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Presidente explica por que Santos termina ano com 'interino' e sem diretor

Andres Rueda, presidente do Santos - Foto: Ivan Storti/Santos FC
Andres Rueda, presidente do Santos Imagem: Foto: Ivan Storti/Santos FC
Lucas Musetti Perazolli e Gabriela Brino

Do UOL, em Santos (SP)

29/10/2022 04h00Atualizada em 29/10/2022 14h50

Quando Lisca pediu demissão em setembro, o presidente Andres Rueda se surpreendeu e correu atrás de um treinador. Para piorar, o Santos também procurava um diretor para substituir Newton Drummond. O Peixe, porém, teve tentativas frustradas no mercado e optou por "soluções caseiras".

Rueda ouviu "não" de Marcelo Bielsa e Sebastián Beccacece e decidiu efetivar Orlando Ribeiro, do sub-20, até o fim do Campeonato Brasileiro. Para 2023, o Santos procura com calma um técnico "unânime". A gestão já teve Cuca, Ariel Holan, Fernando Diniz, Fabio Carille, Fabián Bustos e Lisca.

"Eu falei com muitos técnicos, vocês não têm ideia. Mas não encontramos ninguém que pensássemos: 'Boa, é ele'. Dias depois do Lisca sair e de não encontrarmos um substituto, avisei ao Orlando Ribeiro que ele ficaria até o fim do Brasileirão e passei a confiança necessária. Se não fosse para trazer um ótimo técnico, correríamos risco do profissional vir, demorar a se adaptar e encontrarmos novo risco de rebaixamento", disse Andres Rueda, em entrevista ao UOL Esporte.

O Peixe promete analisar o trabalho do Orlando, mas a tendência é de procurar outro profissional. Juan Pablo Vojvoda, do Fortaleza, é um dos alvos principais. O Santos fará proposta se o Leão não conseguir a renovação do contrato para 2023.

Com Bielsa, o Peixe falou por quatro horas, porém, não houve acerto. Já Beccacece também conversou por telefone com Andres Rueda, mas avisou que pretende trabalhar fora da América do Sul na próxima temporada.

"Eu tive uma aula com o Bielsa, conversei também com o Beccacece, e não conseguimos um acerto. Então, achamos melhor o Orlando. O mercado está muito difícil e não poderíamos errar. E mesmo com todos os problemas, estaríamos na zona de classificação para a Libertadores se não fossem erros graves da arbitragem contra o Santos", avaliou Rueda, antes da pergunta sobre mais um ano longe de títulos.

"Eu avisei que teríamos dois anos difíceis e que precisávamos sobreviver para ter um 2023 melhor. Tivemos um monte de problemas, pagamos muitas contas e acredito mesmo em um 2023 diferente, com mais contratações e manutenção da maior parte do elenco. E repito: a arbitragem, até aqui, afetou diretamente nossa luta por vaga na Libertadores. E esse é nosso objetivo desde o início da competição", completou.

Mesmo que encontre um novo comandante, o Santos decidiu que só anunciará depois do fim do Campeonato Brasileiro. A ideia é não "tumultuar o ambiente" nessa reta final, com sonho de vaga na Pré-Libertadores. O Brasileirão termina em 13 de novembro, e a reapresentação do elenco após as férias está marcada para 15 de dezembro.

"Hoje, até acabar o campeonato, eu quero ficar tranquilo. Trazer agora um diretor executivo, pô, vai mudar o ambiente. Trazer um técnico agora vai mudar. E a tabela nos permite isso. Tem férias... Entre novembro e dezembro consigo definir isso".

Quem será o diretor?

O Santos entende a necessidade de reforçar o departamento de futebol, mas encontra dificuldades no mercado. O Peixe busca aliar o conhecimento técnico com histórico de honestidade.

Frustrado com escolhas erradas durante a gestão, Rueda tenta evitar novos problemas. Newton Drummond durou um mês no cargo, até que o Santos descobriu um suposto favorecimento ao seu filho empresário.

"Ninguém tem carimbo de sou honesto ou não. Eu vou atrás. Eu não vivo pelo disse e me disse. Todo mundo quer opinar, dar conselho. Mas eu quebro as pernas, porque eu digo: 'Me dá um nome!'. Eu vou atrás. Faço tudo que você possa imaginar. Mas me fala um nome. 'Ah, você que é o presidente, você que tem que ter um nome'. Eu sei, mas está bem difícil", falou o presidente.

Como o mercado não oferece muitos nomes sem emprego, o Santos avalia profissionais que estão à frente de algum clube agora e podem aceitar um novo projeto. A ideia é ter esse diretor ainda em novembro.

Enquanto isso, Rueda acumula o papel de executivo de futebol e conta com a ajuda de Ricardo Luiz, gerente da base, e Diogo Castro, gerente de logística, no dia a dia do clube.

Luxa ficou no quase

Enquanto buscava treinador e diretor "unânimes", o presidente Andres Rueda aceitou jantar com Vanderlei Luxemburgo. A ideia era ter o experiente profissional como gerente.

Na conversa com Rueda, Luxa sugeriu assumir como técnico até o fim do Brasileirão e depois passar a cuidar do departamento de futebol em 2023. O presidente aceitou, mas o Comitê de Gestão vetou por 4 votos a 2.

"Achava que naquele momento, precisava vir... Eu tive uma conversa com ele e deixei claro o que ele poderia fazer e o que não. Não poderia contratar, por exemplo. Naquele momento, a gente estava com pressão de rebaixamento. A gente tem que entender a pressão, pô, a gente também é torcedor. Não é uma pedra de gelo. Mas levei ao Comitê de Gestão, vetaram, e vida que segue. Ninguém é mais democrático que eu", concluiu.

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