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Grêmio perde Ferreira para MLS após recusar oferta e se irrita com negócio

Lucas Uebel/Grêmio
Imagem: Lucas Uebel/Grêmio

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

04/08/2021 04h00

O Grêmio aguarda para as próximas horas a conclusão da saída de Ferreira, com o pagamento da multa rescisória por parte do Atlanta United, dos Estados Unidos, mas não esconde que o clima do adeus é péssimo. A revelação feita por Felipão, de que o meia-atacante faltou aos treinos mais recentes, é o novo capítulo público de uma relação que voltou a se desgastar nos bastidores.

Aos 23 anos, Ferreira é vice-artilheiro do Grêmio na temporada com 11 gols marcados e tem contrato até 2023. Mas o vínculo tem multa rescisória de oito milhões de euros (R$ 49,2 milhões). A quantia vai ser paga pelo time da MLS (Major League Soccer).

O Grêmio, inicialmente, se limitou a confirmar a operação e o valor. Depois, detalhou que o ficará com 50% da quantia — equivalente a 4 milhões de euros (R$ 24,6 milhões no câmbio do dia). O pagamento é aguardado ao longo do dia de hoje (4).

A saída de Ferreira passou a ser provável na semana passada, quando o Al-Ain, dos Emirados Árabes Unidos, fez oferta pelo empréstimo com opção de compra. Na segunda-feira (2), o Grêmio comunicou que não tinha interesse em liberar o jogador agora. A irritação do Grêmio está na forma como o jogador conduziu o interesse em sair.

"O Grêmio não está vendendo o Ferreira. O Ferreira não está à venda. Mas tem uma multa rescisória no contrato e recebemos uma carta do Atlanta United dizendo que vão pagar a multa rescisória. Mas o Grêmio não está vendendo o jogador. Ele está sendo comprado de modo hostil", disse Marcos Herrmann, vice de futebol do Grêmio.

"Tivemos uma reunião [na segunda-feira] pela manhã, o representante veio solicitar que a gente vendesse ele. Falamos que não estava à venda e poderíamos analisar uma saída para o ano que vem. Era o que poderíamos fazer, precisamos fazer um esforço. Ele saiu e fomos surpreendidos com a notícia de que iriam pagar a multa rescisória. Se essa foi a decisão dele, é lei."

Esse incômodo explica o tom de Luiz Felipe Scolari na entrevista coletiva após o jogo contra o Vitória, pela Copa do Brasil. A diretoria confirmou a informação revelada pelo treinador, de que Ferreira não apareceu no CT para realizar fisioterapia por conta de lesão no joelho direito.

"Infelizmente fomos tomados de surpresa com essa informação de que ele não tinha aparecido por três dias no departamento médico", declarou Herrmann. "É uma falha de comunicação grave, mas vamos resumir ao fato. (...) Temos uma falha de comunicação grave, sim. óbvio. O treinador deveria ter sido avisado, executivo de futebol, diretoria".

Grêmio e Ferreira não se estranharam pela primeira vez. Em 2020, o jogador chegou a ser afastado por não aceitar renovar contrato e o estafe acionou o clube na Justiça pedindo a rescisão unilateral de vínculo. O pedido não foi acolhido e quatro meses depois houve acordo para renovação contratual, com inclusão da multa rescisória de valor considerado baixo. De lá para cá, o meia-atacante ganhou espaço e na atual temporada se afirmou como titular. O bom momento em campo indicou paz também nos bastidores.

Mas logo depois do Campeonato Gaúcho, começou outra fase de atrito. A conversa para renovação contratual não progrediu. Houve vazamento de oferta antes da reunião entre as partes e versões distintas sobre os termos propostos. O novo contrato, com aumento da multa rescisória para 16 milhões de euros, nunca foi parar no papel. As tratativas esfriaram pouco antes da lesão de Ferreira.

O Grêmio já havia encaminhado dois negócios na semana passada. Ruan e Matheus Henrique estão acertados com o Sassuolo, da Itália, mas o zagueiro permanece em Porto Alegre até dezembro. O volante deve se apresentar na Europa logo após os Jogos Olímpicos de Tóquio.

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