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Déficit, chegadas, saídas, parceiros por Daniel: o que pensa o São Paulo

O diretor-executivo de futebol Raí, o diretor adjunto Fernando Chapecó e o gerente-executivo de futebol Alexandre Pássaro, no São Paulo - Rubens Chiri/saopaulofc.net
O diretor-executivo de futebol Raí, o diretor adjunto Fernando Chapecó e o gerente-executivo de futebol Alexandre Pássaro, no São Paulo Imagem: Rubens Chiri/saopaulofc.net

17/01/2020 12h00

Os principais nomes da diretoria de futebol do São Paulo deram uma entrevista coletiva na quinta-feira e falaram, entre outros temas, da delicada situação financeira do clube — houve déficit de R$ 180 milhões em 2019 e é certo que será preciso vender jogadores para equilibrar o caixa.

Abaixo, veja o que os dirigentes estão pensando sobre alguns temas extra-campo, como chegadas, saídas, o pagamento dos salários e luvas de Daniel Alves e o impacto que a contratação de Tiago Volpi por R$ 20 milhões terá.

A crise financeira

Raí, diretor de futebol:

"A situação do São Paulo não é diferente da situação da maioria dos clubes do Brasil. O São Paulo tem como positivo a formação de diversos jogadores talentosos que chamam a atenção do mercado. Em 2019 a gente investiu bastante, formou um grupo forte mesclando jogadores experientes, como o Daniel Alves, capitão da seleção brasileira, com a chegada e o amadurecimento de jovens que são ativos do clube. A gente sabe da responsabilidade financeira, que não é muito diferente da maior parte dos clubes brasileiros, e hoje temos um número grande de jovens que chamam a atenção do mercado. É questão de equacionar esses ativos. Hoje, além dos jogadores que chamam a atenção do mercado, também temos atletas já treinando com a gente há algum tempo, que podem ser substitutos à altura caso tenha uma saída".

Vai chegar alguém?

Raí:

"Estamos muito satisfeitos com o elenco que construímos nesses últimos anos, muito confiantes, mas obviamente a gente não fecha os olhos para o mercado, para oportunidades, e estamos sempre em troca de ideias com a comissão técnica para ver em qual posição a gente pode acrescentar. Não é a prioridade, mas estamos sempre atentos".

E os parceiros para pagar Daniel Alves?

Alexandre Pássaro, gerente de futebol:

"Esse pagamento não depende dos parceiros, esse pagamento já está no orçamento do São Paulo, o São Paulo já conta com isso. Caso entrem novos parceiros, além da DAZN (acordo já fechado que deve render R$ 5 milhões em três anos), esse valor é abatido e a gente vai costurando. Se houver novos parceiros, novas receitas, vai abatendo a diferença daí. Quando a gente assinou um contrato longo com o Daniel, não é para conseguir todos os parceiros nos primeiros seis meses de contrato. Isso pode acontecer ao longo do tempo, com a performance dele, com idas à seleção, a Copa do Mundo aquece o mercado... Do mesmo jeito que o nosso projeto esportivo para ele é longo, o projeto de arrumar parceiro é longo. Existe uma equipe interna e outra equipe externa trabalhando nisso e temos certeza que a oportunidade vai aparecer em breve".

Por que Daniel Alves recebe, além dos salários, parcelas semestrais mais robustas?

Alexandre Pássaro:

"Isso não é uma exclusividade do Daniel Alves. Hoje em dia, é natural que o jogador receba o salário por mês e que ao longo do ano receba algumas parcelas maiores que acertam um pouquinho o nível do que foi combinado. Isso não é só uma forma de jogar para a frente. Tem um outro motivo por trás: normalmente essas parcelas ficam para depois das janelas. É assim com Vitor Bueno, que assinou agora, com o Pablo... Esses valores caem em setembro, porque se a gente vender o jogador na janela a gente evita pagar esse valor. O caso do Daniel Alves não é diferente. É melhor que ele receba essas parcelas maiores já programadas do que no mês a mês, porque no mês a mês a gente tem necessidades para pagar aqui e ali e a coisa acaba acontecendo melhor assim".

Por que ninguém foi vendido nesta janela?

Alexandre Pássaro:

"A gente sentiu que, vendo as notícias que estavam circulando por aí, da questão do déficit, da necessidade de vendas, o mercado estava apostando nisso para talvez trazer valores para baixo pelos jogadores. Por isso que a gente acabou não concluindo algumas situações no ano passado. Por mais importante que seja o exercício fiscal, sentimos que não faria sentido depreciar um ativo nosso. Os jogadores do São Paulo, principalmente os mais novos, estarão sempre girando no mercado, entre os clubes grandes de fora. Mas o mais importante disso é ratificar que o São Paulo tem ativos. Se a gente quisesse resolver a nossa questão do dia para a noite, a gente podia fazer um pool e ativos e colocar tranquilamente R$ 300 milhões para dentro, mas não é o que a gente quer. Não é do que o São Paulo vive. O nosso desafio é encontrar o balanço entre vender os atletas na hora certa, pelo preço adequado, sem prejudicar o clube. Independentemente se algum jogador sair, o mais importante é que a estrutura do time vai continuar. Claro que podem sair um ou dois, a gente não tem uma sinalização concreta disso para falar. A sinalização concreta que a gente tem é que a espinha dorsal do nosso time permanece, e é isso que temos valorizado há algum tempo, não é de hoje".

Orçamento prevê economia na folha salarial

Alexandre Pássaro:

"Prefiro não falar em valores, até porque não se passou nenhum mês. Vou dar o exemplo do Hudson: ele está emprestado (ao Fluminense) pelo ano todo, a gente já pode contar com essa economia, mas ela só vai ser realizada quando ele ficar um ano lá, se esse empréstimo não se rescindir por algum motivo. Prefiro não falar em percentuais, mas a gente está trabalhando firme para essa meta de redução".

Impacto da compra de Volpi

Alexandre Pássaro:

"A gente conseguiu parcelar a entrada (de 2,5 milhões de dólares), conseguimos um prazo diferente (a entrada foi dividida em três vezes). A gente sabe que em algum momento do ano, uma parte desse valor precisa voltar de algum jeito, com alguma receita. E essa nova receita pode vir do próprio Volpi, do benefício que ele traz, das pessoas que ele ajuda a levar ao estádio, das camisas que ele vende, do ambiente que se cria com a permanência dele por quatro anos. Isso volta de algum jeito, talvez de uma forma não tangível, mas a gente trabalha para que não pese esse valor".

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