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Com memes e looks de famosos, viralizar é a maior tendência da moda atual

Balenciaga, Jacquemus, Gucci, Bottega Veneta e Crocs são algumas das marcas que estão fazendo o melhor uso possível das redes sociais para engajar produtos e, sobretudo, clientes - Getty Images
Balenciaga, Jacquemus, Gucci, Bottega Veneta e Crocs são algumas das marcas que estão fazendo o melhor uso possível das redes sociais para engajar produtos e, sobretudo, clientes Imagem: Getty Images

Gustavo Frank

De Nossa

03/12/2021 04h00

Há alguns anos eram as revistas que ditavam moda. Hoje, porém, são as redes sociais as maiores articuladoras para que as marcas e suas roupas se tornem itens de desejo entre as pessoas — ou melhor, os usuários — e quão dispostos eles estão a engajar tais produtos, seja por meio de memes ou contribuindo com a soma de milhões de likes e visualizações.

A começar pelo grandioso ano da Balenciaga. De volta à alta-costura neste ano e com a presença de vários famosos vestindo as criações do diretor criativo Demna Gvsalia, a grife espanhola se destacou no mais recente relatório da Lyst Index como a marca "mais quente do momento". E uma das grandes alavancas para isso foi o diálogo da label com as redes sociais.

Entre as celebridades que incorporaram a identidade da etiqueta estava Kim Kardashian, por exemplo. Junto a Rihanna, durante o Met Gala 2021, as duas foram os maiores destaques da grife durante o baile no Metropolitan Museum of Art.

Enquanto a cantora de Barbados parecia estar vestida com um cobertor, a influenciadora foi ainda além e cobriu todo o rosto e o corpo para o desfile no tapete vermelho.

Rihanna | Met Gala 2021 - Getty Images - Getty Images
Rihanna | Met Gala 2021
Imagem: Getty Images
Kim Kardashian | Met Gala 2021 - Mike Coppola/Getty Images - Mike Coppola/Getty Images
Kim Kardashian | Met Gala 2021
Imagem: Mike Coppola/Getty Images

Ambas viraram rapidamente memes e conteúdos virais no Twitter. Desde publicações comparando Kardashian às figuras monstruosas de Harry Potter até as críticas sociais elaboradas pelos usuários, sobre como o look de Rihanna representava o problema de imigração nos Estados Unidos.

O sucesso virtual repercutiu em termos econômicos. As compras da Balenciaga cresceram em 505% — mesmo os que não podem bancar uma peça de alta-costura, tal qual as vestidas pelas duas celebridades, investiram o que puderam em roupas da grife no geral.

"Em setembro, a casa atingiu esse patamar de supervisibilidade com a 'visibilidade invisível de Kim'", opina o professor da FAAP e historiador e membro da Academia Brasileira de Moda João Braga para Nossa.

Todas essas casas sofisticadas de luxo estão se adaptando aos tempos e dialogando com a nova realidade. Senão não sobrevive".
João Braga

No entanto, essa não foi o único momento de engajamento da Balenciaga. Podemos listar o moletom "destroyed", com o tecido rasgado e à venda por R$ 19 mil, os Crocs de salto alto; o sapato comparado a uma caixa de batatas fritas do McDonalds; entre inúmeros outros.

Por mais que não sejam necessariamente sucesso de vendas, o nome da casa de moda vai parar na boca de todo mundo. O chamado statement.

Para as novas gerações

A partir disso, entramos em outro ponto tão importante quanto: usar as redes sociais como uma forma de conquistar um público mais jovem e imerso nas telas de celular. Ou seja, seus futuros compradores: "É preciso dialogar com o jovem. Mesmo que ele não tenha condição de comprar os artigos luxuosos, eles ainda podem adquirir outros itens que vão dar retorno financeiro para a casa de moda".

A estratégia não é nova. Eles vão convencer essa pessoa e, posteriormente, quando ela estiver no mercado de trabalho, vai continuar fiel à casa".

Quando o historiador de moda diz que "a estratégia não é nova", a referência por trás dessa ideia de reformulação é a Dior, no final dos anos 1990. O diretor criativo permaneceu na label por 15 anos e trouxe ainda maior reconhecimento à etiqueta ao transformar seus desfiles em verdadeiros espetáculos.

"Quando a LVMH [empresa proprietária da grife] anunciou Galiano, ela trouxe um público novo para a Dior", relembra João Braga. "Por que a marca estava sendo muito comprada pelos avós, e eles queriam que as netas vissem. Para isso, chamaram alguém para rejuvenescer e repaginar. Em consequência disso, a Dior é uma das empresas mais traz resultados financeiros da LVMH".

John Galliano deixou a Dior em 2011, depois de que um vídeo, em que ele aparecia bêbado gritando insultos de ódio a judeus a uma mulher num bar em Paris, "viralizou". O tal engajamento aparece aqui como uma via de mão dupla.

A exportação de memes
Das microbolsas ao Agostinho "Gucci" Carrara

Bolsa Le Chiquito, da grife francesa Jacquemus, foi de meme á tendência na moda - Divulgação - Divulgação
Bolsa Le Chiquito, da grife francesa Jacquemus, foi de meme á tendência na moda
Imagem: Divulgação

A Balenciaga, apesar de se destacar, não é a única. A francesa Jacquemus, por exemplo, fez da bolsa Le Chiquito um dos ícones da grife.

Inicialmente, o acessório, apresentado em 2019, deu o que falar nas redes sociais por ter um tamanho minúsculo. O espaço de armazenamento acabou virando piada — ou meme, ao mesmo tempo em que citavam o nome da label comandada por Simon Porte Jacquemus.

Não demorou muito para que a bolsa, que ganhou tamanhos maiores posteriormente, começasse a aparecer nos looks de fashionistas e famosas. Ou seja, virou sinônimo de tendência carregar uma Le Chiquito nos ombros, graças às redes sociais.

"Como todo mundo anda nessa onda, dos memes e da comunicação digital, as marcas de moda estão dialogando com o ar dos tempos", complementa o historiador de moda João Braga.

Crocs feito em colaboração com a Balenciaga - Getty Images - Getty Images
Crocs feito em colaboração com a Balenciaga
Imagem: Getty Images

Já intitulada como "uma das piores invenções do mundo", as sandálias Crocs, como outro exemplo, foram de piada na internet a um dos maiores sucessos da pandemia — quando o conforto predominou com favoritismo entre os consumidores, driblando inclusive uma falência.

"Você nos ama ou nos odeia — e tudo bem, porque isso significa que você está prestando atenção em nós", disse a presidente da Crocs.

A Gucci, por sua vez, antes mesmo de ter Lady Gaga no papel de Patrizia Reggiani em "Casa Gucci", longa-metragem que retrata o assassinato do herdeiro da grife, já dava o que falar aqui no Brasil no começo deste ano. Os memes comparando o figurino da série "A Grande Família" às roupas produzidas pela etiqueta italiana estouraram.

Em entrevista para Nossa, Cao Albuquerque, responsável pela caracterização dos personagens como o icônico Agostinho Carrara, comentou as brincadeiras: "Me sinto honrado por ser uma referência. Seja para o bem ou mal. Um artista tem a obrigação de gerar polêmica e discussão, não de gerar moda ou estilo".

Para o historiador João Braga, no Brasil, essa é uma das estratégias mais inteligentes a serem seguidas: "Brasileiro é o 'bam bam bam' dos memes. É uma comunicação rápida e impactante, que convence o olhar do espectador".

O que que aconteceu é que os memes têm sido uma forma de comunicação muito rápida e bem-humorada. E moda também é uma forma de comunicação. É uma coisa que condiz com o ar dos tempos, a própria moda também condiz com o ar dos tempos".
João Braga

E caso você queira estar incluso na mais recente tendência, a bolsa "toalha de banho embrulhada" da Bottega Veneta deve estar no seu radar.