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EUA liberam entrada de brasileiros vacinados a partir de 8 de novembro; entenda regras

A partir de 8 de novembro, viajantes internacionais com destino aos EUA terão que apresentar no check-in prova de vacinação completa emitida por fonte oficial - Getty Images
A partir de 8 de novembro, viajantes internacionais com destino aos EUA terão que apresentar no check-in prova de vacinação completa emitida por fonte oficial Imagem: Getty Images

Mariana Sanches - @mariana_sanches

Da BBC News Brasil, em Washington

15/10/2021 14h52

Todas as vacinas aprovadas pela OMS, como Coronavac e AstraZeneca, serão aceitas pelos americanos.

O governo americano anunciou nesta sexta-feira (15/10) que brasileiros vacinados contra a covid-19 poderão entrar nos Estados Unidos sem restrições a partir de 8 de novembro.

O anúncio representa o fim da obrigatoriedade de quarentena em um terceiro país para viajantes originários do Brasil, que vigorou por mais de um ano e meio e foi oficialmente instaurada para reduzir o espalhamento do vírus em território americano.

Atualmente, o Brasil já tem maior percentual de população vacinada com ao menos uma dose do que os EUA e um menor número de casos diários.

Entre os brasileiros, 72% já tomaram ao menos uma dose de vacina, contra 65% dos americanos. Entre a população totalmente vacinada, quase metade dos brasileiros e 58% dos americanos estão nessa condição.

A diferença é que no Brasil houve atraso no início da vacinação que, agora, segue em ritmo acelerado com uma oferta estável de doses.

Já os os EUA enfrentam há meses hesitação e desconfiança de parcela dos habitantes em relação aos imunizantes e têm tido que recorrer a exigências públicas ou ameaças de perda de emprego para levar as pessoas aos postos.

Por isso, a expectativa é que o Brasil ultrapasse definitivamente os EUA nos índices em algumas semanas.

Em relação aos casos, o Brasil tem registrado média móvel no patamar 11 mil novas infecções diárias por covid-19, enquanto os EUA registram quase 8 vezes mais casos, na casa de 86 mil novos pacientes por dia.

O que é preciso para viajar aos EUA a partir de 8 de novembro

A partir de 8 de novembro, viajantes internacionais com destino aos EUA terão que apresentar no check-in prova de vacinação completa emitida por fonte oficial.

São considerados completamente vacinados pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças, o CDC na sigla em inglês, todas aquelas pessoas que tenham tomado há mais de 15 dias a segunda dose ou a dose única da vacina contra covid-19.

Isso significa que não serão admitidos em voos para o território americano passageiros que tenham tomado apenas uma dose do imunizante ou aqueles que tenham tomado a segunda dose há menos de 15 dias.

E embora os EUA, assim como o Brasil, recomendem doses de reforço para alguns grupos populacionais, o CDC continua a considerar como completamente vacinados todos aqueles que tenham completado o primeiro esquema de doses da vacina, sem a necessidade de provar que tomou reforço.

O anúncio representa o fim da obrigatoriedade de quarentena em um terceiro país para viajantes originários do Brasil, que vigorou por mais de um ano e meio - Getty Images - Getty Images
O anúncio representa o fim da obrigatoriedade de quarentena em um terceiro país para viajantes originários do Brasil, que vigorou por mais de um ano e meio
Imagem: Getty Images

Para cruzar a fronteira terrestre americana com o México ou o Canadá, viajantes por motivos não essenciais, como turismo, também terão que apresentar comprovante de vacinação aos agentes de imigração, ou serão retornados ao país de origem. O mesmo valerá para viajantes por razões essenciais, como funcionários de linhas férreas, a partir de janeiro.

Quais vacinas serão aceitas?

Embora ainda não tenha liberado a íntegra das regras para a viagem, a Casa Branca anunciou nesta sexta que serão consideradas vacinadas as pessoas que tenham recebido as duas doses (ou dose única, no caso da Johnson) das vacinas listadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como aprovadas para uso emergencial.

Isso significa que tanto a Coronavac quanto a AstraZeneca-Oxford, que não receberam o ok da agência reguladora americana, o FDA, mas que constam da lista de aprovados da OMS e são largamente usadas no Brasil, servirão como prova de imunização para viajantes.

Todas as vacinas aprovadas pela OMS, como Coronavac e AstraZeneca, serão aceitas pelos americanos - Getty Images - Getty Images
Todas as vacinas aprovadas pela OMS, como Coronavac e AstraZeneca, serão aceitas pelos americanos
Imagem: Getty Images

Outros imunizantes como a russa Sputnik, no entanto, não estão entre os chancelados pela OMS e a princípio pessoas que receberam essa vacina não serão admitidas no país.

Só a carteirinha de vacinação não basta

Só a carteirinha de vacinação contra a covid-19 completa não servirá, no entanto, para garantir o embarque aos EUA. O viajante também terá que apresentar, no momento do check-in, o resultado negativo de um teste PCR feito no máximo três dias antes da viagem.

Sem o teste, que mostra que a pessoa não está contaminada pelo novo coronavírus, ou com um resultado positivo para covid-19, mesmo pessoas completamente vacinadas com imunizantes aceitos serão barrados no embarque.

O viajante também terá que apresentar, no momento do check-in, o resultado negativo de um teste PCR - Getty Images - Getty Images
O viajante também terá que apresentar, no momento do check-in, o resultado negativo de um teste PCR
Imagem: Getty Images

As companhias aéreas ainda deverão coletar informações dos passageiros para permitir rastreamento de contatos caso haja alguma infecção confirmada no voo após o desembarque.

Além disso, claro, continua valendo no caso dos brasileiros a necessidade de visto específico à finalidade da viagem para embarcar regularmente para os EUA.

Nem todos os detalhes e possíveis exceções à regra de vacinação foram publicados pela Casa Branca ainda. Mas as autoridades americanas já deixaram claro que serão muito raras as possibilidades de que qualquer viajante entre nos EUA sem ter tomado vacina contra a covid-19 - e que exigirão prova de que a excepcionalidade se aplica.

No fim de setembro, quando o coordenador de resposta ao coronavírus da Casa Branca, Jeff Zients, afirmou pela primeira vez que os americanos abririam novamente suas fronteiras para países como o Brasil, a China, a Índia e a Grã Bretanha, ele deixou clara a abordagem da administração de Joe Biden sobre o assunto: "As vacinas são a melhor linha de defesa, a melhor ferramenta que temos em nosso arsenal para manter as pessoas seguras".