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Tia sugere, técnica avalia... e Rebeca podia mesmo ser uma nova Daiane

Rebeca Andrade na disputa da final do individual geral em Tóquio - Ricardo Bufolin/CBG
Rebeca Andrade na disputa da final do individual geral em Tóquio Imagem: Ricardo Bufolin/CBG

Denise Mirás

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/07/2021 10h04

Dona Cida trabalhava na cozinha do ginásio onde treinam os ginastas de Guarulhos. Um dia, comentou com a técnica Monica dos Anjos que a sobrinha parecia levar jeito para o esporte. Se poderia levar a pequena Rebeca Andrade, com 5 para 6 anos, para a treinadora dar uma olhada na menina.

"Era 2005. Ela chegou e eu pedi que corresse, segurasse na barra. Segurei a mãozinha e pedi que desse uns pulinhos no tablado. Foi naquele momento que pensei: 'Ela pode ser uma futura Daiane'. Tinha o biotipo para o esporte, era veloz..." , conta Monica. E Rebeca superou Daiane ao se tornar a primeira ginasta do Brasil a ganhar uma medalha em Olimpíadas, com a prata no individual geral conquistada nesta quinta (29), em Tóquio.

São pelo menos 37 anos de experiência como ginasta, técnica e árbitra. Assim, conseguiu convencer a família da garota a mudar o turno da escola, para que ela pudesse treinar com as outras crianças da faixa etária. "Eram umas 15 meninas e a Rebeca sempre alegre, brincalhona, já ia para a beira do tablado, imitando a coreografia que as mais velhas executavam."

Um ano e pouco depois, os técnicos Francisco Porath Neto, o Chico, e Keli Kitaura chegaram a Guarulhos. As tarefas se dividiram entre os três e outro treinador, Osmar Fagundes Júnior, para que dessem conta dos treinamentos de dezenas de inscritos. "Passei a Rebeca para eles", diz Monica.

Chico e Keli foram para Curitiba e 2010, onde ficava a base das equipes nacionais, e Rebeca foi junto, com 11 anos. "Era da categoria infantil, mas já tinha ido a Cuba, participar de um Interamericano de Clubes."

Quando a dupla de treinadores se mudou para o Flamengo, Rebeca também se transferiu para o Rio. "Como árbitra, continuei acompanhando a evolução da Rebeca. Ela é um talento, tem biotipo e facilidade para fazer tudo que é novo. Paralelamente teve lesões, passou por cirurgias mas seguiu treinando e evoluindo."

Depois dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, Keli se mudou para os Estados Unidos e Rebeca segue trabalhando com o técnico Chico. Monica continua em Guarulhos: já abrigou cinco ginastas ao mesmo tempo em casa ("uma de Bauru, outras de Vitória e Cuiabá, duas de São Bernardo") e aguarda ordens para voltar aos treinos presenciais.

"Com a pandemia, paramos de setembro a dezembro, depois paramos duas semanas em fevereiro. Agora estamos parados. Para se ter ideia, fechamos 2019 com 400 crianças e acredito que poderíamos chegar a mil, se tivéssemos mais professores. A demanda é enorme. Fazemos testes com crianças de 5 a 7 anos, mas temos lista de espera de 200", explica a treinadora.

Essa decisão, de apoiar mais o esporte, depende da prefeitura. Que poderá sentir uma nova onda, sob a pressão do "efeito Rebeca". Monica já garimpou a nova Daiane e estará por lá para (quem sabe?) descobrir uma nova Rebeca.