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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Análise: estádio vazio na TV trouxe melancolia à transmissão da abertura

Adriana del Ré

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/07/2021 12h30

Seguindo protocolos de segurança por causa da pandemia, a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, transmitida na manhã desta sexta (23), no Brasil, contou com uma plateia esvaziada e menos atletas participando do evento. Mesmo sabendo que a imagem que teríamos seria essa, causou certa melancolia ver pela TV o Estádio Olímpico de Tóquio sem o calor e a alegria que sempre marcaram as aberturas olímpicas. É o retrato de um tempo que ficará marcado também na história das Olimpíadas.

Representando os Jogos Olímpicos da superação, do distanciamento e da inclusão, a cerimônia começou com atletas afastados, em esteiras e bicicletas ergométricas, reproduzindo em cena o treino solitário, em casa, que tiveram de encarar para chegar até lá. Arte, tradição e tecnologia, áreas nas quais os japoneses são experts, substituíram os vazios e os silêncios. Feixes de luz 'emanavam' de atletas e dançarinos, sem coreografias grandiosas. Um momento visualmente impecável.

Também foi bonito ver o jogo de imagens em que cada gesto dos músicos de uma orquestra se assemelhava ao movimento de atletas em ação. Funcionou bem na tela. Assim como foi simbólica a performance do artista japonês ressurgindo das cinzas, sucedida por um minuto de silêncio em homenagem àqueles que perderam a vida na pandemia.

A tradicional entrada de atletas e representantes segurando a bandeira de seus respectivos países teve grupos reduzida. Sem a multidão, desta vez eles não puderam ser calorosamente recepcionados por seus conterrâneos nas arquibancadas - com alguns usando a máscara de maneira errada, embaixo do nariz, o que deu certa aflição. Os únicos momentos em que parecia haver alguma 'aglomeração' foram quando as câmeras fechavam nas delegações que entravam, uma a uma, no estádio. Ilusão de ótica criada pela telinha: quando a imagem abria, o que se via, na verdade, eram poucas pessoas no meio de um vazio.

Foi importante ver também a maior participação feminina em uma Olimpíada devidamente representada na abertura do evento, com mulheres em posições-chave, entre elas, conduzindo a bandeira de seus países e acendendo a pira olímpica — ato que ficou a cargo da tenista Naomi Osaka.

Na reta final, drones se uniram formando a imagem do planeta Terra. Um coro entoou 'Imagine', o hino utópico e pacifista de John Lennon e Yoko Ono, com as participações gravadas dos cantores Alejandro Sanz, Angelique Kidjo, John Legend e Keith Urban, cada um deles representando um continente.

Foi uma cerimônia bonita, comedida, sem extravagâncias, como o momento pede, em que arte e tecnologia preencheram os vazios que não puderam ser ocupados por pessoas, e que levou adiante o lema usado desde o começo da pandemia no mundo: todos juntos, mesmo que à distância.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL