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'Ferguson do interior', Marcelo Veiga se misturou à história do Bragantino

Marcelo Veiga, ex-técnico do Bragantino - Divulgação/CA Bragantino
Marcelo Veiga, ex-técnico do Bragantino Imagem: Divulgação/CA Bragantino

Eder Traskini

Do UOL, em Santos

15/12/2020 04h00

Talvez ninguém seja mais Bragantino do que Marcelo Veiga. Da beira do campo ou nas mais diversas áreas do clube, o técnico se misturou com a história do clube do interior. Foram 516 jogos no comando do Braga, um recorde. Ele faleceu ontem (14), aos 56 anos, vítima de complicações da Covid-19.

Em 20 de novembro, Marcelo Veiga foi internado na UTI da Santa Casa de Bragança Paulista, cidade que também escolheu para morar após tantas passagens pelo clube — por seis vezes Veiga foi anunciado como o treinador da equipe interiorana. Ele era muito mais do que um técnico, queria ajudar em todas as vertentes do clube e também passava por gerência e supervisão, dependendo da configuração da diretoria da vez, para ver tudo funcionando.

A passagem mais duradoura ocorreu entre 2007 e 2012 e rendeu a ele o apelido de 'Ferguson do Interior', em alusão ao lendário Alex Ferguson, escocês que dirigiu o poderoso Manchester United por 27 anos. Veiga chegou perto da marca de Telê Santana no São Paulo: ele dirigiu o Braga por aproximadamente quatro anos e dez meses, seis meses a menos do que Telê.

Nessa época, Veiga já tinha conquistado o acesso para a Série A-1 do Paulistão em 2005, o vice-campeonato da Copa Paulista de 2006 — competição que classificou o Bragantino para a Série C do Campeonato Brasileiro de 2007, da qual foi campeão, derrotando o Bahia na final.

Essa já era a terceira passagem de Veiga, um ex-lateral esquerdo, pelo Bragantino. Ele voltaria ao clube em outras três oportunidades, o que motivaria uma decisão: mudar de vez para a cidade, que respondeu homenageando o treinador com o título de cidadão de Bragança Paulista, em 2019.

Leal e figura carimbada na cidade, o técnico cansou de escutar "e aí, quando você volta", ao passear pelas ruas de Bragança. Sua última passagem foi em 2019, quando conseguiu manter a equipe na primeira divisão do Estadual.

Sua saída se deu sem motivação técnica. Veiga era o treinador do Braga durante o processo de parceria com a Red Bull. O clube herdou os jogadores do Red Bull Brasil e também seu técnico, Antônio Carlos Zago. O interesse da empresa no Bragantino, porém, só se deu porque o técnico assumiu o Braga em 2017 para evitar o rebaixamento na Série C e levou a equipe do interior de volta à Série B no ano seguinte.

Marcelo Veiga iniciou a carreira como treinador em 1999. Antes disso, foi um lateral esquerdo de origem e com características bastante ofensivas. Ele atuou por vários clubes, com destaque para o Santos e o Internacional, onde conquistou um Gauchão e uma Copa do Brasil, em 1992.

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