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Torcedores do Fla têm passagens para final desde fase de grupos da Liberta

Diversos rubro-negros compraram passagem para a final da Libertadores em Montevidéu antecipadamente - Arquivo Pessoal
Diversos rubro-negros compraram passagem para a final da Libertadores em Montevidéu antecipadamente Imagem: Arquivo Pessoal

Bruno Braz e Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

29/09/2021 04h00

Classificação e Jogos

Até que ponto você confia no seu time? Para centenas de torcedores do Flamengo, este sentimento fica exemplificado no planejamento que fizeram nesta Copa Libertadores. Muitos deles estavam tão otimistas sobre a campanha da equipe que simplesmente resolveram comprar passagens para Montevidéu (URU) — local da final da competição — desde a fase de grupos. Hoje (29), o Fla encara o Barcelona (EQU), às 21h30, no Monunental, em Guayaquil. No jogo de ida, vitória rubro-negra por 2 a 0.

A euforia com a possibilidade de um tricampeonato do torneio sul-americano superou até mesmo as adversidades, como a falta de garantia de liberação de público no estádio e a indefinição em relação à carga de ingressos. Muitos dos que já se anteciparam estiveram presentes no bicampeonato em Lima (PER) e viveram aventuras, no mínimo, curiosas na cidade peruana.

Mesmo ainda com a decisão de hoje (29) pela frente contra o Barcelona de Guayaquil (EQU), pela volta das semifinais, alguns voos já estão reservados para torcedores rumo à decisão na capital uruguaia, que acontecerá no dia 27 de novembro no histórico estádio Centenário.

"Galera falou que eu era louco quando comprei"

Um dos muitos otimistas que estão com a passagem comprada para Montevidéu é o empresário Vitor Miranda. Carioca que, atualmente, mora em São Paulo, ele emitiu o bilhete ao final da fase de grupos.

Vitor Miranda na final de Lima, em 2019: agora comprou passagem para Uruguai assim que Fla avançou às oitavas - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Vitor Miranda na final de Lima, em 2019: agora comprou passagem para Uruguai assim que Fla avançou às oitavas
Imagem: Arquivo Pessoal

"Galera falou que eu era louco quando comprei, mas é o que falo: 'eu estava dançando e era chamado de louco por aqueles que não escutavam a música'. Amigos, esposa... Enfim, todo mundo em volta, mas eu e a galera que foi comigo para Lima firmamos um pacto de que sempre quando o Fla estiver em final de Libertadores, nós iremos", declarou Vitor, que em 2019 estava no título em Lima (PER).

Companheiro de Vitor na capital peruana, o engenheiro Leonardo Ribeiro traduz ao pé da letra o espírito do rubro-negro, ainda mais em tempos de conquistas sucessivas.

"A confiança no tri da Libertadores é total. Depois de 2019 ficamos mal acostumados. Rubro-negro é assim, confiante, otimista e apaixonado. Comprei minha passagem para o Uruguai ainda nas oitavas, sem ao menos saber se teríamos público na final e até mesmo se conseguiríamos entrar no Uruguai. Muitas incertezas em tempos de pandemia e apenas uma certeza: o Fla jogará no Centenário no dia 27 de novembro", cravou.

Preocupação com preços: "Passagens irão encarecer"

Além do otimismo, o que também motivou os "apressados" rubro-negros a comprarem antecipadamente as passagens foi a inflação que o preço dos bilhetes aéreos teriam caso o Rubro-Negro confirmasse sua classificação para a decisão.

Leonardo Ribeiro na final do Fla de 2019, em Lima: comprou passagem para Montevidéu este ano nas oitavas - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Leonardo Ribeiro na final do Fla de 2019, em Lima: comprou passagem para Montevidéu este ano nas oitavas
Imagem: Arquivo Pessoal

"Medo a gente sempre tem. É uma aposta. Estava ciente de que a qualquer momento o Fla poderia ser eliminado como ainda pode, mas fico já pensando no futuro. Se o Fla realmente confirmar a ida para a final, as passagens estarão completamente fora da realidade, então prefiro arriscar. Se houver algum problema, faço turismo ou cancelo", declarou Vitor.

Além da questão financeira, entrou também na jogada a superstição. É o caso do especialista em gestão de patrimônio Leonardo Boyd, que preferiu seguir os mesmos passos de Lima:

"Estava protegendo porque sabia que, com o Fla passando, as passagens irão encarecer. E também um pouco de superstição. Como em 2019 eu comprei nas quartas, pensei em comprar na mesma fase que deu sorte, mas não estou com medo, não".

"Perrengue" em 2019 deixou rubro-negra precavida

Toda a confusão gerada na final de 2019 — que mudou de Santiago para Lima praticamente em cima da hora — fez com que os rubro-negros que lá estiveram presentes ficassem mais precavidos. Caso da secretária-executiva Laura Schnoor, que viveu uma verdadeira saga para assistir ao vivo o título na capital peruana.

Laura Schnoor na final de 2019, em Lima: rubro-negra comprou a passagem para Montevidéu em julho deste ano  - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Laura Schnoor na final de 2019, em Lima: rubro-negra comprou a passagem para Montevidéu em julho deste ano
Imagem: Arquivo Pessoal

Na ocasião, ela teve dificuldade no processo de troca da passagem, pois a companhia aérea oferecia datas que não batiam com seu período de férias, o que a fez solicitar o estorno. Faltando poucos dias para a decisão, comprou outra por um preço inflacionado e teve de correr contra o relógio.

"Era muito arriscado pois chegava às 7h, no dia do jogo, com conexão em Buenos Aires. Fui virada e encarei uma fila enorme na imigração. Cheguei no hostel às 9h e o ônibus que levava ao estádio saía 9h30. Foi o tempo de deixar as malas, tomar banho, colocar o Manto Sagrado, pegar o ingresso e aproveitar o wi-fi para chamar um táxi", relembrou:

"Quando saí, o motorista me emprestou o telefone para falar com uma pessoa que estava no ônibus. Ele correu que nem doido para que eu chegasse a tempo. Seguraram a partida por 15 minutos. O ônibus gritou em coro meu nome quando cheguei e seguimos para o estádio no ônibus que misticamente se chamava 'El Campeón'".

Agora, Laura montou uma "estratégia" mais elaborada para Montevidéu.

"Já com a experiência desta saga, comprei a passagem no final de julho. Paguei R$ 1.500 e também a diferença para ter mobilidade na passagem considerando pandemia, Uruguai fechado, e uma possível troca tanto de data quanto de local", destacou.

"Minha família está preocupada. Estão contra minha ida, mas sabem que tomo todos os cuidados, usarei máscara e álcool no estádio, e que minha paixão pelo Fla é maior."

Torcedor viralizou em "pegadinha" com ESPN

Vitor (sem camisa) aprontou "pegadinha" com Espn na final de 2019, em Lima: música "proibida" foi cantada ao vivo - Reprodução / Espn - Reprodução / Espn
Vitor (sem camisa) aprontou "pegadinha" com Espn na final em Lima: música "proibida" foi cantada ao vivo
Imagem: Reprodução / Espn

Com a passagem para Montevidéu garantida, Vitor Miranda viralizou em 2019, em Lima, com uma "pegadinha" que aprontou com a ESPN junto a outros torcedores.

Na ocasião, o Fla já havia sido campeão da Libertadores, mas muitos flamenguistas permaneceram na cidade por mais dias e comemoraram por lá também o título brasileiro, que viria menos de 24 horas depois.

Prestes a entrar ao vivo, o repórter Pedro Henrique Torre foi surpreendido com uma canção impublicável que Vitor, com um palavrão, incendiou os torcedores que passaram a fazer rimas com os títulos da Libertadores, Brasileiro e Carioca.

O torcedor, que no vídeo está sem camisa ao lado direito do repórter, jura que tentou conter os ânimos dos flamenguistas ali presentes:

"Eu falei: 'rapaziada, vamos dar uma segurada. Senão não vai entrar no ao vivo nunca'. E o Pedro levou fé que ali eu era uma espécie de líder. Passei segurança na forma como cheguei. Cara, quando ele entrou ao vivo, não fui eu, foi alguém ali atrás que não respeitou a minha liderança. Alguém começou a entoar de novo a musiquinha, ele já estava ao vivo, e aí não teve jeito, né?".

No estúdio da Espn, Bruno Vicari, Fábio Luciano e Breiller Pires não seguram a risada com a "pegadinha" ao vivo - Reprodução / Espn - Reprodução / Espn
No estúdio da Espn, Bruno Vicari, Fábio Luciano e Breiller Pires não seguram risada com "pegadinha" ao vivo
Imagem: Reprodução / Espn

Em entrevista ao canal "Pilastra 41", Pedro Henrique Torre relembrou o episódio e, com bom humor, deu sua versão da história, contradizendo a "politicamente correta" de Vitor.

"Tinha combinado com o pessoal que se eles falassem palavrão, o pessoal iria tirar. Aí esse camarada que estava sem camisa, ele era meio que o líder da rapaziada, pelo menos se apresentou como. Ele pediu para o pessoal não cantar palavrão. Aí eu falei: 'poxa, obrigado'. Assim que entrou no ar, quem foi que puxou o coro? Ele! Não teve jeito, a trairagem funcionou ali. Mas o que eu vou dizer? Em 22 horas o time conquistou a Libertadores e depois o hepta brasileiro, é um êxtase que você tem que entender totalmente. Levei super na boa", declarou o repórter.

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