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Warner teme prejuízo com Brasileirão 2021; Globo conversa com Cuiabá

Luiz Felipe Freitas e Mauro Beting na apresentação da TNT Sports, bloco de esportes da Warnermedia - Reprodução/TNT Sports
Luiz Felipe Freitas e Mauro Beting na apresentação da TNT Sports, bloco de esportes da Warnermedia Imagem: Reprodução/TNT Sports

Gabriel Vaquer

Do UOL, em Aracaju

27/01/2021 04h00

A Warnermedia, dona do TNT Sports, teme que sua transmissão do Brasileirão 2021 gere prejuízo com a diminuição no número de jogos a que tem direito. Hoje, a empresa poderia mostrar 42 partidas — 14 a menos do que na temporada 2020 (que termina em fevereiro por causa da pandemia). Esse número, porém, pode cair para 12 dependendo das últimas rodadas das Séries A e B.

Na elite, o Internacional não tem mais contrato para 2021 e apenas quatro times com acordo com a Warner estão longe de serem rebaixados (Palmeiras, Santos, Athletico e Ceará). Dois deles lutam, rodada a rodada, contra o Z4 (Fortaleza é o 16º e Bahia, o 17º) e o Coritiba tem missão complicada para evitar o descenso: é o 19º a oito pontos do último time fora do Z4, com 18 pontos ainda em disputa.

Na Série B, o Juventude é o único dos times que brigam pelo acesso que vendeu seus direitos ao grupo norte-americano. A equipe define, na próxima sexta (29), última rodada da Série B, se vai subir —os gaúchos estão em quarto lugar, mas podem ser ultrapassados por CSA e Avaí.

Em um cenário realista, a Warner deve ter seis times no Brasileirão 2021. Com isso, garantiria 42 partidas e ao menos um jogo por rodada. A partir de cinco times, porém, a situação complica. Fontes ouvidas pela reportagem dizem que será muito difícil vender um pacote publicitário com valores que cubram os custos de produção das partidas. Mesmo com prejuízo, não há chance de a Warner abrir mão do torneio. Procurada, a Warner afirmou que não quer comentar o assunto, já que o campeonato ainda não está definido.

Cuiabá já recebeu contato da Globo

Uma possibilidade para aumentar esse pacote seria negociar com o Cuiabá, clube que já garantiu o acesso juntamente e não tem acordo de TV para nenhuma mídia com qualquer grupo de comunicação. A Warner, porém, descarta negociar com qualquer clube novamente. Enquanto isso, a Globo já conversa com a direção do Cuiabá.

A ideia inicial da emissora carioca é fechar um pacote completo (TV aberta, paga e pay-per-view) com valor fixo e contrato inicial de um ano. Caso o clube se mantenha na elite em 2022, esse acordo seria renegociado.

Warner tem razão na preocupação?

A reportagem conversou com uma especialista no mercado publicitário para saber se a preocupação da Warnermedia com o Brasileiro 2021 faz sentido. Segundo Gláucia Montanha, diretora-geral da Convert Publicidade, a tensão é compreensível por causa do modelo atual de vendas de cotas no futebol.

"O que está acontecendo é que a audiência está ficando pulverizada sobre o tema e fica difícil para o anunciante focar em um pacote que também fica pulverizado. Nesse cenário, o digital cresce porque consegue permear melhor o tema e a audiência", analisou.

"O que sempre falo é que os pacotes de futebol precisam evoluir para uma conversa de negócio e ser mais do que uma compra de mídia. Enquanto for um pacote de mídia, a conversa sempre irá ser 'desconto x valor recebido'. O que precisamos é mudar a conversa. Enquanto as empresas venderem um projeto de futebol, com uma conversa sobre transmissão e mídia de apoio, ela sempre será sensível. Quando a conversa for um projeto de audiência e tema futebol atrelado a resultados de negócio de cada cliente, teremos uma evolução no tema", concluiu.

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