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Danilo lembra de amigo morto por covid e diz que seleção "não é insensível"

O lateral-direito Danilo durante jogo da seleção brasileira contra a Venezuela, pela Copa América - Lucas Figueiredo/CBF
O lateral-direito Danilo durante jogo da seleção brasileira contra a Venezuela, pela Copa América Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Danilo Lavieri e Gabriel Carneiro

Do UOL, no Rio de Janeiro

16/06/2021 14h04

Classificação e Jogos

O lateral-direito Danilo postou no Instagram duas fotos da estreia da seleção brasileira na Copa América, uma vitória por 3 a 0 sobre a Venezuela. Um trecho da legenda chamou atenção: "Vítimas covid 12/6 [véspera do jogo]: 2037. Minhas orações às famílias". Hoje (16), em entrevista coletiva, o jogador explicou a razão de ter mencionado o triste número de mortes no país que sedia a competição.

"Eu quis dizer de alguma maneira que nós, principalmente aqui dentro [da seleção], não somos insensíveis ao momento que muita gente passa, ao sofrimento de muita gente. Naquele exato dia eu tinha perdido uma pessoa que era jovem, de 28 anos, da minha cidade de Bicas-MG, que é cidade muito pequena, mas que já perdeu muita gente. É um jovem que eu era ligado na infância e a notícia de que ele faleceu pelo covid me tocou muito. Eu quis demonstrar que não somos insensíveis. E de uma maneira bem singela e simples, mostrar que estamos focados, mas que a gente enquanto ser humano tem coração, não é indiferente a tudo aquilo que passam", disse o jogador da Juventus-ITA.

O elenco da seleção brasileira foi contra a mudança de sede da Copa América para o Brasil efetivada com apenas duas semanas de antecedência após as desistências de Colômbia e Argentina, o que rendeu até um comunicado divulgado por eles antes do início da preparação para o torneio. O temor dos jogadores era estar no centro da polarização política causada pela decisão alinhada por Conmebol, presidência da CBF e presidência da República. A competição hoje é vista como agenda positiva por apoiadores do governo Bolsonaro.

Danilo, aliás, foi um dos líderes do movimento dos jogadores que convocou reuniões com o técnico Tite, o coordenador Juninho Paulista e o então presidente da CBF Rogério Caboclo. Ele diz que se sente à vontade na posição de referência do elenco: "Isso é um papel que ele acontece de forma natural. Até pela minha idade [29 anos] (...) Eu aceito bem o papel de liderança e procuro contribuir, faço com quem aqueles que têm menos tempo se sintam integrados o mais rápido possível e tento direcionar os atletas para um ambiente que seja cada vez mais agradável. Eu aceito bem o papel e acho que cada um tem que aceitar essa parte de liderança ou influenciador dentro da equipe."

Leia outras declarações de Danilo:

SOLIDEZ DEFENSIVA DA SELEÇÃO

"O Tite fala muito da solidez defensiva, a gente trabalha isso muito na parte técnica, de ser sólido. Não só para nós defensores, mas também para o meio e ataque, para desenvolver com mais tranquilidade. É uma parte que damos muita importância, a gente gasta muito tempo no campo e com vídeos também neste aspecto, revendo a nossa atuação em jogos anteriores para melhorar e sincronizar movimentos para que a gente seja ainda mais sólido defensivamente. Um bom ataque começa pela defesa. Na seleção a gente defende bem."

AFIRMAÇÃO COMO TITULAR

"Neste momento posso dizer que me encontro na plenitude física e mental. E isso reflete nas atuações. Já afirmar ou dizer que é o meu momento é difícil. A competição é muito grande, o futebol é dinâmico e as coisas mudam muito rápido. Me sinto muito preparado, mais do que em outras oportunidades, para dar minha contribuição. Quero aproveitar a cada momento. A cada manhã quando acordo e me vejo no ambiente da seleção, é realização de um sonho a cada dia."

Danilo contra o Peru - Daniel Apuy/Reuters - Daniel Apuy/Reuters
Danilo disputa bola contra o Peru em jogo das Eliminatórias, em outubro de 2020
Imagem: Daniel Apuy/Reuters

ENFRENTAR EUROPEUS

"A maioria dos jogadores [da seleção] joga na Europa, joga há muito tempo, em ligas e equipes supercompetitivas, talvez as melhores de cada país. Claro que quando junta não há a matemática exata. E a gente tem um treinador experiente, que lida bem com isso, sabe potencializar cada um nas características. Não considero uma coisa superimportante fazer jogos contra seleções europeias. Claro que seria bom para a gente disputar e jogar em todas as escolas. Mas nossos jogadores jogam na Europa, têm a sabedoria e intensidade do futebol europeu. Seria bom para nós poder jogar contra, mas não é essencial para chegar preparado na Copa."

CRÍTICAS POR NÃO JOGAR BONITO

"O Cristiano Ronaldo que é meu companheiro na Juventus e foi companheiro no Real falou uma frase: o importante é resultado e o número, o resto é conversa fiada. Nssa preparação muito parecida, em que todo mundo tem dados, análises, informações, fica difícil surpreender e dar espetáculo, como muitas vezes as seleções brasileiras e as favoritas são cobradas. Acredito nos números e no futebol muito além de ir bem ou mal. Aqui dentro da seleção a gente tem tido esse tipo de trabalho. A gente observa cada momento de trabalho, mostrando números, o que foi eficaz ou não, e é assim que funciona."

CUEVA E LAPADULA, DO PERU

"O Cueva é um jogador que eu já vi algumas vezes na seleção e em clube. Ele joga entrelinhas, ocupa espaço, é um jogador esperto, cria problema se você não fechar bem (...) O Lapadula eu já enfrentei ele enquanto eu atuava como zagueiro, ele é móvel, ataca espaços curtos, sabe o momento de dar apoio e profundidade, tem boa técnica e já falei para os meus companheiros da seleção que ele merece atenção. Tem que ser defendido de uma forma diferente, é muito inteligente e a qualquer brecha podemos ser punidos."

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