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Skatista usa ferro velho e cria obras de arte baseadas em esportes radicais

Paulo Anshowinhas

Do UOL, em São Paulo

23/04/2014 06h00

Uma ideia na cabeça, uma máquina de solda elétrica feita pelo próprio avô na mão e uma máscara de proteção. Pronto. Em menos de um dia, o que seria um monte de lixo para alguns se transforma em obras de arte que chegam a custar R$ 3 mil em galerias.

Assim é a rotina do skatista e artesão em ferro Marco Pinheiro, de 31 anos, que transferiu seu amor ao skate para peças exclusivas que atiçam o imaginário dos esportistas radicais a partir de materiais reciclados.

Surfe, wakeboard, mountainboard, stand up paddle, BMX, motocross, patins in line e mergulho são algumas das modalidades que já foram agraciadas com obras de Pinheiro, e acabaram por se transformar em troféus de grandes competições.

A ONG Social Skate, do skatista Sandro Testinha, recentemente presentou os campeões mundiais de skate como Sandro Mineirinho e Rony Gomes com esses “troféus” exclusivos em ferro, que hoje decoram suas estantes. E as encomendas não param de chegar. Cada peça custa a partir de R$ 150 reais, mas podem atingir R$ 2.500, dependendo do tamanho e grau de dificuldade da obra.

“Fazer uma peça é sempre um desafio”, diz o artista morador na Zona Leste de São Paulo, que aceitou o teste da reportagem do UOL Esporte e reproduziu uma foto enviada de uma manobra de skate estilo livre , em uma estatueta metálica em menos de quatro horas. Postada nas redes sociais, a foto comparativa da manobra e da obra rendeu dezenas de comentários e curtidas de internautas.

Skatista a 17 anos, as peças produzidas por Pinheiro transmitem a sensibilidade do praticante e do fotógrafo, ao captar o momento exato do ponto crítico das manobras eternizadas em metal. "É o que eu mais gosto de fazer", diz.

Tudo a partir de uma matéria prima abundante nas metrópoles. São pedaços de ferros retorcidos, parafusos e peças metálicas abandonadas nas calçadas e até garimpadas em ferro velhos, que vão parar nas estantes de campeões, lojas e galerias de arte.

“Eu coleto o ferro em qualquer lugar, se estiver andando na rua e ver algo que me interessa já coloco na mochila”, comenta o criativo artesão que já foi grafiteiro, porteiro e motorista de lotação, antes de seguir os passos do avô, que segundo ele “era um professor pardal” que inventava novidades a cada dia.

Suas primeiras peças, aos 12 anos, foram rampas e obstáculos para ele próprio andar de skate (as quais fazia escondido dos pais). Sua primeira obra artística foi um surfista com cabeça de parafuso. Hoje as peças - todas originais e exclusivas - têm acabamento refinado, são pintadas com spray e verniz e chegam a ter três metros de altura, como uma escultura de um mergulhador instalada em frente a uma loja de esportes náuticos.

Perguntado sobre o futuro, Pinheiro responde ao estilo Tony Stark (do personagem O Homem de Ferro). “Meus objetivos são viver bem e continuar fazendo o que eu gosto, ou seja, derreter eletrodos”, ri.

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