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Desafetos? Como Ceni, Rodrigo Caio e Gabigol selaram paz em "novo Flamengo"

Gabigol e Rogério Ceni conversam durante treino do Flamengo no primeiro dia de trabalho do novo técnico no CT - Alexandre Vidal/Flamengo
Gabigol e Rogério Ceni conversam durante treino do Flamengo no primeiro dia de trabalho do novo técnico no CT Imagem: Alexandre Vidal/Flamengo

Leo Burlá e Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro e em São Paulo

13/11/2020 04h00

O técnico Rogério Ceni tem apenas três dias de Flamengo, mas já mostrou ter estudado o terreno antes de iniciar o trabalho no novo clube. Após passar por um Fortaleza que tinha na figura do treinador o grande protagonista, o ex-goleiro encontrou um elenco recheado por astros de primeira grandeza.

E ele logo tomou medidas para aglutinar o grupo e deixar algumas mensagens-chave. Apesar do tropeço ante o São Paulo, o novo comandante já causou uma onda de euforia entre os jogadores, que já não estavam em sintonia com Domènec Torrent e seus pares. Para desarmar possíveis armadilhas, Ceni tratou de aparar arestas do passado e garantir uma chegada serena.

Logo de cara, ele desfez qualquer mal-estar com Gabigol e Rodrigo Caio, jogadores com os quais teve algumas rusgas nos tempos de jogador. O clube também foi criterioso no uso de imagens e fez questão de dar grande destaque ao encontro de Ceni com dois dos principais líderes do Rubro-negro. Abraços e sorrisos marcaram os registros dos encontros.

Gabigol, inclusive, tratou de postar uma foto em seu Twitter onde aparecia abraçando Rogério Ceni em seu primeiro dia de trabalho no Ninho do Urubu. Para dar uma medida do ambiente anterior, nenhum jogador utilizou suas redes sociais para comentar a saída de Dome, um dia antes.

Em um movimento que foi bem recebido no Ninho do Urubu, Ceni escalou Diego Alves logo em sua estreia. O camisa 1 saiu de campo com câimbras, mas voltou a jogar e ainda recebeu a faixa de capitão. O gesto foi compreendido como uma tentativa de se cercar e deixar claro que irá respeitar a história dos campeões. Mesmo em meio a um imbróglio que se arrasta por sua renovação, Diego ganhou fôlego novo com a manifestação.

Reunião com Filipe Luis e Diego Ribas

Filipe Luis, Diego e Ceni - Alexandre Vidal/Flamengo - Alexandre Vidal/Flamengo
Filipe Luis (e), Diego Ribas (c) e Rogério Ceni (d) conversam em primeiro dia de trabalho do treinador no Flamengo
Imagem: Alexandre Vidal/Flamengo

Para ter uma temperatura melhor do vestiário, Rogério conversou muito com Diego Ribas e Filipe Luís, dois dos atletas com mais ascendência no Fla, inclusive sobre a diretoria. Em sua sala no CT, o técnico debateu questões do dia a dia com a dupla e somou pontos ainda mais relevantes em sua largada no Rubro-negro.

Além do afago em jogadores muito importantes, Ceni também não esqueceu de dar seus recados para a Nação. Além de ter revelado um "pedido" para que Zico abençoasse sua chegada, ele não escondeu que o time de Jorge Jesus será, sim, uma inspiração. A comparação incomodava Torrent, que abandonou traços importantes do trabalho do Mister e tampouco foi capaz de criar uma forte identidade. A preocupação com a integração ao Fla agradou em cheio torcedores e a cúpula de futebol.

"O time será o mais ofensivo possível, o Flamengo gosta da bola. Será sempre tentar o gol. O importante é o gol. A favor. Gosto de jogar com o máximo de atacantes possíveis, com velocidade, habilidade. Essa é a área que mais gosto de mexer", disse ele.

A troca de comando teve efeito imediato entre os atletas, que não esconderam os sorrisos durante a apresentação ao novo chefe. Embora não tenha havido crises de relacionamento com Dome, a verdade é que a demissão não foi nada lamentada. A sensação no clube é de que a temporada foi salva a tempo, mas Ceni entendeu rapidamente que o sucesso também depende da criação de uma atmosfera de confiança mútua.

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