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Futebol Sem Fronteiras

O jogo por trás do jogo. Com Jamil Chade e Julio Gomes


OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Futebol sem Fronteiras #50: Milan renasce e está perto de título italiano

Do UOL, em São Paulo

19/05/2022 17h00

Classificação e Jogos

Potência do futebol italiano e europeu, o Milan passou as últimas temporadas relegado a um papel secundário até mesmo dentro de seu próprio país. Com campanhas discretas, o clube rossonero viu Juventus, Internazionale e Napoli como protagonistas nas disputas domésticas e continentais. Mas o jogo virou, e a equipe está a apenas um ponto de conquistar o título italiano após um hiato de onze anos.

No podcast Futebol sem Fronteiras #50 (ouça na íntegra no episódio acima), o colunista Julio Gomes e o correspondente internacional Jamil Chade conversaram com Leonardo Bertozzi, comentarista dos Canais Disney e especialista em futebol italiano. Eles explicaram como o Milan, desacreditado no início da temporada, deu a volta por cima e está muito perto do título italiano.

"Fico muito feliz com a situação do Milan por um motivo. Sempre recebemos mensagens do tipo 'que saudades do Milan dos holandeses', ou 'do Milan do Kaká, Ancelotti, Seedorf e Dida'. A referência ao Milan era sempre no passado e parecia um clube que viveria de suas glórias do passado. Mas quem conhece o Milan sabe que ele já teve momentos muito piores do que os da última década", disse Bertozzi.

O comentarista explicou que o clube amargou duas quedas para a segunda divisão, uma delas pelo envolvimento em um escândalo de manipulação de resultados, que ficou conhecido como Totonero. "Quando o [Silvio] Berlusconi assume nos anos 80, o Milan já havia ido para a Serie B por escândalo. Depois, foi rebaixado em campo. Ou seja: teve dois rebaixamentos, um administrativo e outro esportivo. Essa década terrível que o Milan viveu, ficando sete anos fora da Liga dos Campeões e longe da disputa pelo título italiano é uma época difícil, mas que faz parte do ciclo dos clubes", explicou Bertozzi.

O renascimento do Milan também anima Jamil, que vê espaço para o clube novamente figurar entre as potências do continente. "É um debate muito interessante. Essa história tem muitas camadas, mas a principal é aquela de 'é um time do passado e que não tem lugar entre os novos ricos europeus'. Mas o Real Madrid também é um grande do passado e que se mantém", comentou o correspondente internacional e colunista do UOL.

O segredo para o Milan voltar aos dias de glória passa por um dos nomes mais icônicos da história do clube: Paolo Maldini. Multicampeão como jogador, hoje ele atua ao lado de Frederic Massara como dirigentes. "O projeto esportivo do Milan tem o Maldini como seu grande nome. As missões eram reduzir custos, voltar para a Champions e valorizar o clube para que ele fosse um ativo", afirmou Bertozzi. O ex-zagueiro assumiu o cargo de diretor de desenvolvimento estratégico da área esportiva em 2018, logo após o fundo Elliott Management passar ao controle do clube com o calote dado pelo empresário chinês Li Yonghong, então homem-forte do Milan.

O trabalho de Maldini logo começou a dar frutos, como mostrou Bertozzi. "Nesses últimos anos, o Milan conseguiu reduzir muito a folha salarial. Os chineses deixaram uma gestão péssima: gastaram muito dinheiro e mal, fazendo um time que não foi competitivo. O Maldini foi mais astuto na prospecção de jogadores, sem ser refém de empresário. Ele é o artífice desse crescimento. Sem ele, dificilmente falaríamos de um Milan provavelmente campeão no domingo", elogiou o jornalista, citando as contratações do goleiro Mike Maignan e do atacante Rafael Leão como contratações certeiras.

Julio celebrou o sucesso do ex-jogador como dirigente. "Ele não despontou como dirigente esportivo. O Maldini tem uma história de 20 anos no clube, jogando e mais ganhando do que perdendo. É uma figura muito emblemática do Milan. Que bom que ele também soube construir a equipe", destacou o colunista do UOL.

Taça na mão

O Milan lidera a Serie A com 83 pontos, dois a mais do que a arquirrival Internazionale. Na última rodada do campeonato, os rossoneri visitam o Sassuolo no domingo (22), enquanto a Inter recebe a Sampdoria. As duas partidas começam às 13h (horário de Brasília), com acompanhamento do Placar UOL.

"O Milan precisa apenas de um empate. Contra folhas salariais maiores, como a da Juventus, e contra o atual campeão e grande rival, a Inter. Está a um ponto de um título para o qual não era o grande favorito. Por isso, a expectativa e a ansiedade estão muito grandes. Será uma tarde histórica", contou Bertozzi. A euforia da torcida rossonera se mede pela alta procura por ingressos para a partida decisiva, o que derrubou o site do Sassuolo.

O comentarista elegeu o momento-chave para o Milan deslanchar na temporada e partir rumo ao título. "A grande virada foi o dérbi. No do segundo turno, a Inter jogou melhor e fez 1 a 0. De repente, apareceu o Giroud, fez dois gols e o Milan ganhou. A partir desse jogo, a Inter começou a ter dúvidas e tropeçar", concluiu.

Ouça o podcast Futebol sem Fronteiras e confira também como o Milan se prepara para manter o protagonismo. Julio, Jamil e Bertozzi detalham como está o processo de venda do clube, cujo controle pode passar para um grupo do Bahrein. Eles também falam da construção do império de Silvio Berlusconi, e como ele foi de um cantor de cruzeiros até o posto de homem mais poderoso da Itália.

Não perca! Acompanhe os episódios do podcast Futebol sem Fronteiras todas as quintas-feiras às 16h no Canal UOL.

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