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Andreza Delgado

A 'magia negra' de Beyoncé é trazer representatividade para mundo pop

Andreza Delgado

Andreza Delgado, baiana da terra do cacau, é uma das criadoras da Perifacon, a Comic Con da favela. Tem um canal no YouTube para resenhar séries, HQ's, filmes e livros e o game perifa, mas quando dá tempo tuíta pelos cotovelos.

Colunista do UOL

06/01/2021 15h07

O beyhive (como são chamados os fãs de Beyoncé) acordou em chamas. No Twitter, principalmente, usuários acusavam a TV Record de racismo, tudo por causa de uma matéria veiculada em um dos programas da emissora. O canal usou imagens de "Black Is King", filme conceitual de Beyoncé disponível no Disney+, para acusar a cantora norte-americana de realizar "cultos de magia negra".

Desde então, a tag #RecordRacista está em alta no Twitter.

Primeiramente, a expressão "magia negra" usada pejorativamente vem carregada de racismo religioso e estereótipos racistas. Em pleno 2021, acusar pessoas negras —no caso, uma das artistas mais bem sucedidas do mundo— de praticar "bruxaria" é escandaloso.

O racismo das acusações é tão grande que sugere que Queen B só alcançou o sucesso estrondoso que tem usando subterfúgios de origem "mágica". Isso automaticamente tira o mérito do talento da cantora, recordista em faturamento de turnês, vendagens, premiações. Beyoncé é uma das artistas mais premiadas da história da indústria musical, acumulando 70 indicações ao Grammy, se tornando a mulher mais indicada, levando 24 estatuetas para casa.

Beyoncé é uma das vozes mais relevantes de toda uma geração.

Na contramão do que se sugere na reportagem veiculada na Record, gostaria de frisar que a única magia que Beyoncé faz é de ser uma representação positiva para milhares de pessoas negras no mundo.

Além de todo seu trabalho artístico e de ser quem é ocupando os espaços que ocupa, Beyoncé desenvolve ações sociais importantes. Ela chegou a doar R$ 32 milhões para organizações de combate ao coronavírus.

Além disso, em dezembro, ela lançou um programa para ajudar pessoas que estão com aluguéis e hipotecas atrasados por causa da pandemia de covid-19.

Beyoncé e os dançarinos com estampa de Marine Serre em "Black is King" - Reprodução - Reprodução
Beyoncé e os dançarinos com estampa de Marine Serre em "Black is King"
Imagem: Reprodução

Mas se é para acusar a cantora de algo, que seja de levar representatividade e debates importantes para o cenário da música pop. O álbum "Lemonade", lançado em 2016, deu destaque a discussões importantes como violência policial e a auto-estima das pessoas negras.

"Black is King" também é um marco importante para cultura pop. É pura magia negra conseguir colocar em destaque pessoas negras em imagens completamente positivas, que rompem com uma história de miséria e violência, como sempre fomos representados.

Magia negra é romper com a violência.

E, como diz um dos meus poetas favoritos, Sergio Vaz...

Magia negra é o RAP, O Samba, o Blues, o Rock, Hip Hop de Africabambaataa. Magia negra é magia que não acaba mais. É isso e mais um monte de gente que é magia negra. O resto é feitiço racista.