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Irregularidade nas alas e saída de bola fazem Carille usar 3-5-2 no Santos

Velázquez é o único jogador com lugar garantido na zaga do Santos - Fernanda Luz/AGIF
Velázquez é o único jogador com lugar garantido na zaga do Santos Imagem: Fernanda Luz/AGIF

Do UOL, em São Paulo

26/10/2021 04h00

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O sistema de três zagueiros implementado no Santos por Fábio Carille rendeu críticas. Aos olhos dos torcedores, ele foi um dos culpados pela falta de gols que vem assombrando o dia-a-dia alvinegro e contrariou uma das premissas do clube: a de sempre buscar o ataque. Abrir mão dessa formação, contudo, é um problema em um elenco tão enxuto e que passa por problemas técnicos sob grande risco de cair para a Série B do Campeonato Brasileiro.

No sábado passado (23), contra o América-MG, Carille tentou lançar seu time ao ataque. Aproveitou a suspensão de Wagner Palha para colocar entre os titulares um lateral esquerdo de ofício: Felipe Jonatan. Dessa forma, Lucas Braga foi empurrado para o ataque, onde atuou ao lado de Tardelli e Marinho. Nas demais posições, também precisou ajustar o lado direito da defesa, com a entrada de Pará em lugar de Marcos Guilherme. O miolo de zaga teve Danilo Boza e Emiliano Velázquez.

O resultado disso tudo foi desastroso. O Peixe teve dificuldade na saída de bola contra uma marcação pressão do América-MG e não conseguiu conter a rapidez dos adversários, que rondou o gol alvinegro e quase marcou em três oportunidades nos primeiros 20 minutos. Em especial, Felipe Jonatan foi facilmente batido por Ademir, o destaque no triunfo do Coelho por 2 a 0 em uma Vila Belmiro com cerca de 7 mil torcedores. Quando foi ao ataque, o Santos não foi capaz de assustar a meta americana e viu sua estratégia ruir em um contra-ataque que terminou com um pênalti e uma expulsão no fim do primeiro tempo.

Depois de uma das piores atuações do time na gestão de Carille, a tendência é a retomada do esquema anterior para a partida contra o Fluminense, amanhã (27), às 19 horas, na Vila Belmiro, em duelo que foi adiada da 23ª rodada. Após cumprir suspensão, Wagner Palha deve retomar seu lugar entre os titulares, com o atacante Lucas Braga indo para o banco de reservas. Outra novidade deve ser a entrada de Vinícius Balieiro na vaga de Camacho, contundido e suspenso. O confronto é decisivo para o Peixe, que precisa ganhar para sair do grupo dos últimos quatro colocados. E ainda melhorar o retrospecto atual. Sob o comando de Carille, o Peixe tem uma vitória, quatro empates e quatro derrotas, com três gols marcados e dez sofridos.

Mesmo com as críticas da torcida e com a falta de poderio ofensivo, o Santos tem mostrado necessidade de atuar com um trio de beques. Entenda os motivos que fazem o Peixe adotar um sistema de jogo que é incomum em sua história:

Falta de volante de ofício

Carille é conhecido por ser um treinador que gosta de atuar com um volante de ofício. Foi assim em seus três anos de maior sucesso, entre 2017 e 2019, quando deu a Gabriel, no Corinthians, a função de proteger a defesa em um sistema 4-1-4-1. Quando chegou ao Santos, essa carência foi logo detectada. O único volante do elenco -Alison- havia acabado de ser negociado com um clube da Arábia Saudita. Vinícius Balieiro é jovem e ainda atravessava uma fase de renovação contratual. Com isso, Camacho seguiu como dono da posição, embora o treinador não o veja como um exímio cabeça-de-área.

Fragilidade dos laterais

Não é de hoje que se nota a limitação nas laterais do Santos. Do lado direito, Pará foi o dono da posição por muito tempo. Depois de tantas críticas, acabou trocado por Madson quando o time ainda era comandado por Fernando Diniz. Na esquerda, Felipe Jonatan também nunca teve grande aceitação e sofre com dificuldade para acompanhar jogadas de velocidade em seu setor. Como Camacho e Zanocelo -os volantes no sistema de Carille- também não são especialistas em cobertura nas laterais, a presença de um terceiro zagueiro não sobrecarrega os meio-campistas.

Maior mobilidade nas pontas

Com a falta de regularidade dos laterais santistas e a lesão que tem atrapalhado o desempenho de Madson, uma das soluções de Carille foi escalar atacantes nas alas. Essa ousadia, porém, só seria possível com a utilização de um trio de zaga. Marcos Guilherme e Lucas Braga, que vinham sendo os escolhidos para aumentar a agressividade pelos lados do campo, não conseguiriam, segundo o treinador, atuar em uma linha de quatro defensores. Mas como alas, teriam condições de dar maior amplitude ao ataque alvinegro.

Qualidade técnica na defesa

O Santos terminou a temporada passada com uma dupla de zaga de dar inveja a qualquer time no Brasil. Lucas Veríssimo e Luan Peres foi a parceria que ajudou a levar o Peixe ao vice-campeonato da Libertadores sob o comando de Cuca. Ambos os jogadores se transferiram para o futebol europeu e deixaram um desfalque sentido até hoje. A única contratação para reforçar a defesa foi o uruguaio Emiliano Velázquez, que vem cometendo falhas e fez contra o América-MG sua pior atuação.

Alta rotatividade na zaga

Desde que a temporada começou, o Santos já utilizou oito jogadores na zaga. Luan Peres, que foi titular absoluto até a hora de se transferir para o Olympique de Marselha, teve Kaiky e Luiz Felipe como parceiros. Na sequência, já ganharam chance Danilo Boza, Vinícius Balieiro (de maneira improvisada), Robson Reis, Wagner Palha e Emiliano Velázquez. No momento, Carille aguarda a recuperação de Kaiky e Luiz Felipe, que estão há quase três meses no departamento médico, para compor a defesa ideal ao lado de Velázquez.

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