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Arte, história e religiosidade: 10 igrejas imperdíveis de Minas Gerais

Igreja Matriz de Santo Antônio, em Grão Mogol - Divulgação/Iepha MG
Igreja Matriz de Santo Antônio, em Grão Mogol Imagem: Divulgação/Iepha MG

Marcel Vincenti

Colaboração com Nossa

11/04/2021 04h00

Minas Gerais é sinônimo de lindas igrejas. Neste estado do Sudeste do Brasil, há uma enorme diversidade de templos cristãos que se destacam por sua beleza arquitetônica, importância histórica e relevância artística.

Mas quais destas edificações poderiam entrar no top 10 das igrejas mais importantes do território mineiro?

Para responder esta questão, Nossa conversou com Michele Arroyo, presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), que indicou as igrejas que, para ela, estão entre as mais relevantes de seu estado.

E as escolhas de Michele não se limitaram às famosas construções religiosas de cidades turísticas como Ouro Preto.

Quis indicar algumas igrejas óbvias e outras que não são tão conhecidas. A ideia é estimular o conhecimento de um patrimônio muito diverso que há em Minas", diz ela.

Igreja de São Francisco de Assis - Izabel Chumbinho/Iepha MG - Izabel Chumbinho/Iepha MG
Igreja de São Francisco de Assis
Imagem: Izabel Chumbinho/Iepha MG

Igreja de São Francisco de Assis,
em Ouro Preto

Segundo a estudiosa, esta igreja é a primeira manifestação do Aleijadinho em uma edificação como um todo e quando o reconhecem não apenas como um artista que ornamentava os altares e frontões das igrejas, mas também como alguém que poderia atuar como arquiteto.

Esta arquitetura barroca vai, inclusive, inspirar Oscar Niemeyer na projeção da Igreja de São Francisco de Assis no Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte.

"A Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto é belíssima e tem um conjunto arquitetônico e artístico que marca a importância do barroco mineiro como uma cultura genuína do Brasil. Ninguém pode passar por Ouro Preto sem conhecê-la", recomenda Michele.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário,
no distrito de Brejo do Amparo, parte do município de Januária

Igreja de Nossa Senhora do Rosário - Divulgação/Iepha MG - Divulgação/Iepha MG
Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Imagem: Divulgação/Iepha MG

Ela é, provavelmente, uma das igrejas mais antigas de Minas Gerais — segundo o Iepha, o templo "tem uma inscrição de 1688, presumivelmente ligada à construção de uma primeira capela".

É uma obra que sofreu influência da arquitetura do interior baiano, pois, na região, está o rio São Francisco, que liga Minas à Bahia. Não tem a monumentalidade das igrejas de Ouro Preto, e conta com uma espécie de varanda em sua lateral.

A igreja ficou fechada por mais de 20 anos por causa de um problema estrutural, mas foi restaurada recentemente.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário - Divulgação/Iepha MG - Divulgação/Iepha MG
Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Imagem: Divulgação/Iepha MG

"Durante a restauração, a gente descobriu, através da limpeza de suas pinturas, que a devoção original da igreja era para Nossa Senhora do Amparo. Conversamos com a comunidade local e resolvemos manter a decoração relacionada à Nossa Senhora do Amparo junto com as referências à Nossa Senhora do Rosário", conta Michele.

Capela de Nossa Senhora das Mercês,
no povoado de Bento Rodrigues, parte do município de Mariana

É uma das capelas tradicionais do interior de Minas Gerais e que recebeu um tombamento pelo Iepha em 2018.

Capela de Nossa Senhora das Mercês - Divulgação/Iepha MG - Divulgação/Iepha MG
Capela de Nossa Senhora das Mercês
Imagem: Divulgação/Iepha MG

Ela está na região onde ocorreu o rompimento da barragem da Samarco, em 2015, e seu tombamento teve um valor simbólico, não apenas por causa de sua importância arquitetônica, mas porque representa a resistência e a resiliência daquela população, que perdeu tudo.

Não há data precisa de sua construção — provavelmente ocorrida entre 1750 e 1820 —, mas ela tem todas as características barrocas desta arquitetura bastante tradicional do interior de Minas Gerais, das capelas construídas no entorno de grandes cidades que cresceram com a mineração.

Michele conta que a igreja vai passar por um processo de restauração e que ainda não está aberta a visitas.

Capela de Nossa Senhora do Rosário,
no município de Chapada do Norte

Capela de Nossa Senhora do Rosário - Izabel Chumbinho/Iepha MG - Izabel Chumbinho/Iepha MG
Capela de Nossa Senhora do Rosário
Imagem: Izabel Chumbinho/Iepha MG

Esta é uma capela muito especial na região do Jequitinhonha e remete ao século 18. Apesar de sua simplicidade, abriga uma das festas religiosas mais importantes de Minas Gerais: a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, que recebe milhares de pessoas e é regada por muita devoção e muita comida tradicional.

"A capela também mostra que o patrimônio cultural de Minas não está representado apenas em sua materialidade, ou seja, em suas igrejas, arquitetura e elementos artísticos, mas também nas tradições mantidas vivas pelas comunidades", opina Michele.

Igreja Matriz de Santo Antônio,
no município de Grão Mogol

Igreja Matriz de Santo Antônio, em Grão Mogol - Divulgação/Iepha MG - Divulgação/Iepha MG
Igreja Matriz de Santo Antônio
Imagem: Divulgação/Iepha MG

No norte de Minas Gerais, o núcleo histórico de Grão Mogol é um lugar protegido pelo Iepha e que conta a história do ciclo de mineração das pedras preciosas, mais especificamente o diamante. A igreja é toda construída em pedra, um material que também era o sistema construtivo das residências da área.

A obra mostra como temos sistemas construtivos diferentes em Minas Gerais, em função dos materiais que as pessoas encontravam na natureza ao seu redor.

Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres,
no distrito de Milho Verde, parte do município de Serro

Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres - Divulgação/Secretaria de Turismo de Serro - Divulgação/Secretaria de Turismo de Serro
Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres
Imagem: Divulgação/Secretaria de Turismo de Serro

Esta igreja representa as pequenas vilas localizadas no entorno de núcleos urbanos maiores de Minas Gerais, como Serro e Diamantina.

Milho Verde é um destino conhecido por suas belezas naturais e por seu núcleo arquitetônico onde se destaca esta igreja, que é um exemplar do barroco mineiro preservado em sua integridade, tanto em sua estrutura física como nos elementos artísticos que compõem seu interior, como os afrescos.

"E lá nasceu a famosa Chica da Silva. Ela provavelmente foi batizada nesta igreja", recorda a profissional.

Igreja de São Francisco de Assis (Igreja da Pampulha),
em Belo Horizonte

Igreja de São Francisco de Assis (Igreja da Pampulha), em Belo Horizonte - Getty Images - Getty Images
Igreja de São Francisco de Assis (Igreja da Pampulha), em Belo Horizonte
Imagem: Getty Images

Faz parte do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, que é seminal para o desenvolvimento de uma arquitetura moderna na América Latina e Patrimônio Mundial pela Unesco.

Em seu projeto, Oscar Niemeyer buscou um diálogo com os modernistas de 1922, um movimento que queria dar valor à cultura genuína do Brasil.

Michele aponta que a igreja traz características das capelas de Minas Gerais, com muitos elementos do barroco mineiro, mas transformando isso em arquitetura moderna.

Igreja do Espírito Santo do Cerrado,
no município de Uberlândia

Igreja do Espírito Santo do Cerrado - Divulgação/Iepha MG - Divulgação/Iepha MG
Igreja do Espírito Santo do Cerrado
Imagem: Divulgação/Iepha MG

"Esta igreja foi escolhida para entrar na lista por ter seu projeto assinado pela Lina Bo Bardi, referência na arquitetura moderna brasileira", entrega Michele.

Ela projetou esta igreja de Uberlândia em 1975 e mostra a evolução da nossa arquitetura moderna. A obra chama a atenção por seus traços simples, mas por ser, ao mesmo tempo, plasticamente belíssima. E muita gente não sabe que, em Minas Gerais, a gente tem uma igreja projetada pela Lina Bo Bardi.

Capela do Sagrado Coração de Jesus,
no povoado de Biribiri, parte do município de Diamantina

Capela do Sagrado Coração de Jesus - Leandro Cardoso/Iepha MG - Leandro Cardoso/Iepha MG
Capela do Sagrado Coração de Jesus
Imagem: Leandro Cardoso/Iepha MG

Poderiam ser escolhidas várias outras igrejas de Diamantina, porque o patrimônio arquitetônico e religioso da cidade fala de um lugar do barroco mineiro que é extremamente importante. Mas esta capela revela uma outra história de Diamantina.

Biribiri abrigava uma fábrica de tecidos, do final do século 19. Junto a ela, foi construída uma vila para a residência dos operários e operárias da empresa. E, na vila, há esta capela. A fábrica foi fechada em meados do século 20 e este conjunto arquitetônico ficou perdido durante muito tempo, virando uma espécie de cidade fantasma.

Mas, aos poucos, a comunidade local foi recuperando este patrimônio. A capelinha foi toda restaurada e, atualmente, Biribiri é um lugar rodeado por uma paisagem natural.

Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida,
no distrito de Córregos, no município de Conceição do Mato Dentro

Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida - Divulgação/Iepha MG - Divulgação/Iepha MG
Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida
Imagem: Divulgação/Iepha MG

Esta igreja é do século 18, abriga um órgão e tem uma centralidade muito grande neste núcleo histórico. Ela é rodeada por um gramado verdinho e por um muro de pedras.

E, além da sua imponência dentro de Córregos, a igreja tem elementos artísticos muito importantes", diz a especialista.

A Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida começará a ser restaurada no segundo semestre deste ano.