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Tandara diz que Tifanny "segura braço" e discorda de presença na Superliga

Tandara Volei Nestle jogo Joao Pires Fotojump -
Tandara Volei Nestle jogo Joao Pires Fotojump

Carolina Canossa e Felipe Pereira

Do UOL, em Osasco

02/02/2018 23h09

Em um dos duelos individuais mais aguardados da Superliga, houve empate: com 31 pontos cada, tanto Tandara quanto Tifanny se destacaram na partida entre Vôlei Nestle e Vôlei Bauru na noite desta sexta-feira (2) em Osasco. A oposta do time da Grande São Paulo, porém, teve um motivo a mais para sorrir, já que saiu de quadra com a vitoria e ainda foi decisiva no tie-break, onde conseguiu uma sequência de saque na parcial.

Ao término da partida, os questionamentos sobre a presença da atacante transexual na Superliga foram inevitáveis e Tandara finalmente decidiu se posicionar sobre a polêmica.

“Estudei, tirei dúvidas, falei com especialistas, nosso fisiologista, preparador físico e fisioterapeuta. Respeito muito a história dela, para a sociedade é importante. Hoje, eu não concordo com a participação da Tifanny na Superliga feminina. Durante muito tempo, a puberdade inteira, ela se desenvolveu como sexo masculino. Não é o fato de tirar espaço de quem está chegando, é muito delicado isso. Não é homofobia o que estou falando. É fisiologia. Querendo ou não, ela tem vantagem”, comentou a atleta.

Neide Carlos/Volei Bauru
Imagem: Neide Carlos/Volei Bauru

Para a jogadora, o fato de a oposta do Bauru ter se desenvolvido como homem a impede de ser igual as mulheres cis - a transição de Tifanny começou a ocorrer quando ela já tinha 29 anos.
 
“Ela tem a musculatura muito mais forte, um quadril mais fino e tende a saltar mais, além de um pulmão maior e mais fôlego”, afirmou Tandara. Segundo ela, a diferença entre Tifanny e as demais atletas é perceptível durante a partida. "Esperei jogar para dar minha opinião. No início do jogo, ela segura um pouco o braço. Na hora da decisão, final de set, ela vem forte. Em alguns momentos, faz diferença sim. A Tifanny deu duas diagonais curtas que eu fiquei p… porque sei que posso defender”, confessou.

Apesar da mesma pontuação na partida, Tandara levou leve vantagem sobre Tifanny no aproveitamento. A jogadora de Osasco teve 56% de eficiência contra 54%.

Apesar de toda a polêmica, Tifanny está liberada pelo Comitê Olímpico Internacional, Federação Internacional de Vôlei e Confederação Brasileira de Vôlei para atuar. Ela cumpriu o tempo necessário de transição para atuar, além de ter baixado a taxa de testosterona para o permitido pelas entidades.

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