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City se defende no Tribunal Arbitral do Esporte de sanção imposta pela Uefa

O técnico Pep Guardiola, do Manchester City - Lee Smith/Action Images via Reuters
O técnico Pep Guardiola, do Manchester City Imagem: Lee Smith/Action Images via Reuters

em Lausana (Suíça)

07/06/2020 17h56

O Manchester City vai recorrer a partir de segunda-feira perante o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), por videoconferência, da sua exclusão de dois anos das competições europeias, uma punição imposta pela Uefa por violação de regras do fair play financeiro.

O recurso do clube foi apresentado após a decisão da Câmara de Investigação do Comitê de Controle Financeiro de Clubes (ICFC) em 14 de fevereiro.

De acordo com essa decisão, o órgão de controle financeiro da Uefa deixou o City, atual campeão inglês e vice-líder impedido de jogar as próximas duas temporadas (2020-2021 e 2021-2022) das competições europeias (Liga dos Campeões ou Liga Europa). Além disso, acrescentou uma multa de 30 milhões de euros (33,8 milhões de dólares).

A audiência no TAS ocorrerá remotamente, por videoconferência, devido às restrições causadas pela crise do coronavírus. A sessão será aberta na segunda-feira às 09:00, no horário local (04:00 pelo horário de Brasília) e deve se estender até quarta-feira.

Possível veredito em julho

Não se espera um veredicto imediato e a decisão "pode ser comunicada durante o mês de julho", disse à AFP o secretário-geral do TAS, Matthieu Reeb.

Se o tribunal de arbitragem esportiva tomar uma decisão desfavorável ao City, o clube inglês ainda poderá apelar para o Tribunal Federal Suíço, que seria a última esperança para o time treinado por Josep Guardiola.

Outro grande clube da Europa já foi sancionado no passado recente, com exclusão das competições europeias por violação das regras do fair play financeiro, o Milan, de acordo com uma decisão confirmada pelo TAS em junho de 2019.

O Milan, classificado para a Liga Europa, foi deixado de fora desse torneio na temporada de 2019-2020.

O Manchester City foi punido principalmente por ter superestimado a receita de contratos de patrocínio em suas contas para o período 2012-2016.

As perdas financeiras pela provável ausência nos torneios europeus superariam em muito os 100 milhões de euros (US$ 112,9 milhões) por ano e teriam consequências para o clube, principalmente porque a Liga dos Campeões é a principal vitrine e a mais desejada pelos donos do City, empresários dos Emirados Árabes.

Guardiola diz que seguirá no City

A equipe tem um título praticamente impossível para tentar nesta temporada na Premier League, que retorna em 17 de junho. O Liverpool lidera com uma vantagem de 25 pontos sobre o próprio Manchester City, seu principal perseguidor.

Mas o clube parece estar perto do vice-campeonato, com quatro pontos de vantagem sobre o Leicester (3º) e nove sobre o Chelsea (4º).

Logo após a sanção da Uefa, o clube recorreu do processo empreendido pela Uefa. Ferrán Soriano, dirigente da 'holding' que controla o clube, estimou que a decisão da organização europeia parecia "ser menos por justiça e mais por política".

Se a decisão da Uefa for confirmada pelo TAS, o poder financeiro dos 'Citizens' será um duro golpe. Na última temporada, nada menos que 93 milhões de euros (US$ 105 milhões) pelos direitos de transmissão dos Campeões entraram em seus cofres, sem contar outros fontes de renda, como venda de ingressos para os jogos e patrocínios.

"Se eu não for demitido, ficarei aqui. 100% de chances, mais do que nunca", afirmou Guardiola após a punição da Uefa, garantindo que a disputa pela Liga dos Campeões não o fará procurar um novo horizonte.

Nesta Liga dos Campeões, o Manchester City venceu o Real Madrid por 2 a 1 no Santiago Bernabéu no jogo de ida das oitavas de final. Ainda resta a partida de volta no Etihad Stadium, quando a covid-19 interrompeu a atual temporada do torneio, que aguarda retorno.

Mas antes disso, o City terá pela frente o julgamento do TAS, fundamental para seu futuro.