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Santos respalda Tardelli, mas apenas torce para onda de violência passar

Diego Tardelli em ação durantre treino do Santos - Ivan Storti/Santos FC
Diego Tardelli em ação durantre treino do Santos Imagem: Ivan Storti/Santos FC

Gabriela Brino

Colaboração para UOL, em Santos

16/09/2021 04h00

O atacante Diego Tardelli foi alvo de perseguição de um grupo de torcedores, além de ter tido seu carro depredado, na madrugada da última quarta-feira (15), após a eliminação do Santos na Copa do Brasil, em derrota por 1 a 0 para o Athletico-PR. O clube se pronunciou por meio de nota oficial e respaldou o jogador, mas apenas irá torcer para a onda de violência passar.

O UOL Esporte apurou que, no momento, o Santos não vai adotar algum protocolo de segurança com o elenco e entende que foi um caso totalmente atípico. Em contrapartida, caso o atacante queira tomar providências legais, o Peixe dará apoio jurídico, além de está buscando meios de identificar os vândalos por meio de um vídeo que Tardelli recebeu do ataque.

Logo após a partida, um grupo de torcedores protestou nos portões do vestiário da Vila Belmiro. Gritos como "joga, vagabundo, respeita o Santos, o maior time do mundo", "vergonha, time sem vergonha", "se dia 18 não ganhar, olê olê olá, o pau vai quebrar", foram gritado em frente ao ônibus que deslocaria os jogadores para o CT Rei Pelé.

Caso Tardelli

Ao fim da partida, os jogadores foram levados de ônibus até o CT do Santos e, de lá, pegariam seus carros para partir para casa. Tardelli optou por ir ao hotel onde estava hospedado e, na ocasião, já havia notado que estava sendo seguido. Em um farol, teve a confirmação, pois foi encurralado por quatro carros.

"Fomos eliminados, infelizmente. Todos tristes, chateados, mas eu quero contar uma cena de terror que passei na minha vida e jamais imaginaria que fosse passar por isso. Estava chegando próximo ao hotel e acredito que três ou quatro carros me seguiam. Parei no sinal, me fecharam e começaram a quebrar meu carro, chutar, amassar, dizer que eu ia morrer. Aquela tortura que fazem quando as coisas não vão bem. Fiquei triste e chateado. Contando alto, dez pessoas, dez torcedores, dez vândalos", disse.

"Torcida tem direito de cobrar, fase não é das melhores, mas isso não justifica o que eu passei. Primeira vez em 15, 20 anos de carreira. É muito triste passar por isso. Torcida pode ir no CT, em qualquer lugar cobrar, xingar, mas agredir, quebrar carro e tacar o terror não cabe mais no futebol. Não vai haver punição. Poderia ter acontecido qualquer coisa comigo. Sorte que encontrei um policial no caminho ao hotel e me escoltou. Fica minha indignação. Estamos cansados e sabemos que alguns fazem isso quando as coisas não vão bem. Meia dúzia que não representa a torcida do Santos e outros clubes", acrescentou.

Oito jogos sem vencer

O Santos vive um de seus piores momentos no futebol. São oito jogos sem vencer em meio às eliminações recentes na Sul-Americana e na Copa do Brasil, além do Campeonato Paulista, no início da temporada.

Fábio Carille à beira do gramado da Vila Belmiro em partida do Santos contra o Athletico, pela Copa do Brasil - Danilo Fernandes/Estadão Conteúdo - Danilo Fernandes/Estadão Conteúdo
Fábio Carille à beira do gramado da Vila Belmiro em partida do Santos contra o Athletico, pela Copa do Brasil
Imagem: Danilo Fernandes/Estadão Conteúdo

Agora, o Peixe disputa apenas o Campeonato Brasileiro, onde flerta com a zona de rebaixamento. Em 13º colocado na tabela, com apenas 23 pontos, apenas dois à frente da zona de rebaixamento. Vale pontuar que neste processo o Santos teve duas trocas de técnico: Ariel Holán, que entregou o cargo em abril, e Fernando Diniz, demitido no início deste mês.

Carille chegou na semana passada para reinventar o time do Santos e comandou apenas dois jogos. O próximo compromisso será diante do Ceará, sábado (18), na Arena Castelão, às 21h (de Brasília), pela 21ª rodada.

E os meninos?

O time do Peixe é composto por muitos jovens. Na derrota para o Athletico-PR, por exemplo, Wagner Leonardo, Vinicius Balieiro, Pirani, Zanocelo, Ângelo, dentre outros Meninos da Vila, compuseram o Peixe e estavam presentes no estádio. Tardelli, por sua experiência, soube lidar com a situação aterrorizante, como definiu. Porém, a incerteza com a onda de violência deveria criar um alerta ao clube com os jovens.

Gabriel Pirani sofre entrada de Nikão, sob olhares de Leandro Vuaden, em partida entre Santos e Athletico -  Fernanda Luz/AGIF -  Fernanda Luz/AGIF
Gabriel Pirani sofre entrada de Nikão, sob olhares de Leandro Vuaden, em partida entre Santos e Athletico
Imagem: Fernanda Luz/AGIF

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