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Kanye West perde parceiros na moda por ataques contra judeus; veja quais

A Adidas, companhia com a qual Kanye West lançou uma lucrativa parceria através das coleções Yeezy, rompeu laços com o rapper após suas mensagens que incitam violência contra a comunidade judaica - Reprodução/Adidas
A Adidas, companhia com a qual Kanye West lançou uma lucrativa parceria através das coleções Yeezy, rompeu laços com o rapper após suas mensagens que incitam violência contra a comunidade judaica Imagem: Reprodução/Adidas

De Nossa

25/10/2022 13h14

Kanye West viu seus principais parceiros no mundo da moda cortarem relações publicamente com ele após uma série de comentários antissemitas feitos pelo designer na última semana em diversas ocasiões.

Na manhã desta terça (25), a Adidas encerrou seu laço com West "imediatamente" em comunicado à imprensa americana. A empresa possuía uma longa e lucrativa colaboração com a Yeezy, marca do músico que rendeu coleções de mesmo nome para a marca esportiva alemã desde 2013.

O rompimento aconteceu depois que Ye — como prefere ser chamado — usou palavras de ordem em posts já apagados nas redes sociais para incitar violência contra a comunidade judaica, posições que reforçou em programas de tevê, como o do apresentador Chris Cuomo.

O também rapper já havia, na Semana de Moda de Paris, aparecido durante o desfile da Yeezy com uma camiseta com a frase "White Lives Matter" (Vidas Brancas Importam, em tradução livre), mensagem utilizada por organizações supremacistas brancas como a Ku Klux Klan nos EUA em oposição ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), que pede o fim da brutalidade policial contra cidadãos negros.

Kanye West no desfile da Yeezy com camiseta "White Lives Matter" -- "Vidas Brancas Importam", em tradução livre - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Imagem: Reprodução/Twitter

Desde então, sua relação com a Adidas estava "sob avaliação", segundo a empresa. A companhia não está sozinha na decisão. Veja outros importantes grifes e profissionais da moda que se afastaram de Ye após os episódios de racismo:

Balenciaga

A marca para qual Kanye era "queridinho" — a ponto de colaborar com seu designer Demna Gvasalia em looks para a ex, Kim Kardashian, e também de abrir o desfile da grife na última Semana de Moda de Paris — também boicotou o músico.

Kanye West desfila para a Balenciaga em meio à lama - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Kanye West desfila para a Balenciaga em meio à lama
Imagem: Reprodução/Instagram

A Kerring, empresa que gerencia a casa espanhola, informou ao site especializado em moda, WWD, que "não tem mais nenhuma relação ou nenhum plano de futuros projetos relacionados a esse artista". A Balenciaga também deletou imagens de West de seu acervo de fotos e vídeos do último desfile, reportou o The New York Times.

Vogue

Um porta-voz da "bíblia da moda" americana informou ao Page Six na sexta (21) que a revista e sua editora-chefe e chefe de conteúdo global para a marca, Anna Wintour, não pretendem mais trabalhar com o rapper novamente depois do seu apoio ao White Lives Matter.

Anna Wintour possuía uma relação de mais de uma década com Ye. No último mês, ela serviu de modelo para a nova coleção de óculos de sol da Yeezy e teria mandado em 4 de outubro, ainda segundo o Page Six, o diretor Baz Luhrmann filmar a reconciliação entre uma das editoras da Vogue, Gabriella Karefa-Johnson, e o rapper depois que ele caçoou do estilo da profissional — por ela ter criticado sua defesa do White Lives Matter.

Já a plataforma Vogue Runway, que documenta desfiles de moda, removeu imagens do rapper, ainda segundo o Times.

Adidas

Em seu comunicado, a Adidas afirmou que "não tolera antissemitismo ou qualquer outro tipo de discurso de ódio" e classificou que os comentários de Kanye foram "inaceitáveis, odiosos e perigosos", violando "os valores de diversidade, inclusão, respeito mútuo e justiça" da empresa.

A ex-cunhada Kendall Jenner vestindo Slides Adidas Yeezy  - Getty Images - Getty Images
A ex-cunhada Kendall Jenner vestindo Slides Adidas Yeezy
Imagem: Getty Images

Tanto a produção quanto a venda de produtos Yeezy foram paralisados imediatamente, assim como pagamentos a Ye e suas empresas afiliadas. A Adidas estima que a decisão vá custar uma perda de 250 milhões de euros ou mais de R$ 1,3 bilhão no trimestre final de 2022.

A Adidas ressaltou que é "a única proprietária de todos os direitos de design dos produtos existentes da associação", antecipando uma possível batalha judicial.

Skims

A marca de shapewear de Kim Kardashian, ex-mulher de West, tem o designer como seu acionista.

Apesar de ele ter influenciado a estética da empresa, como a própria fundadora já citou em ocasiões passadas, um porta-voz da Skims informou ao The New York Times que Kanye que ele é, sim, "um acionista minoritário" e que "não possui nenhum papel ativo" na companhia.

Kim, por sua vez, se posicionou a respeito da crise no Twitter nesta segunda (24), mas não citou o nome do ex-marido. "Discurso de ódio nunca é 'ok' ou desculpável. Eu me posiciono ao lado da comunidade judaica e clamo para que a terrível violência e retórica odiosa em relação a ela chegue a um fim imediato", escreveu.

A crise se estende

A parceria entre a Yeezy e a GAP, que deveria durar 10 anos, foi dada como finalizada por West em setembro após dois anos. Segundo os advogados do designer informaram ao Times, a GAP teria violado os termos do contrato, embora quais termos seriam estes não tenham sido especificados.

Segundo documentos obtidos pelo jornal, o time legal do rapper alegou que a empresa não estaria promovendo os produtos da linha Yeezy em suas lojas de maneira satisfatória, nem teria aberto as lojas específicas para este fim.

Moletom Dove | GAP x Yeezy x Balenciaga - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Moletom Dove | GAP x Yeezy x Balenciaga
Imagem: Reprodução/Instagram

A GAP, por sua vez, teria afirmado que decidiu encerrar paulatinamente a parceria e não detalhou qual foram as razões para as discordâncias com Kanye West.

O banco JPMorgan Chase, que gerenciava as finanças da Yeezy, teria decidido encerrar a conta da empresa logo após o episódio, segundo a comentarista política Candace Owens, que participou do ato White Lives Matter no desfile da marca usando uma camiseta semelhante à do rapper.

Kanye West com o Yeezy Scuba: rapper tem perdido afiliações com sua carreira musical e com a Yeezy - Getty Images - Getty Images
Kanye West com o Yeezy Scuba: rapper tem perdido afiliações com sua carreira musical e com a Yeezy
Imagem: Getty Images

Após as afirmações antissemitas do músico nos últimos dias, ele ainda foi severamente isolado por outras empresas às quais estava ligado. A empresa que agenciava o cantor, CAA, encerrou seu contrato, assim como o estúdio MRC, que tinha um documentário pronto prestes a ser lançado sobre Kanye West. O material não será divulgado.

O selo Def Jam, subsidiária da gravadora Universal Music Group, garantiu ao Times que não tem mais ligação alguma com a G.O.O.D. Music, empresa de Kanye. Segundo a Forbes, o fundador da agência de talentos UTA, Jeremy Zimmer, pediu a funcionários que apoiem o boicote a Ye. Já o presidente Ari Emanuel de outra concorrente, a agência Endeavor, clamou que empresas que lucram com o trabalho de West, como Spotify e Apple, deveriam boicotá-lo também.