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Rota de negócios entre Vasco e Portugal já havia iniciado antes de Sá Pinto

Português Ricardo Sá Pinto foi anunciado como novo técnico do Vasco da Gama - Divulgação / Vasco
Português Ricardo Sá Pinto foi anunciado como novo técnico do Vasco da Gama Imagem: Divulgação / Vasco

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

15/10/2020 12h00

A contratação de Ricardo Sá Pinto reascendeu no Vasco o "traço de união Brasil-Portugal" cantado no hino do clube, mas a rota mercadológica entre o Cruz-Maltino e os lusitanos já havia se iniciado antes da chegada do treinador.

No início deste mês, por exemplo, o Vasco emprestou o meia Bruno César ao Penafiel (POR). Em outubro, chegou a um acordo com o lateral direito Cláudio Winck e o negociou para o Marítimo (POR).

Também em setembro foi a vez do Cruz-Maltino vender uma promessa que sequer estreou no profissional: o lateral direito Nathan, de 19 anos, que teve os direitos econômicos comprados pelo Boavista (POR), numa operação que renderá, até o fim de 2021, um total de R$ 8 milhões aos cofres vascaínos.

Na contramão, em agosto, o Vasco contratou o meia Carlinhos, que no início deste ano estava atuando por empréstimo no Vitória de Setúbal (POR). Ele pertencia ao Standard Liége (BEL), mas rescindiu para assinar com o clube de São Januário.

Meia Bruno César foi anunciado oficialmente pelo Penafiel por empréstimo - Divulgação / Penafiel - Divulgação / Penafiel
Meia Bruno César foi anunciado oficialmente pelo Penafiel (POR) por empréstimo
Imagem: Divulgação / Penafiel

Influência de dirigente português

Uma influência nestas negociações recentes do Vasco com o mercado português é o vice-presidente de futebol, José Luis Moreira, nascido em Portugal e que, além de negócios pessoais no país, tem bom trânsito no meio do futebol lusitano.

Novo vice de futebol do Vasco, José Luiz Moreira conversa com a imprensa durante apresentação da cúpula da pasta em São Januário - Marcelo Sadio/Divulgação/Vasco - Marcelo Sadio/Divulgação/Vasco
Imagem: Marcelo Sadio/Divulgação/Vasco

Moreira, inclusive, já havia sido procurado pelo empresário de Ricardo Sá Pinto no início deste ano, pouco tempo depois de Abel Braga deixar o comando da equipe. Na ocasião, o agente ofereceu o técnico português, mas o Vasco preferiu efetivar Ramon Menezes, que até então era auxiliar.

José Luis Moreira é figura conhecida na política do Vasco, já havia ocupado o cargo em gestões de Eurico Miranda e voltou ao posto em março de 2020. Empresário, já ajudou financeiramente o clube em algumas ocasiões.

Goleiro em litígio também foi para Portugal

Curiosamente, até quem entrou em litígio judicial com o Vasco acabou indo para Portugal, caso do goleiro Jordi, que acionou a Justiça do Trabalho, em agosto, para rescindir e agora está no Paços de Ferreira (POR).

Já o lateral direito Rafael Galhardo tinha encaminhada a ida para o Marítimo (POR), mas o Tribunal não liberou sua rescisão e inviabilizou a transferência. Agora, o jogador cobra uma indenização do Vasco por conta do impedimento do negócio.

Vasco tentou técnico português outras vezes

Em outras oportunidades, o Cruz-Maltino tentou trazer um técnico português, mas esbarrou em detalhes para o acerto. Ano passado, por exemplo, a diretoria vascaína foi a primeira no Brasil a sondar Jorge Jesus, mas os altos valores envolvidos inviabilizaram o negócio. Posteriormente, o treinador ainda conversaria com o Atlético-MG antes de fechar com o Flamengo e fazer história no Rubro-Negro. Jesus, aliás, é amigo de longa data de José Luis Moreira.

Antes, em 2011, o Vasco chegou a ter um acordo verbal com Carlos Queiroz, ex-técnico da seleção portuguesa, mas o comandante enfrentava uma batalha judicial que chegou a suspendê-lo por seis meses e, por isso, não se transferiu.

Sá Pinto, porém, não será o primeiro treinador lusitano da história do clube. Em 1946, Ernesto Santos foi contratado de forma pitoresca, por meio de um anúncio de jornal, e comandou o time por apenas 12 jogos.

Meia português jogou no Vasco em 2005

Em 2005, o Vasco teve um português em seu elenco. Tratava-se do meia Dominguez, revelado pelo Benfica (POR), com passagem pelo Sporting (POR) e que também atuou na Premier League pelo Tottenham (ING) e outros clubes da Europa.

O jogador, porém, ficou apenas seis meses em São Januário, voltou a ter um problema no joelho direito, regressou a Portugal e, no ano seguinte, decidiu encerrar a carreira com apenas 31 anos.

Na sequência, tornou-se treinador, onde começou no União de Leiria (POR), passou pelo Sporting B, pelo Real Cartagena (COL) e pelo Recreativo de Huelva (ESP), seu último clube, em 2016.

Dominguez foi o terceiro e último português a jogar no Vasco. Antes dele, defenderam o clube os lusitanos Perez, em 1974, e Lito, em 1979.

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