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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Caso Maurício Souza: Homofobia não é opinião, é crime, diz Milly Lacombe

Do UOL, em São Paulo

28/10/2021 14h28

O jogador Maurício Souza, que disputou os Jogos Olímpicos de Tóquio pela seleção masculina de vôlei, foi demitido pelo Minas Tênis Clube devido a publicações de teor homofóbico, depois da pressão de patrocinadores do clube. Ao mesmo tempo em que atletas condenaram a posição de Maurício e defenderam a punição, outros, como Fred, do Fluminense, e Felipe Melo, do Palmeiras, deram apoio a ele nas redes sociais.

No UOL News Esporte, Milly Lacombe afirma que as pessoas confundem opinião com algo que na verdade é um crime, no caso da homofobia, e ressalta que é preciso que haja a conscientização disso, em meio a tantos casos de violência contra LGBTQIA+.

"A gente está numa fase em que a gente está confundindo opinião, 'ah é só o que eu penso, é sinceridade. É o que eu penso, então eu vou falar porque sou sincero'. Não, se o que você pensa colabora para que pessoas morram, o que você pensa é um crime, então você guarda para você, você não pode falar isso, não é opinião", diz Milly.

"A gente também vive uma fase em que a gente só entende liberdade no nível do indivíduo, todas as liberdades são individuais, essas que a gente tem que proteger, e isso gera aberrações como 'não vou usar máscara, não quero usar máscara, eu que decido'. A gente está falando de uma mesma coisa, não existe a liberdade individual, como não existe saúde individual, a gente aprendeu isso. A nossa saúde é pública, está todo mundo numa teia, liberdade é a mesma coisa, se o que você pensa colabora para que pessoas morram, sejam diminuídas, apequenadas, o que você pensa é errado, você não pode emitir a sua opinião, não é uma opinião, é um crime", completa.

Em relação à punição ao atleta, Milly afirma que considera válida, mas também vê o problema como muito mais profundo na forma como as pessoas manifestam com homofobia.

"Para começar, você não ensina sexualidade, não se ensina isso. Agora, se ele coloca uma foto sugerindo que aquela imagem é de alguma maneira tentadora, ele está falando mais do desejo dele do que do beijo em si. Eu acho que a punição é válida, claro, mas é necessário um psicanalista para entender o que essa gente homofóbica está criticando quando eles criticam o amor entre pessoas do mesmo sexo. A gente não pode nunca tirar o machismo e a misoginia desse tipo de crime", diz Milly.

"São tantas camadas, a gente precisava do 'bolsa psicanalista', do 'bolsa divã', a crise é de desejo, a gente é o país que mais consome pornografia LGBTQ no mundo e a gente é o país que mais mata LGBTQs no mundo, é uma crise de desejo, precisa ter coragem para olhar os próprios desejos", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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