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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Fernando Meirelles: Cerimônia foi muito fria, eu esperava mais tecnologia

Do UOL, em São Paulo

23/07/2021 12h28

Um dos responsáveis da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, o cineasta Fernando Meirelles analisou o evento que marcou o inícios das Olimpíadas de Tóquio e considerou que os japoneses tiveram uma cerimônia fria devido à ausência de público, além de sentir a falta do uso da tecnologia.

Em sua participação no programa UOL News Olimpíadas 2020, Meirelles reconhece a dificuldade de se fazer uma cerimônia no cenário de pandemia, sem poder utilizar muitas pessoas dentro do estádio, além da ausência de público, que é uma perda significativa.

"Estou surpreso. Desde que a gente terminou a nossa cerimônia, em 2016, o Japão já estava conversando com a gente, eles estavam preparando a cerimônia deles e com o dinheiro que eles têm, com tecnologia, a gente achou que fosse ser a cerimônia mais espetacular, que eles iriam superar Atenas, China e Londres. E aí tiveram esse revés enorme. Eu imagino que eles devam ter criado umas duas ou três cerimônias, o mundo foi mudando, eles tiveram que ir se adaptando e chegaram a essa cerimônia que apresentaram agora, que foi muito simples e muito fria", diz Meirelles.

"Não é culpa de quem criou, uma cerimônia feita para um estádio lotado, sem o estádio, imagine um show da Madonna em estádio sem público. É muito difícil, então, ficou uma cerimônia meio fria, enfim, eu esperava pelo menos que tivesse um pouco mais de tecnologia, mas eu entendo a situação dos caras, eles tiveram que mudar tudo, improvisar e improvisar, até uma semana atrás não sabiam se iriam cancelar a Olimpíada. Eu acho que eles pegaram a maior roubada que podia ter, porque o negócio na abertura é um estádio, então o calor das pessoas, acho que existe uma energia psíquica na hora ali, que faz a coisa, e eles perderam a coisa principal, que é o público e a vibração", completa.

O cineasta afirma que, na impossibilidade de utilizar tantos figurantes, uma saída seria apostar na tecnologia, o que ficou aquém do que ele esperava na cerimônia de Tóquio.

"Outro ponto que é muito importante em todas as aberturas, é você encher aquele estádio de coisas e de gente, eu lembro que na China tinha alguns números, que tinha mais de mil figurantes. Agora, como não pode ter aglomeração, o máximo que a abertura conseguiu colocar ali, com os atletas um pouco mais, mas durante o começo do show, era 150, 200 pessoas. O estádio vazio é muito difícil você conseguir emocionar e levantar uma plateia que não existe", diz Meirelles.

"Eu, sinceramente, fiquei pensando aqui como é que eles poderiam ter saído dessa e talvez tivesse pensado em usar muito a tecnologia. Quando a gente fez o Rio de Janeiro, a gente queria usar um show de drones, por exemplo, e não podia porque tinha o público e tinha risco. Sem o público lá, eles poderiam ter usado drones, desfiles de robôs, inteligência articula, que é uma coisa da cultura japonesa também. Eu teria feito uma coisa muito tecnológica e dado um show no que eles são bons, mas eu imagino que as condições lá são muito difíceis, então é muito desonesto querer comparar essa abertura com as outras que vieram antes, é outro mundo, outras condições, imagino que é o que foi possível fazer", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL