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Liga dos Campeões 2019/2020

Saiba como 'invenção' com Marquinhos abriu nova crise para Tuchel no PSG

Marquinhos durante a partida entre RB Leipzig e PSG, pela Liga dos Campeões - dpa/picture alliance via Getty I
Marquinhos durante a partida entre RB Leipzig e PSG, pela Liga dos Campeões Imagem: dpa/picture alliance via Getty I

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris (França)

11/11/2020 04h00

O treinador do Paris Saint-Germain, Thomas Tuchel, convive com grande pressão nesta temporada. E entre os motivos para o descontentamento de dirigentes e torcedores com o trabalho do alemão, o principal é a presença constante de Marquinhos como meio-campo.

O defensor brasileiro não se posiciona em rebeldia contra a escolha do alemão. Apesar de desejar voltar a atuar como zagueiro, o capitão do time adota discurso do "jogo onde o treinador quiser" e tem recebido elogios da mídia francesa pelas atuações improvisadas como meio-campo. O problema em questão está na crítica ao sistema defensivo.

Inicialmente, Tuchel efetivou os franceses Diallo e Kimpembe como a dupla de zaga. Logo depois, a escolha foi a improvisação do volante português Danilo como zagueiro na vaga de Diallo, em um movimento justamente contrário com o realizado com Marquinhos.

"O Tuchel está sendo desafiado pelos seus próprios conceitos. Suas teimosias enfraqueceram a harmonia com o clube e deixou um vestiário desconfiado. A chave de tudo é a incompreensão com a mudança de posições de Marquinhos e Danilo", publicou recentemente o jornal Le Parisien.

A imprensa francesa encarou a escolha de Tuchel como um golpe no diretor esportivo, Leonardo, pelas saídas de Thiago Silva (Chelsea) e Kouassi (Bayern de Munique) e a não contratação de um zagueiro desde então. A vinda de Danilo era considerada desnecessária, uma vez que o técnico tem Marquinhos como meio-campo e ainda conta com Herrera, Verratti, Paredes e Gueye para a função.

"É claro que o Marquinhos é zagueiro e o Danilo meio-defensivo, todo mundo sabe, o Tuchel também. Depois, há escolhas que são do treinador. O Fabinho com o Liverpool, Mascherano com o Barcelona, também jogaram nas duas posições. O Marquinhos para nós é o novo Thiago Silva. Era a ideia que ele seria o sucessor, mas é o treinador que escolhe as coisas em campo", comentou Leonardo, em entrevista com os torcedores do clube divulgada pelo PSG nesta terça-feira (10).

A pressão sobre Thomas Tuchel ocorre muito por conta do relacionamento ruim com Leonardo. Ele é visto internamente como desgastado e piorou quando o treinador recentemente cobrou contratações publicamente.

Sem entendimento com o dirigente, a continuidade de Tuchel passou a depender de bons resultados na temporada. Assim, as derrotas para o Manchester United e Leipzig na Liga dos Campeões aumentaram a pressão sobre si, muito embora o time seja líder do Campeonato Francês, com 24 pontos após dez rodadas.

"Temos que apoiar o treinador e também falar coisas. Com o Tuchel, tivemos uma discussão e dissemos que não gostamos da maneira como ele criticou o clube à imprensa. Conversamos e agora a discussão está clara para todos. Depois tem discussões normais, a gente conversa o tempo todo sobre quem está jogando", comentou Leonardo.

"Existem discussões internas. Seria até estranho não ter uma. Mas a verdade é que internamente nunca pensamos em trocar Tuchel. Nunca ligamos para ninguém, nunca. Depois, há quem fale porque o papel de treinador do PSG é invejado. Felizmente. Mas, honestamente, o clube nunca pensou em outro treinador para substituir Tuchel", reiterou o diretor de futebol do PSG.

Na visão de Leonardo, o PSG não precisa contratar zagueiros por acreditar não ter problemas na posição. O plano foi o de montar o elenco com, ao menos, um reserva para cada posição no campo. Assim para o dirigente, a defesa central tem Marquinhos e Kimpembe como titulares, sendo Diallo e Kehrer os reservas. À frente, o reserva de Neymar é o alemão Julian Draxler. Já o brasileiro Rafinha fica como opção para as vagas de Di Maria pelo lado do ataque, ou Verratti no meio-campo.