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Como Felipão mudou o clima no Cruzeiro em meio até a ameaça de série C

Felipão trabalha nos bastidores para unir os jogadores e criar ambiente positivo na Toca II - Bruno Haddad/Cruzeiro
Felipão trabalha nos bastidores para unir os jogadores e criar ambiente positivo na Toca II Imagem: Bruno Haddad/Cruzeiro

Guilherme Piu

Do UOL, em Belo Horizonte

31/10/2020 04h00

Classificação e Jogos

O Cruzeiro não perde há cinco jogos e tem sua melhor sequência na temporada com nove pontos conquistados em 15 disputados. Antes de o técnico Luiz Felipe Scolari chegar o time havia alcançado dois empates seguidos, contra o Oeste, fora de casa, e Juventude, no Mineirão.

Isso, após passar "maus bocados" com treinadores que não conseguiram impor sua filosofia de trabalho, e que deixaram o torcedor preocupado com o risco grave de queda até para a Série C.

Porém, depois de fazer trocas inócuas no comando técnico, a diretoria azul optou pelo "caminho da experiência". Daí, contratou não só um treinador, mas um grande "escudo" para evitar novos grandes problemas, e para resolver o que anteriormente estava complicado, como o ambiente ruim na Toca II, por exemplo.

Depois de sua badalada chegada, Scolari iniciou a segunda "Era Felipão" no Cruzeiro, e já acumula duas vitórias e um empate em três jogos. Resultado de uma extrema e impactante mudança dentro do vestiário azul.

A partir da chegada do experiente treinador, que em um primeiro momento está morando no hotel da concentração, é que o horizonte celeste começou a se abrir. Se há algumas semanas o temor maior do cruzeirense era à Série C do Brasileirão, agora a situação, mesmo que ainda bastante complicada, ganha outros contornos.

Pulso firme

Felipão chegou com sua filosofia impositiva, de pulso firme e mudou os ares na Toca da Raposa. E mesmo cortando certas regalias viu o grupo se unir mais.

O treinador passou a trabalhar para aglutinar os jogadores, que estavam muito divididos sob os comandos de Enderson Moreira e Ney Franco. Até interferir no convívio social dos atletas o comandante tem feito, proibindo o uso de celular durante as refeições e integrando o grupo de atletas em mesas maiores, em vez de deixá-los separados em grupos no refeitório.

Pelo currículo que tem no futebol e amparado por grandes conquistas, dentre essas a de uma Copa do Mundo com a seleção Brasileira, o respeito que o treinador exerce nos jogadores cria um ambiente "mais responsável" no CT. O que fica evidente na entrevista do zagueiro Manoel, uma das figuras de liderança no elenco.

"A gente fica feliz, temos um treinador no banco que é consagrado, todo mundo sabe da história dele, ficamos muito felizes. A gente mudou o espírito, estamos mais vibrantes, todo mundo que está no banco. A gente está tendo uma oportunidade única de levantar esse clube de novo para a Série A, então vamos trabalhar bastante, tem muita coisa para melhorar", disse o defensor em entrevista ao canal Premiere, logo após a vitória em cima do Paraná, por 2 a 0.

Dentro e fora de campo

Ainda sem conhecer todo o elenco, Felipão faz mudanças pontuais na forma do time jogar e "ganha os atletas" na psicologia, na confiança, no respeito. Os discursos do treinador fazem efeito justamente por que os jogadores "compraram a ideia" do novo comandante.

E como a média de idade do elenco cruzeirense é de 24 anos, Felipão, que até se descontraiu ao ser perguntado se o Cruzeiro já tinha sua cara após três jogos, acaba atuando mesmo como uma "paizão da garotada".

"Minha cara é muito feia para o Cruzeiro ter. Acho que a nossa identidade está sendo criada na medida em que os jogos estão sendo jogados. Na medida em que nós vamos nos conhecendo, nos treinamento e durante o dia na Toca II. Algumas coisas eu faço cobrança e outras faço quase como um professor de uma escola mesmo, orientando, temos muitos jovens que precisam de carinho, ensinamentos", revelou.

Por mais que o treinador entenda e veja que já mudança no clima na Toca II, para melhor, claro, os discursos de Felipão nos pós-jogos sempre são realistas. A missão do Cruzeiro é, ainda, lutar contra o rebaixamento. E isso ele deixa claro para jogadores e torcida.

"Aos poucos nós vamos melhorando. Não vamos dizer a torcida que estamos bem ou que vamos fazer isso, aquilo, porque ainda falta muita coisa, falta muito trabalho (...) Nós temos que buscar melhores posições, pois estamos ainda na última zona. Sabemos que o mínimo para que não se caia para uma Série C é de 45 pontos, e só temos 20. Nós temos que saber, a torcida tem que saber, todo mundo tem que saber que temos 20 [pontos], pronto, não adianta ficar enganando ninguém. Temos que correr atrás de no mínimo 25 para depois fazermos outras coisas", analisou.

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