte Fora do Museu nasceu em 2011 com os pesquisadores e jornalistas Andre Deak e Felipe Lavignatti, como um levantamento de obras de arte nas ruas da cidade de São Paulo. Hoje em mais de 500 cidades do mundo, milhares de obras e centenas de artistas, é um guia de arte urbana que inclui arquitetura, escultura, graffiti e mural. Andre Deak e Felipe Lavignatti são também sócios na produtora Liquid Media Lab, com projetos de comunicação digital, arte e diversos trabalhos no campo da inovação.

Felipe Lavignatti

Colunista do UOL

28/06/2021 15h15

Resumo da notícia

  • Cecil Rhodes defendia a supremacia branca
  • Estudantes e alunos pedem a retirada da homenagem desde 2015
  • Oxford alega custo alto e logística para não remover a estátua

Há pouco mais de um ano, o movimento Black Lives Matter atraiu as atenções do mundo para a causa negra após o assassinato de George Floyd. Um dos pontos levantados foi a presença de homenagens a senhores de escravos por meio de estátuas no mundo todo. Um nome que se encaixa nesse perfil e que foi alvo de primeira hora foi a de Cecil Rhodes, um imperialista britânico cuja presença está eternizada em uma estátua na entrada da Universidade de Oxford.

O ponto de partida se deu na verdade em 2015, com o movimento Rhodes Must Fall (Rhodes Deve Cair, em tradução livre), iniciado na África do Sul, onde conseguiram a remoção de uma estátua de Rhodes que havia na Cidade do Cabo. No ano seguinte, os alunos e professores de Oxford se organizaram para fazer o mesmo com o Rhodes local, mas por enquanto a escultura vem vencendo a disputa.

A estátua na África do Sul antes de ser removida - Rodger Bosch/AFP - Rodger Bosch/AFP
A estátua na África do Sul antes de ser removida
Imagem: Rodger Bosch/AFP

Cecil Rhodes viveu na segunda metade do século 19 e defendia abertamente a supremacia branca. Ele teve participação central nas invasões britânicas ao continente africano e na implantação do apartheid. Seu legado foram décadas de uma colonização que resultou em mortes do povo negro. E, ainda assim, homenagens foram deixadas como traço da presença britânica por todo território do antigo império britânico.

O sucesso do Rhodes Must Fall deu esperanças para os estudantes de Oxford. Isso aliado à demolição da estátua do comerciante de escravos Edward Colston em Bristol no ano passado. Uma comissão foi criada para definir o destino da controversa homenagem e a maioria decidiu pela sua remoção. Porém, Rhodes segue firme no pórtico de entrada do Oriel College de Oxford.

A direção de Oriel acenou para a remoção da estátua no ano passado, mas esse ano mudou seu posicionamento. A justificativa oficial é que isso traria muitos custos e processos de planejamento complexos. A força de Rhodes na verdade pode ser resumida ao investimento que ele fez no local. Estudante de Oriel, Rhodes deixou cerca de 12,5 milhões de libras para a faculdade. Ainda hoje, restam cerca de 200 mil libras desse valor.

Enquanto esse símbolo cada vez mais odiado pelos alunos não cai, Oxford diz que vai focar na contextualização do relacionamento da faculdade com Rhodes, bem como na melhoria da igualdade educacional, diversidade e inclusão entre seu grupo de alunos e comunidade acadêmica. Mas Rhodes e tudo que ele representa seguirá em pé. Pela força que o movimento ganhou nos último anos, a vitória da estátua parece momentânea.

Para saber mais sobre a obra, visite Arte Fora do Museu.

Localização da controversa homenagem