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Draft da Copinha: Quem poderia ajudar seu time e por que Endrick não é nº 1

Copinha foi vitrine de 3.759 jogadores na edição deste ano, e os melhores já se mostram prontos para o profissional - Divulgação/Mirassol
Copinha foi vitrine de 3.759 jogadores na edição deste ano, e os melhores já se mostram prontos para o profissional Imagem: Divulgação/Mirassol

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

24/01/2022 16h44

A Copa São Paulo de Juniores chega ao fim nesta terça-feira (25), na final entre Palmeiras e Santos no Allianz Parque, mas os destaques da competição têm tudo para dar o passo seguinte e subir ao profissional. O UOL Esporte lista abaixo um ranking dos 20 grandes talentos da Copinha e propõe uma brincadeira: se o torneio que mais revela jogadores no Brasil tivesse um "draft", como há nas ligas americanas, qual destaque seu clube deveria escolher primeiro?

A limitação a 20 nomes deixa fora jogadores que também fizeram boa Copinha, como o zagueiro Kawan (Botafogo), o lateral Nathan (São Paulo) e principalmente o meia Ed Carlos (Santos). Também perderam espaço os que tiveram azar e jogaram menos tempo do que poderiam (como o lateral santista Sandro Perpétuo, lesionado, ou o meia Guilherme Biro, eliminado cedo com o Corinthians). Os critérios para as posições no ranking são: talento mostrado no torneio, idade e desempenho prévio no profissional para quem já foi testado.

#1 Vitinho (São Paulo)

Vitinho, destaque do São Paulo sub-20, comemora gol marcado na Copinha 2022 - Marcello Zambrana/AGIF - Marcello Zambrana/AGIF
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

Melhor da Copinha, é um jogador moderno que pode contribuir no ataque de diversas maneiras. Tem um talento impressionante com a bola e mostra inteligência quando está sem ela, atacando espaços e funcionando muito bem como falso 9. Faz bons passes para os pontas e tem facilidade de fazer gols. Aos 20 anos, está pronto para estourar, mas o São Paulo pode perdê-lo de graça porque o contrato termina na metade deste ano.
Cairia bem: em qualquer time do Brasil que valoriza a posse de bola. E também em alguns do exterior, ao que parece, pois já está sendo monitorado.

#2 Endrick (Palmeiras)

Endrick, do Palmeiras, comemora gol marcado na Copinha 2022 - Marcello Zambrana/AGIF - Marcello Zambrana/AGIF
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

Pode ser o grande talento da próxima geração, pois é um destes jogadores que surgem muito raramente não só no Brasil, mas no mundo inteiro. O que ele faz contra marcadores cinco anos mais velhos é de cair o queixo, e os golaços (de cavadinha, de bicicleta?) só aumentam o entusiasmo de quem vê. A precocidade impressiona e às vezes é até difícil assimilar, mas ele tem idade para jogar a Copinha até 2027. Só não lidera esta lista justamente por ser "jovem demais": ainda não poder sequer disputar os campeonatos nacionais como profissional.
Cairia bem: em qualquer clube do mundo. Se bem lapidado, pode se tornar o grande nome do futebol brasileiro.

#3 John Kennedy (Fluminense)

John Kennedy, atacante do Fluminense, comemora gol em clássico Fla-Flu em 2021 - Thiago Ribeiro/AGIF - Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Atacante já bem conhecido no futebol nacional porque virou profissional ainda em 2020. Aos 19 anos, tem ótima orientação de espaço, personalidade de jogador experiente e sabe fazer gols. Ao contrário da maioria desta lista, já mostrou seu valor entre os profissionais: foi herói de um Fla-Flu e soma quatro gols no Brasileirão. Na Copinha mostrou que de fato está acima dos demais na sua idade.
Cairia bem: em times que usam atacantes móveis, que ajudam a abrir a defesa adversária.

#4 Lucas Pires (Santos)

Lucas Pires, lateral do sub-20 do Santos, durante partida da Copinha 2022 - Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC - Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC
Imagem: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Lateral com vocação para o ataque, que escapa com facilidade da marcação e chega muito bem na linha de fundo. Tem características de ala e destaque muito maior atacando, mas nesta Copinha já mostrou ser capaz de jogar em uma linha de quatro sem comprometer. Trocou o Corinthians pelo Santos em julho e agora já deve subir ao profissional. Se consolidar a evolução na defesa, pode ser um dos melhores da geração em uma posição de raras unanimidades.

Cairia bem: no próprio Santos, que no elenco principal tem apenas Felipe Jonatan na posição, e em qualquer time que use alas.

#5 Fabinho (Palmeiras)

Fabinho, volante do sub-20 do Palmeiras, em ação durante a Copinha 2022 - Fabio Menotti/SE Palmeiras - Fabio Menotti/SE Palmeiras
Imagem: Fabio Menotti/SE Palmeiras

A fábrica palmeirense de bons volantes não para. Fabinho é um meio-campista intenso, inteligente, o melhor da posição nesta Copinha. Bem posicionado para a saída de bola, sente-se confortável na função de organizador do time e tem técnicas para passes curtos ou longos. Ainda tem boa chegada ao ataque e está prontinho para subir ao profissional.
Cairia bem: no próprio Palmeiras de Abel Ferreira, que depende de meio-campistas modernos, e em times que precisam compor elenco no setor (Flamengo, por exemplo).

#6 Estêvão (Internacional)

Meia de raciocínio rápido que é um perigo puxando contra-ataques. Dribla em velocidade, tem fôlego para jogadas longas e visão de jogo muito boa para invertidas de bola. O principal, porém, é a capacidade de conduzir e finalizar de esquerda ou direita, inclusive fez gols da intermediária nesta Copinha, um com cada pé.
Cairia bem: no próprio Inter, que precisa de profundidade no meio-campo do profissional, e também principalmente em times que valorizam ataques rápidos e contra-ataques.

#7 Lucas Barbosa (Santos)

Atacante de técnica refinada e imposição física, de oportunismo e boa noção de jogo aéreo. Aos 20 anos, tem gosto pelo gol e potência na finalização, uma combinação que tem tudo para dar certo no profissional. Cresceu no mata-mata, foi decisivo na campanha do Santos e só não está mais para cima neste ranking porque perdeu a final por acúmulo de cartões amarelos.
Cairia bem: no próprio Santos, que pode potencializar seu talento, e em times que buscam opções para o ataque (São Paulo, por exemplo, ou Flamengo, afinal tem um quê de Bruno Henrique).

#8 Rwan Seco (Santos)

Atacante muito participativo, que está sempre bem colocado para receber em velocidade. Qualquer espaço mínimo já lhe é suficiente para tentar a finalização, e não à toa ele fez gols de todos os jeitos na Copinha. Aos 20 anos, precisa ganhar massa muscular para ser centroavante, mas ainda assim é um grande acerto do Santos, que o comprou por apenas R$ 700 mil em dezembro.
Cairia bem: no próprio Santos, quem sabe seguindo os passos de Marcos Leonardo.

#9 Andrey Santos (Vasco)

Volante muito promissor, completo, que ainda aos 17 anos organizou o meio-campo de sua equipe na Copinha. É intenso na marcação, ocupa bem os espaços e também joga, sempre de cabeça erguida. Caso raro de marcador que tem o drible curto, o que ajuda muito a armar um contra-ataque. É titular da seleção brasileira sub-18.
Cairia bem: no próprio Vasco, que precisa de opções para o setor, e em times que usam volantes modernos (como Palmeiras ou Flamengo).

#10 Gabriel Tota (Mirassol)

Meio-campista dinâmico e versátil, com ótima aceleração e boa chegada à área. Costumava atuar como volante, mas foi usado mais à frente nesta Copinha e mostrou ser capaz de fazer as duas funções. Os gols que marcou no torneio mostram sua polivalência (teve de chute cruzado a cabeceio na bola parada). Bem desenvolvido fisicamente, parece estar pronto para o profissional.
Cairia bem: em times que buscam opções versáteis para o meio-campo (como Flamengo ou Botafogo).

#11 Diogo (América-MG)

Ponta direita tradicional do futebol brasileiro: rápido, habilidoso e um pesadelo para laterais lentos. Prestes a fazer 20 anos, sabe driblar em aceleração, tem uma canhota afiadíssima e joga invertido, o que lhe dá ângulo para os chutes cruzados.
Cairia bem: no próprio América-MG, quem sabe um herdeiro de Ademir, ou em times que buscam pontas dribladores (como Flamengo ou Inter).

#12 Lucas Beraldo (São Paulo)

Impressiona pelo grau de maturidade e parece ter nível para o profissional mesmo com apenas 18 anos. Tem bom posicionamento, versatilidade para jogar nos dois lados da zaga e é seguro na função de zagueiro, mas seu diferencial está na saída de bola. Canhoto, encontra passes construtivos, com propósito, e não raro contribui na criação de jogadas de gols. Tem funcionado bem ao lado de companheiro de zaga mais forte (na Copinha esta função foi de Luizão).
Cairia bem: no próprio São Paulo, que procura um zagueiro reserva, e em times na mesma condição (Flamengo, por exemplo).

#13 Felipe Augusto (Corinthians)

A curta participação da equipe na Copinha não deu tanto espaço para os destaques da base alvinegra, mas Felipe Augusto mostrou ser promissor. Aos 17 anos, já tem físico de sub-20, boa finalização e ótima noção de espaço para a função de pivô. Já tem minutos como profissional, mas por enquanto deve seguir compondo as categorias de base.
Cairia bem: no próprio Corinthians. ainda que neste momento o clube prefira um camisa 9 "de peso".

#14 Jhonny (Fluminense)

Lateral direito muito participativo, que contribui no ataque como um meia e está toda hora na linha de fundo. Aos 19 anos, tem boa ultrapassagem e calma na hora do passe -nunca cruza de cabeça baixa. Na defesa não compromete, mas seu forte está mesmo do meio para frente.
Cairia bem: em times que usam alas (como o Santos) ou que têm disputa aberta pela posição (como o Inter).

#15 Popó (Oeste)

Centroavante clássico: alto, forte e com noções de posicionamento dignas de jogar experiente, ainda que tenha 20 anos. Foi um dos artilheiros da Copinha com oito gols e fundamental na campanha da equipe, que baseou todo o ataque em sua presença de área e ótima proteção de bola para a função de pivô.
Cairia bem: em times que precisam de uma opção de atacante brigador e bom na bola aérea.

#16 Matheus França (Flamengo)

Jogador tão versátil que chega a ser difícil defini-lo como meia ou atacante. Sabe ser segundo volante, mas também falso 9; pode ser usado nas alas, mas vai bem mesmo é como armador com liberdade para criar. Tem apenas 17 anos, mas está integrado ao elenco que disputa o começo do Campeonato Carioca e tem a maior multa rescisória da história do Flamengo (100 milhões de euros).
Cairia bem: no próprio Flamengo, que o valoriza muito e tem espaço no elenco para um meio-campista jovem.

#17 Figueiredo (Vasco)

Deixou a Copinha como um dos artilheiros, com oito gols e um deles impressionante, de muito longe. É ótimo finalizador e tem bom posicionamento, mas a vantagem física que tem na base desaparece entre os profissionais. Mostrou pouco durante a Série B do ano passado, quando esteve no time principal, mas se bem trabalhado pode ser um bom atacante.
Cairia bem: no próprio Vasco, que precisa de alternativas jovens em uma temporada que promete ser dura.

#18 Kayke David (Flamengo)

Meia ofensivo que foge do óbvio, joga para frente e encontra passes onde parece não haver espaço. Tem só 18 anos e ainda precisa crescer fisicamente, ainda mais se pretende jogar de segundo volante (como nesta Copinha), mas já mostra visão e execução de jogo acima da média. Em todas as atuações no torneio, deu pelo menos um gol feito por jogo aos atacantes e ainda mostrou habilidade para se virar individualmente.
Cairia bem: no próprio Flamengo, cujo estilo de jogo pode beneficiá-lo enormemente, mas seria interessante ter mais uma ou duas temporadas na base.

#19 Carlos Biro (Athletico)

Volante de apenas 17 anos que já sabe controlar um meio-campo e distribuir ataques como um meia. Especialista na invertida de jogo, não raro deixa o lateral em condições de cruzar, mas também vai bem por dentro: quando escapa do primeiro combate pode deixar o atacante na cara do gol. Defensivamente é seguro e tem porte físico exigido pela posição, mas tem margem para melhorar.
Cairia bem: em times que precisam de um volante participativo, que contribua não apenas tocando de lado.

#20 Raí (Botafogo)

Meio-campista de canhota muito habilidosa e ótima visão para a distribuição de jogo. Aos 19 anos, sabe chutar no gol e principalmente servir os atacantes nas costas da defesa adversária, pois mostra precisão para dar o passe no momento certo, seja curto ou em profundidade.
Cairia bem: em times com carência na criação de jogadas.

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