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Como lateral da seleção voltou a sonhar com Olimpíada por causa da pandemia

Letícia Santos, lateral do Eintracht Frankfurt, da Alemanha, com passagem pela seleção brasileira - Reprodução Instagram/ Daniela Porcelli
Letícia Santos, lateral do Eintracht Frankfurt, da Alemanha, com passagem pela seleção brasileira Imagem: Reprodução Instagram/ Daniela Porcelli

De Olga Bagatini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

08/03/2021 04h00

Há um ano, a seleção brasileira feminina embarcava para o Torneio Internacional da França, onde daria sequência à preparação para os Jogos Olímpicos 2020. Sem saber que uma pandemia estava prestes a paralisar o calendário esportivo mundial, a técnica Pia Sundhage seguia fazendo testes para fechar a lista das 18 jogadoras que iriam em busca do inédito ouro olímpico. Embora a disputa pelas vagas ainda estivesse aberta, havia nomes que davam a impressão de estarem com o passaporte para Tóquio carimbado, pela regularidade nas convocações e pelas chances no time titular. Era o caso da lateral direita Letícia Santos, de 26 anos, que atua no Eintracht Frankfurt, da Alemanha.

Contudo, na partida contra a França —a segunda do Brasil naquela competição—, Letícia levou uma pancada e acabou sofrendo uma lesão grave no joelho direito. Após o diagnóstico da ruptura do ligamento, a equipe médica do Brasil decretou que era caso de cirurgia. Seis meses para voltar a atuar. "Letícia Santos fora da Olimpíada" foi a manchete nos sites esportivos que acompanham futebol feminino. O clima no hotel era de tristeza pela lesão da companheira.

"Eu fui tentar antecipar uma bola da adversária e ela tocou minha perna, situação normal de jogo, mas senti meu joelho entrar um pouco e depois foi confirmado que eu havia rompido o ligamento", contou Letícia ao UOL Esporte. "Óbvio que fiquei chateada, mas logo que isso aconteceu eu só pensava em operar logo pra começar a me recuperar."

Na última partida do Brasil, contra o Canadá, já havia sinais de que uma grande mudança estava a caminho. De modo repentino, o governo francês anunciou que as partidas de futebol não deveriam mais ter público devido à disseminação de uma nova variante do coronavírus, e o jogo foi feito a portões fechados. A pandemia seria decretada poucos dias depois pela Organização Mundial de Saúde, acompanhada de recomendações expressas de restrições sociais. Foi nesse contexto que Letícia voltou ao Brasil para se submeter ao procedimento cirúrgico.

"O Frankfurt permitiu que eu operasse e fizesse os primeiros meses de fisioterapia no Brasil. A CBF então organizou a minha cirurgia, demorou um pouco porque era um momento delicado, no pico do coronavírus, mas fui muito bem cuidada", explicou a lateral.

Letícia Santos no retorno aos treinos no Eintracht Frankfurt - Reprodução/Instagram @2leticiasantos Verificado - Reprodução/Instagram @2leticiasantos Verificado
Letícia Santos no retorno aos treinos no Eintracht Frankfurt
Imagem: Reprodução/Instagram @2leticiasantos Verificado

Dois meses após a lesão, enquanto se recuperava na casa da família no interior de São Paulo, ela ouviu o anúncio do Comitê Olímpico Internacional de que os Jogos teriam que ser adiados para 2021. Frustração para tantos atletas que estavam na reta final de preparação para as competições, a notícia teve um tom diferente para Letícia: antes dada como corte certo, ela voltava a ver no horizonte a chance de vestir a camisa verde e amarela em Tóquio.

"Para mim aquela notícia era uma nova oportunidade (risos). Mas continuei focada em cada dia da fisioterapia, porque essa era minha realidade naquele momento e eu sabia que uma boa recuperação me faria voltar bem", contou a jogadora, que, em agosto, retornou à Alemanha para a reta final do tratamento.

Letícia voltou a atuar pelo Frankfurt em janeiro e, no fim de fevereiro, já estava de volta à equipe titular, mas ficou fora da convocação da seleção feminina para o Torneio She Believes, disputado naquele mês nos Estados Unidos. Somando duas vitórias contra Argentina e Canadá e uma derrota para as donas da casa, o Brasil sofreu com as investidas das adversárias pelo setor direito da defesa. É bom frisar que Pia não pode contar com Luana — que é titular do meio-campo, mas já teve boas atuações jogando improvisada na lateral direita e não foi liberada pelo Paris Saint-Germain — nem com Fabi Simões, experiente lateral de origem que testou positivo para covid-19 e acabou cortada.

Assim, Pia testou três laterais direitas diferentes nas três partidas disputadas e viu os problemas no setor persistirem.

"Testamos muitas jogadoras pelo lado direito, ainda há um ponto de interrogação ali. Foi OK, mas precisamos melhorar", disse a treinadora ao término da competição. "Nós estamos monitorando Letícia assim como monitoramos todas as jogadoras. Ela está no futebol há bastante tempo, tem bastante experiência, então sempre tem essa chance [de ser convocada novamente]", avaliou a sueca.

Pia segue fazendo testes e já disse que vai priorizar a versatilidade e a capacidade de atuar em mais de uma posição, já que só pode levar 18 jogadoras para a Olimpíada. Letícia não foi procurada pela CBF para falar sobre um eventual retorno à seleção brasileira, mas conta que foi acompanhada à distância pela fisioterapeuta Ariane Falavinia no processo de recuperação. Agora, a atleta quer trabalhar duro para reconquistar o espaço e a confiança que tinha com a comissão técnica.

"Estou me sentindo bem, estou sem dor, joguei três amistosos preparatórios antes do retorno do campeonato alemão, fiz um gol que foi como um presente por ter suportado esse processo de recuperação (risos). Isso foi extremamente importante para eu pegar ritmo de jogo", afirmou Letícia, que mantém vivo o sonho de disputar uma Olimpíada.

"Estou treinando forte no meu clube e, agora que voltei a jogar, é claro que tenho o objetivo de voltar a ser convocada e estar preparada para representar bem o Brasil. Procuro primeiramente dar o meu melhor no clube todos os dias e estou à disposição da seleção se precisarem."

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