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Seleção Brasileira

Seleção: Neymar aumenta influência do bastidor ao campo e vive melhor fase

Neymar tem seis gols em seus últimos quatro jogos pela seleção; já havia feito quatro neste mesmo recorte em 2016 - Lucas Figueiredo/CBF
Neymar tem seis gols em seus últimos quatro jogos pela seleção; já havia feito quatro neste mesmo recorte em 2016 Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Danilo Lavieri e Gabriel Carneiro

Do UOL, no Rio de Janeiro

16/06/2021 04h00

Classificação e Jogos

Neymar vive seu melhor momento na seleção brasileira em relação a gols marcados em partidas oficiais seguidas. Nas últimas quatro vezes em que esteve em campo, ele fez seis gols: contra Peru, Equador e Paraguai, pelas Eliminatórias, além da Venezuela, na abertura da Copa América. Esses bons números não são coincidência, segundo dizem pessoas do entorno do jogador e da seleção ouvidas pelo UOL Esporte.

Foram mencionadas razões físicas, psicológicas e táticas. O próprio Tite disse ter ouvido de Neymar uma frase mais ou menos assim: "Quando eu estou bem fisicamente e de cabeça as coisas acontecem comigo". Este é o resumo de como o camisa 10 se apresentou para a rodada dupla das Eliminatórias e também a Copa América, pela qual o Brasil volta a jogar amanhã (17), às 21h, contra o Peru, no estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro.

Liberdade em campo

Os últimos jogos da seleção têm mostrado Neymar com mais liberdade de ocupação de espaços no ataque. Ele não fica mais preso na ponta esquerda do esquema tático 4-1-4-1 como em outros tempos. Hoje, Neymar joga por dentro, partindo do centro do campo, de um jeito parecido com o que desempenha no PSG. A seleção tem variado duas formações em seus últimos compromissos, o 4-4-2 e o 2-3-5.

No primeiro, Neymar é um meia-atacante central com liberdade para criar jogadas dos dois lados e inverter posicionamento com o centroavante. No 2-3-5, quando o lateral-esquerdo aparece como um quinto atacante, ele fica por dentro perto do centroavante, mas também com maior área de influência. A ideia da seleção era há muito tempo sistematizar uma forma de jogar que privilegiasse o lado individual de Neymar, mas só a rotina de treinos das últimas semanas permitiu esses ajustes.

A estratégia para Neymar brilhar passa por acioná-lo numa faixa mais adiantada do gramado. Isso o deixa mais protegido, porque o adversário tem medo de fazer falta perto da área. "Estruturamos [o time] para de repente ele receber menos bola, mas de uma forma mais eficiente", disse Tite.

Sem problemas físicos

O que dá condição para Neymar estar plenamente à disposição de Tite é o fator físico. Desfalque em quase metade dos jogos da seleção desde a Copa do Mundo da Rússia, ele se apresentou sem qualquer lesão ou restrição desta vez. Na Copa América de 2019, por exemplo, foi cortado por causa de uma ruptura ligamentar no tornozelo direito.

Desde então acumulou uma série de outros problemas que impediu até que jogasse duas das seis partidas das Eliminatórias para o Qatar, com uma lesão no músculo adutor da perna esquerda. Acompanhado de perto pelo preparador físico Ricardo Rosa, que também trabalha com ele no PSG, Neymar faz trabalhos para prevenir lesões que têm dado resultado, tanto é que atuou o tempo inteiro nas últimas partidas.

Tite e Neymar - Lucas Figueiredo/CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Tite e Neymar durante jogo da seleção brasileira contra o Equador, pelas Eliminatórias
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

E com a cabeça boa

Logo que Neymar se apresentou à seleção brasileira seu nome foi parar nas manchetes por outra razão: uma nova investigação por abuso sexual, que desta vez teria gerado o rompimento de seu contrato de material esportivo com a Nike — a suposta vítima é funcionária da empresa. Houve dentro da comissão técnica da seleção o temor de que o assunto e a necessidade de se defender fossem tirar o foco do jogador.

Porém, o que viram foi o contrário. Neymar deixou a defesa com seus representantes e se isolou de assuntos extracampo. Mais do que isso: foi notada até uma postura de mais liderança nele com o grupo, principalmente nos diálogos com o então presidente da CBF, Rogério Caboclo, em relação à contrariedade dos jogadores sobre a disputa da Copa América. O camisa 10 foi um dos jogadores mais ativos e até duros nas conversas, algo a que não se estava acostumado nos bastidores.

Além disso, a polêmica sobre a Copa América esfriou o noticiário sobre a acusação. Sem essa sombra, ele se manteve no dia a dia da seleção como o cara que comanda as brincadeiras e ajuda a deixar o ambiente leve.

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