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Botafogo tinha dois pontos a mais do que o Cruzeiro quando buscou Enderson

Botafogo arrancou para o título da Série B após a chegada de Enderson Moreira - JORGE RODRIGUES/ESTADÃO CONTEÚDO
Botafogo arrancou para o título da Série B após a chegada de Enderson Moreira Imagem: JORGE RODRIGUES/ESTADÃO CONTEÚDO

Victor Martins

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte (MG)

22/11/2021 04h00

São 22 pontos a distância entre Botafogo e Cruzeiro. Enquanto o primeiro confirmou o título da Série B com uma rodada de antecedência, o segundo ficou livre de qualquer risco de rebaixamento apenas na penúltima rodada da competição. O clube carioca retorna à Série A uma temporada após o rebaixamento, enquanto a Raposa disputará a Segunda Divisão pelo terceiro ano consecutivo. Cenários que são completamente distintos. Mas não era assim na metade do primeiro turno.

Após a 13ª rodada, o Botafogo tinha somente dois pontos a mais do que o Cruzeiro. A equipe da Estrela Solitária tinha 13 pontos (com um jogo atrasado), contra 11 do time estrelado. Foi esse o cenário que o técnico Enderson Moreira encontrou quando chegou ao Estádio Nilton Santos. O Glorioso precisava de 66% de aproveitamento para conseguir o acesso. Naquele momento parecia algo improvável.

Mas o Botafogo conseguiu mais. O aproveitamento sob o comando de Enderson Moreira é de 74%. Já o Cruzeiro, que tinha 11 pontos na 13ª rodada, somou mais 36 em 72 possíveis. O aproveitamento celeste é de exatos 50%. O bastante para não cair, mas pouco para quem sonhava com o acesso.

O mesmo Enderson que recuperou o Botafogo e conquistou a Série B em 2021, foi quem iniciou a Série B do ano passado pelo Cruzeiro. O começo foi animador, com três triunfos consecutivos. Aliás, até hoje, é a única vez que a Raposa venceu por por três rodadas seguidas em duas temporadas na Segunda Divisão. Mas Enderson pagou caro pela punição que o clube recebeu da Fifa.

Por causa de uma dívida com o Al-Wahda, dos Emirados Árabes, o Cruzeiro começou a Série B de 2020 devendo seis pontos. Não fosse a punição, a Raposa teria entrado na zona do rebaixamento nas primeiras rodadas da edição passada. A sequência de jogos sem vitórias e a presença entre os quatro últimos colocados geraram uma pressão que a diretoria cruzeirense foi incapaz de segurar.

"Se eu fosse presidente, eu mandaria técnico e comissão técnica embora hoje. Não era amanhã. Era hoje. O time tem que tomar atitude. Esse lenga lenga não tem como continuar, não. Nós estamos perdendo jogo, o cara tira meio de campo, tira atacante. Como vai empatar se não tem atacante? Mandaria embora hoje. Não sobraria um", disse Pedro Lourenço, patrocinador do clube, em entrevista à Rádio Super 91,7 FM.

A declaração foi depois da derrota para o América-MG, por 2 a 1, pela 6ª rodada da Série B. É necessário entender de quem se trata para ter a real noção do impacto dessa entrevista. Pedrinho é mais do que patrocinador do clube. Dono de uma rede de supermercados, é ele quem socorreu financeiramente a diretoria cruzeirense sempre que necessário. Prevaleceu o desejo dele. Dois jogos depois, contra Brasil-RS e CRB, o treinador não resistiu. Enderson Moreira foi demitido pelo Cruzeiro, que contratou Ney Franco, em agosto do ano passado.

Mais de um ano depois, o sucesso de Enderson Moreira no Botafogo despertou debates entre os cruzeirenses. Inclusive de quem teve participação direta na chegada do treinador à Toca da Raposa. É o caso de Carlos Ferreira, um dos membros do Conselho Gestor, que geriu o Cruzeiro entre a renúncia de Wagner Pires de Sá, em dezembro de 2020, e a posse de Sérgio Rodrigues, em junho de 2020.

"CG (Conselho Gestor) contratou o Enderson com 92% de aprovação da torcida. Não tiveram paciência com ele, fruto do imediatismo, resultado: Ele com o Bota na série A e nós continuamos na B", postou o ex-dirigente cruzeirense no Twitter, em 15 de novembro.

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