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Futebol sem Fronteiras #5: Como técnico impediu M. Senna de ganhar Copa

Do UOL, em São Paulo

11/06/2021 11h00

Classificação e Jogos

Com passagens por Corinthians, São Caetano e Juventude, Marcos Senna teve uma carreira bem-sucedida no futebol espanhol. Um dos nomes de maior destaque na história do Villarreal, o volante também brilhou com a camisa da Espanha, pela qual foi campeão da Eurocopa em 2008. Seu currículo também poderia contar com o título do Mundial de 2010, mas a ausência na lista final de jogadores que foram para a África do Sul ainda está marcada em sua memória.

No podcast Futebol sem Fronteiras #5 (ouça na íntegra no episódio acima), o colunista Julio Gomes e o correspondente internacional Jamil Chade conversaram com o ex-jogador, que relembrou passagens marcantes de sua carreira pela seleção espanhola e pelo Villarreal. Marcos Senna disse que teria condições de disputar a Copa do Mundo em 2010, da qual a Espanha foi campeã. Na visão dele, porém, o técnico Vicente del Bosque não o levou por influência da imprensa.

"Para mim, foi muito duro. Eu me via já na Copa do Mundo. Senti muito do Del Bosque. Aqui, a imprensa fala muito que pelo menos um jogador do Athletic Bilbao tem que ir. O Del Bosque se deixava levar pela imprensa. O [Luis] Aragonés não. Na Copa 2006 e Euro 2008, estando o Del Bosque, eu não seria convocado. Se fosse, provavelmente não seria titular. Todo mundo já me falou isso. O Del Bosque é uma pessoa fantástica, mas essa era uma falha que deixava ocorrer no vestiário. Ele também era comedido, mesmo em situações em que deveria alçar a voz", contou.

Aragonés foi o técnico da seleção espanhola na Copa 2006 e levou a Espanha ao título da Eurocopa em 2008. Marcos Senna esteve presente nas duas campanhas. O treinador deixou o comando da Fúria após a conquista continental e foi sucedido por Del Bosque. Com o novo comandante, Marcos Senna participou da campanha nas Eliminatórias. Ele descartou a hipótese de Del Bosque não o ter relacionado para o Mundial da África do Sul por causa de problemas físicos.

"Na verdade, não foi bem assim. Acredito que, se tivesse o Aragonés, eu teria ido. O Iniesta não fez uma Eurocopa brilhante e foi para a Copa do Mundo lesionado. O Fernando Torres e o Cesc Fàbregas estavam machucados e se recuperaram no processo. Eu tinha vivido uma temporada de pequenas lesões no Villarreal, mas cheguei bem no final do campeonato. Nas Eliminatórias, acho que não fui a apenas um jogo. Fui convocado na pré-lista e caí para um jogador sub-21, que nunca havia sido convocado. Era o Javi Martínez, e nem ele esperava", comentou o ex-jogador.

Marcos Senna havia planejado se despedir da seleção espanhola após a Copa 2010. Os planos, porém, foram alterados. Ele ainda defendeu o Villarreal até 2013, quando se transferiu para o New York Cosmos. Dois anos depois, encerrou sua carreira no clube dos Estados Unidos. Sobre o Mundial da África do Sul, o ex-jogador lamentou a escolha de Del Bosque e lembrou que Javi Martínez foi muito pouco utilizado naquele torneio.

"Minha ideia era jogar a Copa do Mundo e, antes deles, diria 'adeus, muito obrigado'. Mas o Del Bosque, em todas as entrevistas, diz que uma das decisões mais difíceis foi ter me deixado fora dessa Copa. Ele tinha essa dúvida de saber se eu ia chegar bem, ou se levava o Javi Martínez, que poderia jogar como zagueiro também. No final, o menino jogou só dez minutos [contra o Chile]", finalizou.

Ouça o podcast Futebol sem Fronteiras e confira o bate-papo completo com Marcos Senna. Ele também falou sobre a questão do racismo no futebol espanhol e analisou as chances da Fúria nesta edição da Eurocopa, que começa nesta sexta-feira (10) e terá jogos acompanhados pelo Placar UOL.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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