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Surfe: quem é a nova geração que quer disputar Mundial no quintal de casa

Rickson Falcão, jovem surfista de Saquarema, vem se destacando em campeonatos da modalidade - Reprodução/Instagram
Rickson Falcão, jovem surfista de Saquarema, vem se destacando em campeonatos da modalidade Imagem: Reprodução/Instagram

Gustavo Setti

Do UOL, em Saquarema (RJ)

04/07/2022 04h00

Rickson Falcão tem só 14 anos e se destaca nos campeonatos de base no surfe. Com patrocínios e milhares de seguidores nas redes sociais, pinta como um dos candidatos da nova geração brasileira a buscar uma vaga no Circuito Mundial de Surfe no futuro. Mas ele conta com uma vantagem em relação a outros competidores: tem uma das melhores ondas do mundo no quintal de casa.

Rickson mora a poucos minutos do Point na praia de Itaúna, em Saquarema, que recebe a etapa brasileira do Circuito desde 2017. Foi do lado de fora de um mar que ele conhece muito bem que o jovem viu Filipe Toledo se sagrar tricampeão em Saquarema na última terça-feira (28).

O garoto de 14 anos está em um seleto grupo de novos surfistas talentosos que tem a sorte de representar a cidade que abriga um evento da elite do surfe mundial.

O início no surfe foi aos 3 anos de idade. Ele era empurrado pelos pais nas ondas da Barrinha. Agora, já é pentacampeão carioca e líder do ranking estadual na categoria masculina até 16 anos.

"Eu tenho esse privilégio de morar no lugar que é sede de um evento do Circuito Mundial, com essas ondas perfeitas, e sou muito grato a isso. Minha raiz e minha família são daqui. Sempre foi meu sonho desde pequeno estar aqui com os caras, é um privilégio estar surfando com eles na água", disse Rickson, que almeja um dia disputar uma bateria em Saquarema ao lado do ídolo Gabriel Medina.

A gente está acostumado a ver esses caras pela TV. Quando vê pessoalmente, é outra coisa, vê que realmente o que o cara faz parecer fácil é muito difícil, vê a técnica. É muito irado estar ao lado deles, é absurdo." Rickson Falcão

"Sempre me imagino com esses caras. É para isso que eu treino todo dia. Com certeza, se tudo que eu planejar der certo, com certeza vou estar um dia com eles no Circuito Mundial, se ele [Medina] ainda estiver competindo", completou.

"De Saquarema", com orgulho

Outro destaque é Luana Paes, 15 anos, que cresceu em Saquarema e é vice-líder do ranking carioca na categoria sub-18 feminino. Ela revelou que se sentia pressionada no início no surfe porque vem de uma família de surfistas, mas agora é apaixonada pelas competições.

"Eu comecei a pegar gosto, comecei a competir com oito anos e não parei mais. O surfe competitivo é o melhor que tem. Gosto muito de competir, mas surfar no geral é muito bom, estar em contato com o mar, o estilo de vida, eu sempre gostei muito."

O sonho dela, é claro, é ser campeã mundial. "O sonho de ser campeão mundial é o sonho de qualquer um que começa a surfar, mas é uma coisa muito difícil, precisa estar 100% com tudo, físico, cabeça. É óbvio que esse é o meu maior sonho da vida, mas só de estar aqui [em Saquarema] seria muito gratificante. Quando eu chegar lá, aí começo a pensar no título", declarou.

Luana se sente orgulhosa de ter visto João "Chumbinho" Chianca como único representante de Saquarema no Circuito Mundial de 2022.

Você ouve 'de Saquarema', é diferente. Ele é o único carioca no Circuito, ver alguém do Rio chegando lá e batendo de frente é bizarro, porque eu surfava com ele todo dia." Luana Paes

"Não é para qualquer um"

Saquarema já teve nomes nas principais competições de surfe, como Raoni Monteiro e, mais recentemente, Chumbinho. E é justamente essa turma que inspira Rafael Lutfy, 16 anos, tricampeão carioca e quinto no ranking estadual sub-18 masculino.

Ele admira Medina e companhia, mas as maiores referências são mesmo da cidade. "Meu maior ídolo é a galera aqui de Saquarema, que está sempre na correria, o Raoni, Leo Neves, que veio a falecer, João é um ídolo também, Valentin [Neves], a galera casca grossa", disse Rafael.

O jovem surfa desde os 5 anos e está todo dia no Point. Ele manda o recado para quem sonha surfar por lá.

Sou privilegiado de ter essa onda aqui, surfar todo dia. É uma onda com mais pressão, mais força. Não é para qualquer um aqui em Itaúna." Rafael Lutfy