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Tragédia de Heysel: a briga que deixou vítimas e manchou Liga dos Campeões

Torcedor do Liverpool corre de torcedores da Juventus no estádio de Heysel, na Bélgica, em final da Liga dos Campeões - David Cannon/AllSport
Torcedor do Liverpool corre de torcedores da Juventus no estádio de Heysel, na Bélgica, em final da Liga dos Campeões Imagem: David Cannon/AllSport

29/05/2020 07h45

Classificação e Jogos

A história da Liga dos Campeões não guarda apenas em suas memórias os esquadrões e as grandes decisões. Há 35 anos, o Estádio de Heysel, na Bélgica, viu a final entre Juventus e Liverpool ser ofuscada por uma briga generalizada que culminou em uma tragédia nas arquibancadas.

A escalada dos "hooligans" já rendia cenas de selvageria em estádios ingleses e havia causado momentos de pancadaria na final da edição anterior da Liga dos Campeões, entre Liverpool e Roma. Porém, além de a Uefa não punir os brigões, a final da edição de 1984/1985, entre os Reds e a Juvnentus, teve como sede um estádio sem condições de receber uma partida daquela magnitude, superlotado e com esquema de segurança falho.

Localizados atrás de um dos gols, torcedores de Liverpool e Juventus eram separados por um trecho neutro, a princípio destinado a moradores belgas, mas no qual havia muitos torcedores da Velha Senhora. O vandalismo começou a dar as caras uma hora antes da bola rolar: paus e pedras foram lançados de uma parte para a outra.

A pressão de torcedores dos Reds fez o alambrado, protegido por apenas seis policiais, ceder. Espremidas, 39 pessoas morreram sufocadas, boa parte delas formada por italianos e torcedores da Juve.

Diante da cena, o grupo que estava no setor destinado à Velha Senhora pulou o alambrado e entrou em conflito com os policiais. Mesmo em meio ao atendimento aos feridos e à pancadaria, o árbitro deu início à decisão da competição.

Coube ao astro Michel Platini garantir a vitória por 1 a 0, que deu o título da Liga dos Campeões à Juventus. Entretanto, o que ficou mais latente na memória dos torcedores foram os 39 mortos no Estádio de Heysel.

Atacante da Juventus na época, Zbigniew Boniek contou ao jornal "The Guardian" como foi lidar com a situação na Bélgica.

"Se as pessoas vão assistir a uma final de Champions, é absolutamente abominável que eles nunca retornem para casa porque foram mortos. Não sabíamos o que tinha acontecido, e as autoridades mandaram a gente jogar. Eles queriam prevenir uma guerra entre as torcidas. Mas tudo foi terrível. E estúpido", afirmou

"Vi corpos sendo levados do estádio. É horrível ter que jogar futebol enquanto as pessoas morrem à sua volta", completou.

Goleiro do Liverpool naquela partida, Bruce Grobbelaar revelou que não queria começar a partida.

"Os jogadores souberam sobre todos os eventos depois, naquela noite, incluindo quantas pessoas morreram. Nunca deveríamos ter jogado. A Uefa insistiu, porque eles acreditavam que a violência poderia continuar nas ruas. Mas eu disse que não queria jogar", declarou.

Meia da Juventus, Marco Tardelli disse que a conquista tem um gosto amargo para ele.

"Eu não tenho orgulho da vitória naquela final da Champions. Foi uma péssima noite, um jogo para esquecer, embora não seja fácil deixar de me lembrar do que aconteceu. Somente pela televisão soube o que realmente houve e fiquei chocado. Depois da final, Grobbelaar veio pedir desculpas pelos 'hooligans'. Mas, de verdade, não foi culpa de Liverpool ou Juventus", opinou.

A "Tragédia de Heysel" trouxe sequelas para o futebol inglês: os clubes do país foram proibidos de disputar competições internacionais por cinco temporadas. A exceção foi o Liverpool, punido por seis anos.

Além disto, 25 hooligans foram presos, e o incidente fez com que Margareth Thatcher se mostrassem mais incisiva no combate à violência no futebol inglês. No entanto, a dor sentida em território belga segue latente em torcedores da Juventus e do Liverpool.