PUBLICIDADE
Topo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Juca Kfouri: Humanidade atingirá a civilização plena quando o boxe for proibido

Do UOL, em São Paulo

03/08/2021 15h05

O boxe já tem nesta edição dos Jogos Olímpicos três pódios assegurados para o Brasil, com o bronze de Abner Teixeira na categoria pesado, além de Beatriz Ferreira e Hebert Sousa classificados para as semifinais e com as cores de suas medalhas a definir, mas a modalidade também causa discussão, como a levantada por Juca Kfouri no UOL News Olimpíadas.

O jornalista afirma que não consegue aceitar um esporte que tem como objetivo bater e derrubar o adversário e acredita que a modalidade deveria ser proibida, considerando pior ainda quando a disputa é entre mulheres.

"Eu tenho a dizer o seguinte, eu tenho como marca de quando a humanidade atingirá a civilização plena é quando o boxe for proibido e quando vejo ainda luta de boxe entre mulheres, eu te confesso que eu tenho uma dificuldade, porque eu não consigo conceber como esporte uma atividade cuja finalidade é dar um murro no outro e derrubar o outro, bater no queixo, bater na cabeça, veja como acabam todos os grandes heróis do boxe, Muhammad Ali, Éder Jofre", diz Juca.

"Essa discussão é interminável, eu sei, eu nem devia trazê-la aqui, mas eu não consigo disfarçar o que eu estou sentindo e eu realmente quando vejo luta de boxe de mulher, eu falo 'não', mas vejo luta de boxe de homem também. Eu me sinto obrigado a tratar com mais delicadeza a mulher do que o homem, eu sou do time que em mulher não se bate nem com uma flor, então não gosto de ver mulher se estapeando", completa.

Juca afirma que tem como ídolos Muhammad Ali e Éder Jofre, mas justamente pelo que eles passaram em termos de saúde ele não é favorável ao esporte.

"A mim constrange, sempre constrangeu entre homens, o que não significa que eu não tivesse atração, o Mohammad Ali para mim é um ídolo, o Eder Jofre é outro, mas eu vi as lutas deles sofrendo uma barbaridade e é como se estivesse batendo em mim, eu não quero ver apanhar pessoas que eu gosto", opina.

Jamil Chade tem uma opinião semelhante em termos de o boxe ser um esporte, ainda que hoje faça parte do programa olímpico e distribua medalhas.

"Eu também coloco muita questão sobre um esporte cujo objetivo é derrubar o outro com socos. Sim, existem regras, sim, existe técnica, sim, são atletas, não tem nenhuma dúvida disso. Eu, pessoalmente tenho dúvidas, agora, eu só não faria a distinção entre homens e mulheres, mas o resto eu concordo", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL