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Título no Corinthians fez santistas criticarem Edu: "Mancha na carreira"

Pelé e Edu na Copa do Mundo - Reprodução
Pelé e Edu na Copa do Mundo Imagem: Reprodução

Eder Traskini e Vanderlei Lima

Colaboração para o UOL, em Santos e São Paulo

01/10/2020 04h00

A palavra ídolo remete a um jogador que tem história em um clube, seja por títulos, jogos ou mesmo postura fora das quatro linhas. O ponta-esquerda Edu é conhecido por sua carreira no Santos, mas o histórico jogador também atuou em time rival e "paga" por isso até hoje.

Edu fez parte da geração de ouro do Santos da década de 60 e jogou ao lado de Pelé, ocupando por vezes a vaga de Pepe no chamado "ataque dos sonhos": Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Foi campeão do mundo em 1970 com a seleção brasileira e era suplente do histórico time que entrou para a história ao marcar 4 a 1 na decisão sobre a Itália, no México.

Depois de marcar seu nome na história do Peixe, Edu trocou o clube da Vila Belmiro pelo rival Corinthians, onde se sagrou campeão paulista em 1977. Tal troca ocorreu após desentendimento com a diretoria do Santos da época, mas Edu ainda paga o preço e ouve de santistas que isso "manchou" sua carreira.

"Eu me dei muito bem lá [no Corinthians]. Quem pegava no meu pé era o torcedor santista, eles falam até hoje que eu só tenho uma manchazinha na minha carreira, que foi ter jogado no Corinthians. Para mim, era mais um título. O Corinthians, sim, é que necessitava, eu já tinha sido quatro vezes campeão paulista. Para os corintianos foi muito valioso, porque 23 anos numa fila, a pressão era grande, mas não para mim", contou Edu em entrevista ao UOL Esporte.

Descoberto pelo "olheiro" Pelé

Natural de Jaú, interior de São Paulo, a família de Edu e de Pelé se conheciam pelas irmãs dos atletas. Pelé, que jogou algum tempo em Bauru, estava na cidade e perguntou para a irmã de Edu se não tinha ninguém na família que jogava futebol. Ela falou de Edu, e o Rei do Futebol disse para levá-lo até Santos que ele apresentaria ao clube.

Edu estreou pelo Peixe com apenas 15 anos e o destaque foi tão grande que foi convocado em seguida para disputar a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra.

"Eu tinha 16 anos, ia fazer 17 em agosto. Até hoje quando falo disso parece que estou sonhando. Foi muito rápido. Eu cheguei ao Santos com 15 anos, comecei a treinar com 14, mas vim para ficar mesmo com 15 e um ano depois estava em uma Copa do Mundo ao lado de ídolos, como Garrincha, Bellini, Djalma Santos. Até hoje isso parece um sonho quando falo", recordou Edu.

Decepção com o futebol atual

Muito presente no dia a dia do Santos até hoje, Edu acompanha bastante futebol atual e não se encanta com o que vê."Infelizmente, o nível é bem aquém do que nós praticávamos. O pessoal fala que o preparo físico hoje é primordial, tem mesmo que se preparar fisicamente porque a técnica desse pessoal aí é bem baixa, quase não existe. Tem que se preparar para poder correr, por isso que é uma correria desenfreada. Mas você acaba não vendo nada de bom, tecnicamente nada, não vê mais drible no futebol, domínio de bola, você não vê mais nada", afirmou.

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