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Brasileirão - 2020

Torcedores de Santos e SPFC brigam e trocam tiros em Campinas: 'Guerra'

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

11/01/2021 14h48

Classificação e Jogos

Torcedores de Santos e São Paulo entraram em confronto em Campinas ontem (10), depois da vitória do alvinegro sobre o rival paulistano por 1 a 0 no Morumbi. Imagens mostram uma briga extremamente violenta, com uso de arma de fogo —pelo menos duas pessoas foram baleadas. A Polícia Militar controlou a situação, mas não conseguiu efetuar prisões.

O confronto foi protagonizado por dissidências das torcidas Independente, do São Paulo, e Jovem, do Santos. Os grupos não respondem às lideranças das duas organizadas, que têm mantido reuniões frequentes com as autoridades de modo a evitar confrontos.

"Nos clássicos aqui em São Paulo envolvendo os quatro grandes é sempre feita uma reunião antes. A torcida que tem o mando do jogo acaba reunindo torcedores em pontos de encontro deles, previamente combinados conosco, como fez a Independente. A outra torcida, que não é a do mandante, também participa da reunião, e proíbe qualquer movimentação durante o dia do jogo", explica o delegado César Saad, da Drade (Delegacia de Polícia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva).

O confronto em Campinas aconteceu na região da Avenida John Boyd Dunlop. A briga teve uso de pedaços de madeira, barras de ferro e armas de fogo. Imagens às quais à reportagem teve acesso mostram ferimentos à bala em duas pessoas, mas nenhum dos feridos, até a publicação da matéria, deu entrada em hospitais da região.

"Foi uma guerra, com pedaços de metal, barras de ferro, arma de fogo. Ontem mapeamos os 13 distritos de campinas, monitoramos os serviços de saúde para a entrada de feridos", explica Saad.

As lideranças da Independente e da Jovem estão colaborando com as investigações, e já entregaram à Drade documentos garantindo que os torcedores que protagonizaram a briga não pertencem aos seus quadros. A escalada de violência entre dissidentes de torcidas organizadas no interior preocupa as autoridades em um momento de crescente cooperação entre as polícias e as torcidas.

Em agosto do ano passado, torcedores de Palmeiras e Santos entraram em confronto em Mauá, e duas pessoas foram mortas a tiros. "Em São Paulo, particularmente, a violência entre torcidas com armas de fogo não era comum, mas é o segundo caso que temos em meses", afirma Saad.

A Drade irá manter, nas próximas semanas, reuniões com lideranças das principais organizadas de São Paulo para avançar em planos que evitem confrontos e mapear torcedores expulsos ou dissidentes das torcidas que estejam envolvidos no confronto.