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Juca Kfouri: Maradona personifica a alma argentina na perfeição, é um tango

Do UOL, em São Paulo

27/11/2020 18h32

A morte de Diego Maradona na última quarta-feira provocou uma comoção no mundo do futebol e o seu velório, ontem, na Casa Rosada, sede do governo argentino, teve uma multidão e até confusões com a aglomeração, em plena pandemia, de pessoas que queriam se despedir do ídolo, inclusive com torcedores dos rivais Boca Juniors e River Plate chorando juntos, uma cena marcante para o mundo esportivo.

No podcast Posse de Bola #77, Juca Kfouri responde a Eduardo Tironi se teria alguma personalidade brasileira que pudesse ter o mesmo impacto e a comoção provocada por Diego Maradona na Argentina e explica como o ex-jogador de futebol foi um símbolo de seu país pela própria característica dramática argentina.

"Maradona, de certa maneira, personifica a alma argentina na perfeição, porque o Maradona é um tango, é a história de um tango. E é curioso, o Maradona, como a Evita Perón, o Maradona como o Carlos Gardel, que morre em um acidente aéreo, a Evita morre e tem o corpo sequestrado, o Carlos Monzón, que é considerado um dos maiores pugilistas da história do boxe mundial, que joga a mulher da janela do apartamento, depois morre em liberdade condicional em um acidente de carro indo visitar o filho", cita Juca.

"São dramas argentinos, que justificam porquê do tango, por que eles gostam de tango e nós somos mais do samba, acho que revela muito de caráter nacional. O enterro do Maradona, dos que eu vi aqui no Brasil, o mais comparável não é com o Ayrton Senna, porque a morte do Ayrton foi transmitida pela TV, gente que não tinha a menor atenção à Fórmula 1, viu aquilo na TV Globo em um domingo de manhã, então catalisou. Mas enterro parecido com o do Maradona, talvez de Tancredo Neves", completa.

Juca lamenta a forma como pessoas utilizam os problemas com álcool e drogas de Maradona para depreciar o ex-jogador, sem considerar que a dependência química é uma doença, e afirma que a morte de Maradona marcou mais do que imaginava, e afirma que talvez o boxeador Muhammad Ali seja o único que tenha atingido um patamar próximo do protagonismo do argentino.

"Eu fico um pouco horrorizado com julgamentos moralistas que eu tenho visto, lido e ouvido, por parte de quem é incapaz de entender que a dependência química é uma doença, e procura uma coisa que diminua quando, ao contrário, o Maradona foi tudo o que foi, apesar de tudo o que tinha contra ele mesmo", diz Juca.

"Eu acho uma pena, eu não supunha que fosse sentir tanto uma morte como eu senti, como eu estou sentindo a morte de Don Diego. Com todas as contradições, não embargo na viagem de que ele era um lutador contra a corrupção no futebol, porque, vira e mexe, ele esteve aliado tanto com a Fifa, como com o célebre presidente da AFA, o [Julio] Grondona, enfim, mas é um personagem como não tem outro igual. No mundo do esporte, enfim, talvez tenha um personagem que rivalize com ele nesta grandeza de protagonismo, inclusive político, Mohammad Ali, mais ninguém", conclui.

Posse de Bola: Quando e onde ouvir?

A gravação do Posse de Bola está marcada para segundas e sextas-feiras às 9h, sempre com transmissão ao vivo pela home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte nas redes sociais (YouTube, Facebook e Twitter). A partir de meio-dia, o Posse de Bola estará disponível nos principais agregadores de podcasts.

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