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Caso Robinho: Justiça italiana confirma condenação de 9 anos por estupro

Janaina Cesar

Colaboração para o UOL, em Milão

10/12/2020 13h13

A corte de apelação da Justiça italiana confirmou condenação em segunda instância de Robinho, atacante do Santos, e de seu amigo Ricardo Falco a nove anos de prisão por estupro coletivo de uma jovem albanesa na madrugada de 22 a 23 de janeiro de 2013, numa boate de Milão chamada Sio Café - na época, o brasileiro atuava pelo Milan.

A defesa do jogador saiu cabisbaixa da audiência e afirmou que entrará com pedido de recurso na Corte de Cassação, terceira instância italiana.

"[Foi] Uma investigação bem feita, de modo sério, com uma sentença de primeiro grau correta. Profissionalmente, estou muito satisfeito, principalmente pela vítima", disse Cuno Tarfusser, procurador do Ministério Público que atuou no caso em segunda instância.

O brasileiro foi representado pelos advogados italianos Alexander Guttieres e Franco Moretti - foi este último quem se pronunciou na audiência. Também esteve presente a advogada brasileira Marisa Alijia, que proibiu os advogados italianos de falar com a imprensa brasileira.

A defesa de Robinho apresentou um recurso de 65 páginas, 19 anexos e 4 consultorias técnicas diversas. A defesa tentou desmontar a sentença que condenou Robinho em primeira instância. Moretti disse que não existem provas de que a vítima estava em condição de inferioridade psíquica e física. Para a defesa de Robinho, é impossível provar que, entre 30 e 50 minutos, seis pessoas cometeram um ato sexual sem o consentimento da garota.

Eles apelaram também para o fato de que traduções de conversas interceptadas pela polícia, as principais provas reunidas nos autos, teriam sido feitas de modo incorreto. Para a defesa, a transcrição das interceptações não prova que Robinho tenha tido relação sexual completa com vítima, mas "somente" oral.

Sala da audiência do julgamento em 2ª instância de Robinho - Janaina Cesar/UOL - Janaina Cesar/UOL
Sala da audiência do julgamento em 2ª instância de Robinho
Imagem: Janaina Cesar/UOL

Defesa apresentou dossiê sobre a vida da vítima

Foram apresentadas também algumas fotos encontradas em um HD onde foi realizada uma perícia técnica para provar que Robinho estava com amigos naquela noite. Por último, os advogados do brasileiro divulgaram um dossiê da vida pessoal da vítima, com fotos resgatadas nos perfis nas redes sociais da garota para tentar provar a sua familiaridade com o álcool.

Entre as 42 fotos anexadas ao dossiê, em nove delas se via um copo - apenas uma, no entanto, mostrava a mulher com um copo na mão, tomando uma bebida que parecia um spritz, muito comum na Itália.

Já o procurador Cuno Tarfusser disse que os fatos são indiscutíveis: que três garotas foram a uma casa noturna em Milão, que quando chegaram se juntaram aos brasileiros, que certamente a garota bebeu, que duas delas deixaram o local, e a vítima ficou sozinha; que entre 40 e 50 minutos os brasileiros tiveram relação sexual com essa garota e que essa relação aconteceu no camarim da boate.

O procurador Cuno Tarfusser, o advogado da vítima, Jacopo Gnocchi, e a vítima - Janaina Cesar/UOL - Janaina Cesar/UOL
O procurador Cuno Tarfusser, o advogado da vítima, Jacopo Gnocchi, e a vítima
Imagem: Janaina Cesar/UOL

A defesa de Ricardo Falco se ateve ao que já havia apresentado por escrito e falou por cerca de dez minutos. Já Jacopo Gnocchi, advogado da vítima, pediu que a condenação fosse confirmada pela corte, o que aconteceu mais tarde.

Após duas horas de audiência, a corte de apelação se retirou em Câmara de Conselho para analisar o caso e retornou depois com a decisão de confirmar a condenação dos brasileiros.

Entenda o caso

De acordo com a sentença de primeira instância e agora confirmada em segunda, Robinho, Falco e outros quatro brasileiros participaram do estupro coletivo no Sio Café. Naquela noite, a vítima comemorava seu aniversário de 23 anos.

Apesar de a primeira condenação ter acontecido em 2017, o caso voltou à tona em outubro quando o site "Globoesporte.com" publicou trechos de conversas interceptadas pela polícia, nas quais Robinho e os amigos fazem pouco caso da vítima.

"Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu", escreveu o jogador em uma das conversas.

Como Robinho e Falco se encontravam na Itália na época das investigações, foram ouvidos e notificados de que seriam processados. Os outros quatro que teriam participado do crime não puderam ser notificados pois não se encontravam na Itália no momento da conclusão das investigações.

No entanto, Jairo Chagas, músico que tocava na noite do crime na boate milanesa, foi denunciado por falso testemunho, já que teria dado informações inverídicas às autoridades. Sua audiência está marcada para 14 de março de 2021, e o procurador responsável pela acusação é Stefano Ammendola, o mesmo que denunciou Robinho na primeira instância.

Segundo a sentença de primeiro grau que condenou o jogador, "não existem contradições das testemunhas ou declarações confusas nas conversas telefônicas. A única declaração contrastante foi a do músico Jairo Chagas que, durante o seu depoimento, no dia 28 de setembro de 2017, negou ter assistido ao crime, embora tenha admitido o contrário em conversa interceptada".

Robinho disse que é inocente

Em entrevista ao UOL Esporte em outubro, Robinho afirmou que não abusou sexualmente da jovem albanesa e que esperava provar sua inocência no julgamento em segunda instância.

"Uma garota se aproximou de mim, a gente começou a ter contato com consentimento dela e meu também. Ficamos ali poucos minutos. A gente se tocou. Depois, fui embora para casa", afirmou o jogador, que teve seu contrato com o Santos suspenso após a pressão de patrocinadores e de parte da torcida.

"Meus amigos me contaram no outro dia que, com consentimento da garota, ficaram com ela, se relacionaram sexualmente porque ela quis. E que eles saíram daquela discoteca junto com a mesma garota e foram para outra discoteca. Foi o que eles me falaram."

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