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Michael Oher não gostou de "Um Sonho Possível" e se aposentou sob mistério

Michael Oher comemora vitória no Super Bowl com o Baltimore Ravens em 2013 - Ronald Martinez/Getty Images
Michael Oher comemora vitória no Super Bowl com o Baltimore Ravens em 2013 Imagem: Ronald Martinez/Getty Images

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

09/05/2021 04h00

O esporte de alto nível nem sempre nos permite conhecer a fundo a história por trás dos astros, mas com Michael Oher foi diferente. O ex-jogador de futebol americano teve sua infância atribulada contada em livro best-seller, que depois virou o filme "Um Sonho Possível", estrelado por Sandra Bullock e que será exibido hoje às 12h30, na Temperatura Máxima, da Globo.

Em resumo, Oher viveu em situação de rua durante a infância, no estado do Tennessee (EUA). Seu pai cumpria pena na prisão, sua mãe sofria com vício em crack, e o então garoto só dormia sob um teto se amigos da escola lhe acolhessem. Até que ele foi adotado por uma família rica, o que lhe deu condições de mudar de vida, melhorar nos estudos e se tornar um jogador de futebol americano.

Ele foi escolhido na primeira rodada do Draft da NFL de 2009, passou por três equipes em oito anos na liga e venceu o Super Bowl com o Baltimore Ravens em 2013. Oher foi um jogador importante de linha ofensiva, disputou 110 jogos na carreira profissional, todos como titular, mas precisou se aposentar antes do que gostaria.

Michael Oher concede entrevista coletiva antes do Super Bowl 50, em fevereiro de 2016 - Thearon W. Henderson/Getty Images - Thearon W. Henderson/Getty Images
Oher voltou ao Super Bowl em 2016, mas desta vez não venceu. Meses depois, fez seu último jogo
Imagem: Thearon W. Henderson/Getty Images

Michael Oher ficou sob observação após sofrer uma concussão em 2016, como é de praxe na NFL. Ao contrário da maioria dos casos, porém, ele não foi liberado para retornar em algumas semanas: foi proibido de jogar por meses e no fim se aposentou —oficialmente, por ter sido reprovado em um teste físico.

Enquanto estava sob observação, Oher chegou a publicar nas redes sociais uma fotografia com dez pequenos potes de remédios, explicando serem todos "para meu cérebro". Pouco depois, apagou a foto. Sendo a concussão uma lesão cerebral ainda misteriosa e de consequências possivelmente desastrosas, a aposentadoria nunca foi totalmente esclarecida.

Não gostou de "Um Sonho Possível"

A história de Michael Oher é de superação, claro, mas sobretudo de uma exceção à regra. Ele teve 11 irmãos vivendo em condições semelhantes, passando por vários lares adotivos na infância e adolescência, mas só ele se tornou atleta profissional. Não por acaso sua autobiografia lançada em 2011 se chama "I Beat the Odds" (algo como "Eu venci as probabilidades", não publicado no Brasil).

No livro, ele esclarece alguns pontos de sua história que acabaram distorcidos no filme. "Senti que me retrataram como um idiota, não como uma criança que nunca havia tido uma instrução acadêmica consistente e depois foi muito bem assim que a obteve", escreveu.

Seja como for, "Um Sonho Possível" teve duas indicações ao Oscar em 2010: o de melhor filme (vencido por "Guerra ao Terror") e o de melhor atriz (a única estatueta de Sandra Bullock até hoje).

Em 2017, já fora da NFL, Michael Oher chegou a ser fichado por supostamente agredir um motorista de aplicativo durante uma discussão sobre o preço da viagem. Meses depois, no entanto, a acusação foi retirada com anuência do motorista. Atualmente o ex-jogador comanda a Michael Oher Foundation Kids Matter, que ajuda a dar oportunidades a crianças e adolescentes em situação de pobreza.

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