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Rollo tenta se desvencilhar de imagem truculenta durante gestão no Santos

Orlando Rollo conversa com Pará e Marinho no CT do Santos - Ivan Storti/Santos FC
Orlando Rollo conversa com Pará e Marinho no CT do Santos
Imagem: Ivan Storti/Santos FC

Eder Traskini

Colaboração para o UOL, em Santos

30/09/2020 04h00

Orlando Rollo assumiu a presidência do Santos de forma oficial na manhã de ontem (29), após o mandatário José Carlos Peres ser afastado preventivamente enquanto tramita processo de impeachment. A primeira reação do torcedor santista ao nome de Rollo não foi positiva e é isso que o novo mandatário quer mudar.

Eleito ao lado de Peres, como vice-presidente, Rollo nunca havia comandado anteriormente o Peixe. Desde janeiro de 2018, presidente e vice trocaram farpas via imprensa, o que arranhou a imagem dos dois, mas foi Rollo quem saiu mais prejudicado.

Sem o poder da presidência em mãos, o vice foi relegado a cuidar, segundo o próprio Peres, do futebol feminino, esportes olímpicos e segurança. Nenhuma participação nas decisões do futebol, para além de um voto no Comitê de Gestão, tão valorado quanto o de qualquer outro membro.

Contrário a várias ideias de Peres desde o início do mandato, Rollo inúmeras vezes votou de maneira diferente do presidente e foi voto vencido no Comitê de Gestão. Em outras oportunidades, reclamou decisões que jamais passaram pelo colegiado, o que seria ratificado mais tarde por diversos membros do Comitê de Gestão, que renunciaram ao posto.

Em diversas oportunidades, Peres e outros membros da gestão tentaram pintar a imagem de Rollo como alguém que tentava atrapalhar o clube e de maneira até truculenta. Em uma oportunidade, um membro do Comitê de Gestão, aliado de Peres, avisou aos jornalistas que aguardavam o fim da reunião do colegiado para tomar cuidado com Rollo na saída, pois o vice-presidente estaria muito bravo com um dos profissionais. O encontro entre o cartola e os jornalistas, porém, se mostrou tranquilo.

Tal narrativa foi reforçada por Peres durante o primeiro processo de impeachment, sofrido ainda no primeiro ano da gestão. O mandatário trocou acusações com Rollo durante o período que antecedeu a votação e utilizou o site oficial do clube para dar sua versão dos fatos sem o mesmo espaço ao vice. Peres chegou ao plebiscito utilizando um colete à prova de balas e falando sobre ameaças sofridas.

Em suas primeiras ações após assumir ontem a presidência, Rollo se mostrou justamente o oposto. Na conversa com o elenco no CT Rei Pelé, tentou pacificar a situação, prometeu cuidar do extracampo e pediu para focarem somente no futebol. Durante a reunião, usou as palavras "continuem acreditando e trabalhando, não para as pessoas, mas para o Santos."

Durante a coletiva de imprensa, a primeira no novo cargo, assumiu uma postura mais técnica e evitou fazer promessas ou dar prazos. Falou sobre a prioridade para o pagamento das dívidas do Peixe com outros clubes de maneira a liberar o Santos da punição de não poder registrar novos jogadores imposta pela Fifa, mas salientou que não há previsão de receitas, muito menos um prazo para que os valores sejam acertados.

Rollo também se reuniu com funcionários do clube e procurou esclarecer informações divulgadas em redes sociais sobre demissões em massa que aconteceriam após o momento em que ele assumisse o cargo.

"Quero deixar bem claro que, neste primeiro momento, não haverá demissão alguma. No futuro, pode haver? Lógico que pode. Mas temos que ser gestores, avaliar desempenho de forma profissional de cada membro. Vamos acabar com esse boato de demissão em massa. Não tem terrorismo. Todos serão prestigiados e avaliados individualmente. Se avaliarmos com Comitê de Gestão e Comitê de Transição que alguns funcionários não estão rendendo, a gente vai realocar ou vai demitir. Mas não agora. Agora todos os funcionários podem ficar tranquilos", disse Rollo em coletiva. O presidente recebeu mais de mil mensagens de apoio em seu celular durante o dia.

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