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Formador de destaques quer ligar base ao principal do Inter com informação

Julinho Camargo é o gerente de transição do Internacional  - Divulgação/Inter
Julinho Camargo é o gerente de transição do Internacional Imagem: Divulgação/Inter

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

14/01/2021 12h00

Informação é um bem cada vez mais valioso no mundo do futebol. Tomar as decisões certas minimiza erros em qualquer esfera do clube. E contribuir com a melhor qualidade de informação é exatamente o trabalho de um profissional renomado nas categorias de base contratado pelo Internacional. Julinho Camargo, gerente de transição do Colorado, será o responsável por unir base e principal.

A trajetória de Julinho o antecede. São 31 anos de profissão, 15 destinados à base, 16 ao principal. Ou seja, conhece bem os dois lados da moeda. Nessa trajetória, trabalhou na formação de atletas que brilharam no cenário nacional e internacional, como Douglas Costa, Thiago Silva, Anderson, Fábio Rochemback, Daniel Carvalho, Lucas Lima, Ricardo Goulart, Carlos Eduardo, Lucas Leiva, entre outros.

Anunciado no início do mês como gerente de transição do Inter, ele tratará exatamente do processo final de maturação de jovens. Depois de muitos anos como técnico, ele pretende fazer do novo ofício sua profissão daqui para frente.

"Trabalhar com jovens sempre foi uma marca desse processo como treinador. Quando surgiu este convite, me agradou muito. Eu entendo que todos os grandes clubes deveriam ter um profissional nesta função. O universo da base é um, o do profissional é outro. O jovem, muitas vezes, precisa de uma lapidação final melhor para suportar o que irá enfrentar. Temos vários exemplos de jogadores que sobem e voltam para base, se encaixando apenas depois. A exigência é outra, e meu papel é contribuir nesta formação final", explicou Julinho, em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

A rotina de Julinho já se dá entre treinamentos do sub-20 e do principal. Neles, une informações úteis aos dois lados e repassa aos treinadores para que as decisões de utilização e trabalho sejam tomadas da melhor forma.

"Meu trabalho será no elo entre a base e o principal. É importante chegar com as informações corretas para os treinadores, para que os jogadores cheguem ao time de cima num ambiente mais propício. O processo de formação hoje já é bom, eu quero contribuir", disse.

Julinho Camargo (de branco) acompanha treinamento do sub-20 do Inter - Jota Finkler/Inter - Jota Finkler/Inter
Imagem: Jota Finkler/Inter

Com o distanciamento físico entre a formação e o principal do Inter, com o CT da base em Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre, e o do time de cima no CT Parque Gigante, próximo ao Beira-Rio, a presença de Julinho será ainda mais importante, nos dois lados, acompanhando os atletas.

"Tem uma distância [física] muito grande. Isso não contribui. Por isso a importância de ter um profissional que transite nos dois CTs. Hoje [quarta] estou em Alvorada assistindo o treino, ontem estava no profissional, porque seis jogadores do sub-20 estavam treinando lá. É importante que o jogador veja a gente aqui e lá, isso dá segurança. Além de poder passar o feedback aos treinadores. Quando estou aqui, levo as informações do treino para o Abel, quando estou lá, trago ao Fábio [Matias, técnico do sub-20]. Essa qualidade de informações vai nos dar a possibilidade de dar um norte melhor ao trabalho, do que é necessário fazer, e poderei ajudar as comissões com isso", afirmou.

"Como treinador, senti falta de uma pessoa neste cargo"

A função de gerente de transição não é muito comum no futebol. Normalmente, a relação entre base e principal não é feita por um profissional da área técnica, como treinador ou analista de desempenho, mas sim por um dirigente — político ou executivo.

Mas o cargo agora ocupado por Julinho, na visão dele, é fundamental para que os grandes clubes consigam produzir melhores jogadores, e, com isso, firmarem melhores negócios na hora de negociar os direitos econômicos de seus atletas.

"Fui treinador de juniores por cinco anos. Como treinador, senti falta de uma pessoa neste cargo. Muitas vezes você tem o jogador, o profissional precisa, mas nem todos os treinadores têm essa possibilidade de ter o elo com a base. Às vezes, um está viajando, ou outro, sempre terá uma falta de comunicação neste sentido. Quando se tem um profissional específico para isso, preocupado com isso, especializado nisso, fica mais simples. Me sinto totalmente capacitado para exercer a função, considero que tenho muito a contribuir com o clube neste sentido. E realmente, acho que em grandes clubes, porque pequenos e médios não teriam condição financeira de ter mais um profissional, é muito necessária esta função. Os ativos da base são fundamentais para os clubes", contou.

Experiência não falta. Depois de participar da formação de tantos jogadores, Julinho crê em cinco pilares para contemplar com atletas do Inter.

"Físico, técnico, tático, humano e emocional. São os cinco pilares fundamentais da formação de um atleta. Quem tem dificuldade em algum deles, já conta com algo negativo, que pode trancar o atleta. Por isso a importância de trabalhar, desenvolver, visualizar a metodologia para entregar o jogador mais pleno possível ao principal", finalizou.

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