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Paulo Sérgio: Brasil não ganhará Copa enquanto não abrir mão de vaidades

Do UOL, em São Paulo

23/07/2020 19h10

Campeão pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 1994, quando o futebol do time comandado por Carlos Alberto Parreira foi alvo de críticas apesar do título, o ex-jogador Paulo Sérgio, que atualmente trabalha como comentarista na Rede TV, afirma que o Brasil não voltará a conquistar uma Copa do Mundo enquanto os jogadores não forem conscientes de que é preciso abrir mão de privilégios durante a competição mais importante do futebol.

Em entrevista ao programa Os Canalhas, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana, Paulo Sérgio diz que a seleção que conquistou o tetracampeonato era muito pressionada, tinha quase todos os jogadores questionados e que precisou abdicar de jogar bonito para ser campeã.

"Nós tivemos um grupo com uma mescla de jogadores experientes com jogadores mais jovens, jogadores no caso, Taffarel, Jorginho, Dunga, Bebeto, Romário e Müller, que tinham participado da Copa de 1990, eles observaram os erros e em 1994, com os jogadores mais novos, eles sabiam que não podiam cometer os mesmos erros e isso ajudou, fechamos um grupo, esse grupo sabendo das dificuldades, do que tinha que abrir mão, tanto é que nós ficamos em Los Gatos, as esposas não podiam entrar no hotel, nós tínhamos uma tenda que foi feita no estacionamento e se você quisesse conversar com algum familiar", afirma Paulo Sérgio.

"O nosso foco estava em vencer a Copa do Mundo. Essa vaidade de jogadores não pode existir, essa experiência de jogadores e outras Copas, precisam ajudar esses jogadores mais novos a se conscientizarem da importância, porque enquanto os jogadores não se conscientizarem da importância e abrir mão de suas vaidades, o Brasil não vai ganhar uma outra Copa do Mundo", declara o ex-jogador.

Paulo Sérgio afirma que não apenas a sua convocação mas a de vários outros jogadores do grupo não eram unânimes e que o futebol pouco vistoso foi fundamental para que a seleção brasileira pudesse encerrar um jejum que chegava a 24 anos sem títulos mundiais.

"Naquela seleção praticamente todos foram contestados, porque em 1990 tivemos aquela catástrofe onde todos nós pensávamos que o Brasil chegaria a uma final pelos jogadores que tinham, e naquela seleção o Parreira trabalho de uma forma e você pode observar, que a maioria dos jogadores já tinha uma experiência de Europa, e aí facilitou aquele esquema tático, onde nós entendemos que o futebol bonito nós não iríamos ganhar aquela competição, mas um futebol objetivo, um futebol com inteligência, e foi isso o que nós implantamos naquela seleção", diz o ex-meio-campista.

Jogar como o Flamengo ou pelo resultado

Paulo Sérgio também se encantou com o futebol apresentado pelo Flamengo, mas diz em defesa da seleção brasileira de 1994, que há momentos em que é preciso abrir mão do jogo bonito em prol do resultado.

"Até eu acho bonito você ver o Flamengo jogar, o ano passado fez uma brilhante temporada, eu acho até lindo tudo isso, mas muitas vezes nós temos que deixar esse brilhantismo de lado e fazermos de uma forma objetiva e Copa do Mundo é muito rápido, as coisas acontecem muito rapidamente, então nós tínhamos uma pressão nas costas muito grande", conclui.

Além da seleção brasileira, Paulo Sérgio fala ainda sobre o início de carreira no Corinthians, a conquista do título brasileiro que consagrou Neto, sua passagem com sucesso pelo futebol alemão, a forma de lidar com o racismo, a volta do futebol em meio à pandemia do novo coronavírus e sua posição como embaixador da Bundesliga, o Campeonato Alemão, no Brasil.

Os Canalhas: Quando e onde?

O programa Os Canalhas vai ao ar toda semana em duas edições semanais, na terça-feira, às 14h, e na quinta-feira, às 18h, em transmissão ao vivo, ou gravado, disponível na home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte no Youtube e no Facebook e Twitter, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana entrevistando personalidades importantes do esporte brasileiro. Inscreva-se no canal Os Canalhas no Youtube para conferir mais de João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana.