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Andreza Delgado

Azealia Banks desenterrou não só seu gato, mas o racismo nas redes sociais

Azealia Banks (Foto: Divulgação)
Azealia Banks (Foto: Divulgação)
Reprodução / Internet
Andreza Delgado

Andreza Delgado, baiana da terra do cacau, é uma das criadoras da Perifacon, a Comic Con da favela. Tem um canal no YouTube para resenhar séries, HQ's, filmes e livros e o game perifa, mas quando dá tempo tuíta pelos cotovelos.

Colunista do UOL

12/01/2021 13h58

Azealia Banks amanheceu mais uma vez em alta no Twitter, e geralmente quando isso acontece é por conta de alguma polêmica. Dessa vez, a cantora desenterrou seu gato morto do quintal e fez uma espécie de escaldo para limpar os ossos do bichano (aliás, pratica comum para limpar ossos de boi).

Na legenda do post, que foi apagado, a cantora tinha escrito:

Lucifer 2009-2020. Meu querido gato. Obrigado por tudo. Uma lenda. Um ícone.

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O problema maior é o fator "bizarrice" logo associado ao ato de Azealia, que não tem lá uma boa fama. Muitos apontaram a "doideira" da cantora, ignorando que guardar os restos mortais de um bichinho, em alguns lugares do mundo, é uma tradição.

Vai dizer que você nunca viu animais empalhados em séries e filmes?

Brotaram colocações carregadas de preconceito, e insinuações de que ela estaria fazendo uma sopa com o animal morto há mais de três meses —só que Azealia é vegana. Isso veio das mesmas pessoas que amam comer peru no Natal, um dos maiores sacrifícios animais religiosos que se tem notícia.

Bizarro mesmo é a velocidade com que uma notícia carregada de mentiras e racismo religioso toma as redes sociais. Outra conclusão é que as pessoas ainda não aprenderam a se distanciar do olhar ocidental sobre a religião do outro, principalmente quando o outro é negro.

A cantora já falou sobre seu envolvimento com religiões de matriz africanas, como Santería, fundada por escravos cubanos.

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Infelizmente, adoramos condenar a prática religiosa não-cristã do outro.

Palavras como "doente" e "doida" foram usadas para descrever uma pessoa que decidiu compartilhar um ritual de passagem com seus fãs. Pesado, né?

Chega a ser revoltante que em 2021 as pessoas ainda não saibam lidar com práticas religiosas que encaram a morte de diferentes formas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.