PUBLICIDADE
Topo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Jamil Chade: Thomas Bach é um mestre da hipocrisia olímpica

Do UOL, em São Paulo

03/08/2021 15h11

O Comitê Olímpico Internacional decidiu como punição para a Rússia após a revelação de um escândalo nacional de doping o impedimento do uso a bandeira e do hino nacional, embora tenha permitido que seus atletas possam competir como Atletas da Rússia ou Comitê Olímpico Russo nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

No UOL News Olimpíadas, Jamil Chade e Juca Kfouri comentam a punição dada à Russia e criticam a hipocrisia por parte do COI e de seu presidente Sebastian Bach, com o questionamento também sobre qual medida será tomada em relação à atleta bielorrussa Krystina Tsumanouskaya, que pediu asilo político da Polônia para não precisar voltar a seu país.

"É a hipocrisia que a gente sabe que vive a super estrutura do esporte no mundo inteiro, não é apenas no Brasil. Você quer coisa mais ridícula e bizarra do que não é a Rússia que está participando da Olimpíada, é o Comitê Olímpico Russo, e eu acho engraçado, a imprensa toda trata 'o medalhista do Comitê Olímpico Russo', não, é um russo, da Rússia. O Brasil vai jogar com a Rússia no vôlei, o Brasil não vai jogar contra o Comitê Olímpico da Rússia, vai jogar contra a Rússia, porque o Comitê Olímpico da Rússia é russo, não tem outra maneira de tratar", diz Juca.

Jamil Chade comenta como o presidente do COI, o ex-esgrimista Thomas Bach trata de diferentes maneiras em relação a ditadores, questiona se haverá alguma punição ao Comitê Olímpico Bielorrusso pela perseguição a atletas e aponta o dirigente como mestre em hipocrisia, ao citar a punição da Rússia.

"Tivemos nos últimos seis meses uma repressão terrível em Minsk, que afetou inclusive os atletas. Desde maio foram cerca de 60 atletas presos pelo regime de Minsk por terem participado das manifestações pró Democracia, 20 deles ainda estão na prisão hoje. Quando chegou um caso dessa atleta que é levado, é só mais um sintoma de um regime que é absolutamente brutal. A questão vai ser agora, que coloca o COI em uma situação muito incômoda, é justamente o que fará o COI. Hoje anunciou que vai pedir esclarecimentos ao governo e ao Comitê Olímpico de Minsk. E aí minha pergunta que fica: se não houver uma resposta, vida que segue ou haverá algum tipo de punição?", questiona.

"Thomas Bach é um mestre, se é que a gente pode colocar essa palavra, dessa hipocrisia olímpica, que é justamente a de tratar alguns de uma forma, outros de outra, sempre com o objetivo de manter o evento ocorrendo. A questão que o Juca disse da Rússia é absolutamente escandalosa, depois de um doping de estado, a forma de punir o país é que a classificação de medalhas não traga a bandeira da Rússia. Quem fez o uniforme foi bastante criativo, ele pegou o azul, o branco e o vermelho, colocou de lado, e aí já não é mais a bandeira, não é mais a Rússia aqui, são os atletas russos, com a bandeira russa, com as cores russas e, claro, com a medalha que volta para Moscou", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL