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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Travesti, colunista do UOL conta ida ao jogo do Palmeiras após a transição

Colaboração para o UOL, em Aracaju

25/05/2022 16h56

Palmeirense e nova colunista do UOL, a travesti Amara Moira passou uma década longe de um estádio de futebol por medo. Ontem (24), na goleada do Palmeiras por 4 a 1 sobre o Deportivo Táchira, que garantiu ao time de Abel Ferreira a melhor campanha da história da fase de grupos da Libertadores, ela voltou a pisar numa arquibancada. De quebra, esteve pela primeira vez no Allianz Parque.

Na Live do Danilo e do Vitão, transmitida nesta quarta-feira (24) pelo UOL Esporte, Amara contou a história de como virou torcedora do Verdão e a experiência de voltar ao estádio de futebol depois da transição.

"Comecei a torcer para o Palmeiras no começo da Era Parmalat, mas ainda assim estou impressionada com o que está acontecendo agora, a capacidade de ganhar é enorme. Fui sócia durante um tempo, frequentei estádios antes da minha transição, de me afirmar Amara, de me colocar como travesti no mundo. Depois que comecei minha transição, frequentar o espaço do estádio se tornou temerário."

"Ontem, inclusive, voltei a me associar e a ir no estádio depois de 10 anos. Fazia 10 anos que eu não pisava no estádio por medo da violência, por entender que é um espaço em que a LGBTfobia é muito forte, mas ontem eu fui e quero contar um pouco disso, de como os LGBT's estão começando a fazer parte desse universo que antigamente se pensava que não tinha nada de LGBT", relatou.

"Ontem fui sozinha e cheguei com muito medo, de já na rua alguém encrencar comigo, de dizer 'o que você está fazendo aqui', e sinto que fiquei muito retraída. As arquibancadas são muito exprimidas, as pessoas ficam muito coladas, fiquei quietinha, tentei não criar nenhum tipo de mal-estar ou incômodo, então estou tentando sondar, descobrir que lugar é esse e se vou ter algum tipo de obstáculo, se vou ter problemas para frequentar os estádios a partir de agora", completou Amara.

Em sua primeira coluna publicada hoje no UOL, ela conta como a relação entre o futebol e as travestis está mudando nos últimos anos. Apesar disso, Amara ainda enxerga o estádio de futebol como um espaço de muita violência real e simbólica.

Na opinião da doutora em teoria e crítica literária pela Unicamp, a solução do problema não passa apenas pela repressão, mas pela conscientização das pessoas em particular e da sociedade em geral.

"A gente fala muito sobre homofobia, gritos de torcida, mas a questão não é apenas a homofobia. Existe um ambiente muito forte de violência contra mulheres, LGBT's, questões racistas que estão tendo agora muito holofote", disse Amara na Live do Danilo e do Vitão.

"Para mim não é uma questão de tentar resolver isso apenas de proibindo e criminalizando, jogar na cadeia, é um justamente um debate da sociedade. Se tem pessoas gritando aquilo ali, se sentindo confortável para gritar esse tipo de coisa ali, significa que enquanto sociedade estamos criando essa possibilidade, pessoas que se sentem confortáveis para dizer essas coisas. Vamos precisar de uma solução que olhe para o todo, não apenas individualize a culpa", opinou.

A próxima edição da Live do Danilo e do Vitão será na sexta (27). Você pode acompanhar a live pelo Canal UOL, no app Placar UOL, na página do UOL Esporte ou no canal do UOL Esporte no Youtube.

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